As Suraras do Tapajós chegam a Belo Horizonte no dia 11 de setembro com o espetáculo “Suraras do Tapajós – Mulheres Indígenas, a Voz da Resistência”. A apresentação será no Autêntica, a partir das 20h, e integra a circulação nacional do primeiro grupo de carimbó formado exclusivamente por mulheres indígenas no Brasil.
Vindas de Alter do Chão, em Santarém, no Pará, território do povo Borari, as artistas combinam música, dança e práticas ancestrais. O repertório reúne composições autorais, referências à tradição paraense e músicas ligadas à relação dos povos indígenas com a natureza, as águas e seus territórios.
Entre as faixas estão músicas do álbum “A Força Que Vem das Águas – Kiribasáwa Yúri Yí-Itá” e singles mais recentes. Além disso, o grupo apresenta referências a mestres do carimbó, como Dona Onete.
A sonoridade parte do carimbó tradicional. Curimbós, maracas feitas de cuia, banjo e violão integram os arranjos. As vozes alternam momentos de solista e coro. Já a dança ocupa espaço central e convida o público a participar da roda formada durante o show.
Encontro entre Minas e Pará
A apresentação ganha ainda mais sentido com a presença da mineira Tutu com Tacacá. Criada em 2016, a banda constrói uma ponte musical entre Minas Gerais e o Pará, aproximando o carimbó das Festas de Reinado, Folias de Reis e Catiras.
Dessa pesquisa e desse diálogo respeitoso com as fontes culturais nasce uma identidade própria, marcada por um caldeirão de ritmos, corporeidade, visualidade e brincadeira.
Em cena, as Suraras se apresentam descalças e usam grafismos de jenipapo, saias artesanais, cocares, biojoias e outros adornos indígenas. O espetáculo também incorpora o tradicional banho de cheiro com ervas medicinais, prática ancestral amazônica associada à cura, proteção e bem-estar.
O Nheengatu, idioma utilizado até hoje no Baixo Tapajós, aparece em falas e músicas. Dessa forma, o grupo também reforça a preservação dos saberes originários.
“Sempre que subimos num palco, representamos nosso povo e nossa região: somos um território encontrando outros”, afirma Val Munduruku, artista e ativista socioambiental do povo Munduruku, gestora pública, maracaeira e backing vocal, além de presidente da Associação de Mulheres Indígenas Suraras do Tapajós, da qual o grupo musical faz parte.
Antes do show, a passagem por Belo Horizonte terá duas atividades gratuitas. No dia 10 de setembro, a sede do Grupo Aruanda recebe uma roda de conversa, das 19h às 20h. Em seguida, das 20h30 às 22h30, será realizada uma oficina de carimbó.
A turnê passa por 12 cidades brasileiras ao longo de 2026. Depois de São Paulo e Rio de Janeiro, o roteiro inclui Belo Horizonte, Fortaleza, Ouro Preto, Manaus, Boa Vista, João Pessoa, São Luís, Salvador, Natal e Rio Branco.
Serviço
Suraras do Tapajós em Belo Horizonte
Data: 11/09/2026
Horário: 20h (abertura da casa)
Local: Autêntica
Endereço: Rua Álvares Maciel, 312, Santa Efigênia – BH
Ingressos: A partir de R$15 pelo Shotgun.
Oficina de Carimbó
Data: 10/09
Horário: 20h30 às 22h30
Local: Sede do Grupo Aruanda – Rua Espírito Santo, 757 – Centro
Participação Gratuita
Roda de Conversa
Data: 10/09
Horário: 19h às 20h
Local: Sede do Grupo Aruanda – Rua Espírito Santo, 757 – Centro
Participação Gratuita