Cinema

O tigre branco: um filme sobre a fúria pela sobrevivência

Filme está disponível na Netflix e é uma adaptação do livro do escritor Aravind Adiga

Foto: Netflix / Divulgação

Não é de hoje que os filmes fora do eixo Hollywood-Europa estão ganhando cada vez mais visibilidade e prestígio. Exemplo disso foi o Oscar 2020, onde Parasita, longa sul-coreano, levou quatro estatuetas, incluindo a de melhor filme. O nome da vez é O tigre branco, filme indiano do diretor Ramin Bahrani. Está entre os mais vistos da Netflix e há quem diga que é o novo Parasita.

Não seria exagero afirmar isso, pois o filme é igualmente profundo, intenso e chocante. Entretanto, há uma diferença: desde o começo sabemos o desfecho da história. O protagonista Balram Halwai (Adarsh Gourav) comete um crime para mudar de vida, sobreviver e se tornar um homem rico. Dessa forma, o desenrolar da história, explica detalhadamente como ele chegou a esse ponto. 

Temática retrata a realidade

Balram, um jovem que vive em um vilarejo extremamente pobre na Índia, é obrigado desde a infância a trabalhar para garantir o mínimo de dignidade. Em busca de escapar desse ciclo, vê como única saída trabalhar para The Stork (Mahesh Manjrekar), um empresário corrupto que sempre vai ao local recolher os “impostos” dos moradores. Assim, Balram convence a avó de financiar aulas de direção e vai para a parte rica da cidade se oferecer como motorista da família.

Sempre solícito e com um sorriso no rosto, ele acaba convencendo pela humildade e simpatia. Mesmo com a desconfiança do pai, Ashok (Rajkummar Rao), filho do empresário, vai com a cara do rapaz e quer logo contratá-lo. Isso porque ele estudou nos Estados Unidos e não vê sentido no sistema de castas indiano (Balram faz parte da casta baixa). 

Até grande parte do filme ficamos convencidos que a subserviência de Balram é genuína e o sorriso sincero, mesmo ele narrando a história do futuro já milionário às custas da família. Mas, com a sequência de humilhações e absurdos entendemos que, na verdade, a raiva move a plenitude. 

O fato decisivo

O tigre branco é uma grande crítica à desigualdade na Índia e no mundo, quando Balram vai para a capital Nova Delhi com Ashok e a sua esposa, Pinky (Priyanka Chopra-Jonas), ele vê o melhor dos mundos. Ou seja, um lugar rico, com saneamento básico e as condições mínimas para uma vida de luxo.

Certa noite ele leva os patrões para comemorar o aniversário de Pinky e na volta deixa a moça dirigir. No entanto, ela está embriagada e, mais uma vez, Balram entra no clima e se mostra sorridente, mesmo com o perigo iminente.  Aí está o grande ponto do filme. 

O mais interessante é que O tigre branco não traz meias palavras ou sutilezas. É um filme que vai direto ao ponto. Inclusive faz referência direta à Quem quer ser um milionário (Danny Boyle). Há um momento que o protagonista até diz: “não acredite nem por um segundo que há um jogo milionário de perguntas e respostas que você pode ganhar para poder sair daqui”.

 

O tigre branco
Foto: Netflix / Divulgação

A construção da confiança

Assim como em Parasita, há uma crise de confiança em O tigre branco. A forma como construímos relações também está estampada na narrativa com excelentes atuações. Às vezes, algumas pessoas são tão cegas a ponto de só conseguirem olhar para si mesmas. Por mais que Balram seja “querido” pelo chefe, ele dorme em um quartinho cheio de baratas no estacionamento, enquanto o empregador em um apartamento luxuoso bem acima dele. O contraste entre pobreza e riqueza se dá mesmo no local mais rico do país. 

Sempre na posição de subalterno, Balram usa e abusa da confiança da família rica e se mostra até como um ponto de refúgio emocional. Não vamos dar spoiler sobre o fim da história. No entanto, em resumo, O tigre branco, é aquele tipo de filme que te faz ficar do lado do personagem que comete um crime. Aliado à uma pessoa que saiu de uma origem extremamente pobre para buscar a qualquer custo a sua dignidade e oferecer para outros depois. 

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Publicado por Carol Braga

Publicado em 28/01/21

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O tigre branco
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O tigre branco: um filme sobre a fúria pela sobrevivência

Filme está disponível na Netflix e é uma adaptação do livro do escritor Aravind Adiga

Foto: Netflix / Divulgação