A história de Chica da Silva chega ao palco do Palácio das Artes em uma ópera inédita encomendada pela Fundação Clóvis Salgado. Depois de uma pré-estreia em Diamantina, a montagem terá apresentações em Belo Horizonte nos dias 19, 21 e 23 de setembro, no Grande Teatro Palácio das Artes.
“Chica da Silva” reúne os três corpos artísticos da Fundação Clóvis Salgado: Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, Coral Lírico de Minas Gerais e Cia de Dança Palácio das Artes. A soprano Marly Montoni interpreta a protagonista. Já o tenor Ewandro Stenzowski vive João Fernandes, contratador de diamantes e companheiro de Chica.
A obra tem música de Guilherme Bernstein e libreto de Marcos Bernstein e Flávia Bessone. A direção cênica é de Julianna Santos. André Brant assume a direção musical e a regência. A montagem ainda conta com coreografia de Regina Advento, cenários de André Cortez, figurinos de William Rausch e iluminação de Wagner Pinto.
A produção propõe uma releitura da trajetória de Francisca da Silva de Oliveira. Nascida escravizada entre 1731 e 1735, no Arraial do Milho Verde, atual distrito do Serro, Chica alcançou posição de destaque na sociedade mineradora do século 18.
A abordagem se aproxima do estudo histórico “Chica da Silva e o Contratador dos Diamantes – O Outro Lado do Mito”, de Júnia Ferreira Furtado. A pesquisa confronta representações que consolidaram Chica como uma mulher fatal e hipersexualizada.
Entre a personagem histórica e o mito
A ópera parte da pergunta: “Bruxa, sedutora, heroína, rainha ou escrava: afinal, quem era Chica da Silva?”
Em 1753, Chica foi comprada por João Fernandes de Oliveira. Pouco depois, ele a alforriou. Os dois viveram juntos durante 17 anos e tiveram 13 filhos, todos reconhecidos pelo pai.
Com a partida de João Fernandes para Portugal, em 1770, Chica permaneceu em Minas Gerais com uma grande fortuna. Ela morreu em 15 de fevereiro de 1796 e foi enterrada no interior da igreja de São Francisco de Assis.
A montagem também aborda as contradições da personagem. Chica alcançou autonomia e prestígio em uma sociedade racista e patriarcal, mas também integrou o sistema escravista e chegou a possuir escravizados.
Antes da temporada em Belo Horizonte, “Chica da Silva” terá pré-estreia gratuita em Diamantina, no dia 12 de setembro.
Serviço
Ópera “Chica da Silva” – temporada em Belo Horizonte
Datas: 19, 21 e 23 de setembro
Horários: 19h no sábado (19); 20h na segunda (21) e na quarta-feira (23)
Local: Grande Teatro Palácio das Artes
Ingressos: R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia-entrada), à venda pela Sympla, na bilheteria do Palácio das Artes e nos totens de autoatendimento
Classificação indicativa: Livre