Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

LGBTQIA+ nos cinemas e na literatura: orgulho e representatividade

Se a vida imitasse a arte, pessoas LGBTQIA+ enfrentariam menos tabu e ainda mais amor, exatamente o que ele representa
Foto: Banco de Imagens Canva

Por Carol Marçal | Colaboradora do Culturadoria LGBTQIA+

Neste 28 de junho é comemorado o Dia Internacional do Orgulho LGBT, hoje LGBTQIA+. A data foi criada em 1969, na cidade de Nova York, após uma série de invasões policiais nos bares frequentados por homossexuais. Durante essas ocupações, aqueles presentes no local eram presos, agredidos e sofriam grande represália das autoridades.

Os anos foram passando, mas esse tio de preconceito não diminuiu. Porém, na contramão, a luta e a força deste grupo foi ganhando força e espaço. Seja nas redes sociais, em manifestações, Paradas de Orgulho gay, nas músicas, nos cinemas ou nos livros. Aqueles que se sentiam reprimidos ou excluídos por causa da sua sexualidade, hoje tem muitos motivos para se sentir mais livres.

No cinema

Desde o século XX, quando foi exibido o primeiro filme gay da história, o grupo LGBTQIA+, mesmo ainda não tendo esse nome, já era muito bem representado. Em 1919, estreava na Alemanha a exibição de ‘Diferente dos Outros’, um filme mudo alemão do género drama, realizado e escrito por Richard Oswald e Magnus Hirschfeld e protagonizado por Conrad Veidt e Reinhold Schünzel, que conta a história sombria, da relação entre um violinista que se apaixona por um jovem estudante.

Apesar do marco, o filme não foi visto com bons olhos pelo público alemão e a estreia do longa nas telonas foi marcado por motins e manifestações contrárias à produção artística por parte das multidões religiosas e de extrema-direita. O evento obrigou o país alemão a criar leis de censura.

Oito anos mais tarde, um outro grande passo no mundo cinematográfico era dado. O primeiro beijo entre dois homens foi registrado no filme ‘Wings’, de 1927, que também foi o primeiro vencedor na história de um Oscar de Melhor Filme.

Depois desses tempos, a produção de filmes que abordam o tema, que ainda é tão polêmica, só aumentou. De lá para cá, grandes exibições como ‘O segredo de Brokeback Mountai’, ‘Com amor, Simon’, ‘Vantagens de ser invisível’, ‘Hoje eu quero voltar sozinho’, ‘Me chame pelo seu nome’ e ‘A garota dinamarquesa’ fizeram grande sucesso nas telonas.

Livros com temática LBGTQIA+

Além dos cinemas, os livros também são bem representativos para o grupo LGBTQIA+. E, em praticamente 100% dos casos, obras sobre o tema agradam e muito o público por conta da sensibilidade e da naturalidade como a história é contada.

Apesar de não ser visual, as compilações reforçam a necessidade de como o tema precisa, e com urgência, ser abordado pelos escritores para com o público. É uma das formas que podem ajudar a normalizar o que nunca deveria ter sido um tabu.

Confira algumas indicações literárias que trazem a temática LGBTQIA+

Quinze dias – Vitor Martins

Felipe está esperando por esse momento desde que as aulas começaram: o início das férias de julho. Finalmente ele vai poder passar alguns dias longe da escola e dos colegas que o maltratam. Mas as coisas fogem um pouco do controle quando a mãe de Felipe informa que concordou em hospedar Caio, o vizinho (crush), por quinze dias, enquanto os pais dele estão viajando.

Os dias que prometiam paz, tranquilidade e maratonas épicas de Netflix acabam trazendo um turbilhão de sentimentos, que obrigarão Felipe a mergulhar em todas as questões mal resolvidas que ele tem consigo mesmo.

Leah fora de sintonia – Becky Albertalli

Sequência do sucesso ‘Com amor, Simon’, Leah odeia demonstrações públicas de afeto. Odeia clichês adolescentes e também quem odeia Harry Potter, o novo namorado da mãe, pessoas fofas e felizes. Ela odeia muitas coisas e não tem o menor problema em expor suas opiniões.

Vermelho, Branco e Sangue Azul – Casey McQuiston

O que pode acontecer quando o filho da presidenta dos Estados Unidos se apaixona pelo príncipe da Inglaterra? Quando sua mãe foi eleita presidenta dos Estados Unidos, Alex Claremont-Diaz se tornou o novo queridinho da mídia norte-americana.

Querido ex, (que acabou com a minha saúde mental, ficou milionário e virou uma subcelebridade) – Juan Julian

A história reúne as cartas Dele, um jovem gay, cuja vida está sendo definida por um catastrófico acontecimento: seu ex-namorado virou, da noite para o dia, a maior celebridade do país. Por mais que tente, de todas as formas, fugir da memória do seu (não tão querido) ex, ele continua sendo perseguido por ela aonde quer que vá. Nos outdoors? O ex está lá. Na televisão? Idem. No Instagram? Lá ele está também. Como se livrar de um passado que insiste em ser presente?

O amor não é óbvio – Elayne Baeta

Amores platônicos, segredos inconfessáveis, perseguições pela cidade, traição… poderia ser um roteiro de novela, mas é só a vida real de uma adolescente comum. Íris tem 17 anos e está viciada na novela Amor em atos. Ela assiste a todos os episódios ao lado de sua vizinha de 68, Dona Símia, que se tornou sua segunda melhor amiga. É claro que Poliana, que ocupa o primeiro lugar, não pode nem sonhar com isso! Além de ser extremamente ciumenta, Polly anda muito preocupada com a completa falta de interesse de Íris por tudo o que julga prioritário: a festa de formatura e perder a virgindade.

Eu, Travesti – Luisa Marilac e Nana Queiroz

Luísa Marilac nasceu em Minas Gerais e assumiu-se travesti aos 17 anos. Além dos tradicionais traumas associados à transição de gênero em uma família conservadora e de classe baixa, levou sete facadas aos 16 anos. Além disso, foi vítima de tráfico sexual na Europa, prostituiu-se, foi estuprada e presa mais de uma vez. Alçou-se à fama depois que viralizou no YouTube um vídeo seu com o bordão “E disseram que eu estava na pior”.

O Fim do Armário – Bruno Bimbi

Um livro jornalístico fantástico, que nos conta uma série de histórias fascinantes e estremecedoras que a maioria dos leitores desconhece. Sem medo de ser feliz, Bruno Bimbi relata, com graça e indignação, os dramas e as batalhas das pessoas LGBTQIA+pela aceitação social e a conquista de seus direitos.

Você tem a vida inteira –  Lucas Rocha

Um livro sensível sobre o amor após um diagnóstico de HIV. O livro de estreia de Lucas Rocha é sensível e honesto sobre um assunto que ainda é um grande tabu. As vidas de Ian, Victor e Henrique são entrecortadas pelo diagnóstico do HIV. Victor fica inseguro ao descobrir que Henrique, com quem está começando uma relação, é soropositivo e resolve fazer um teste, mesmo que os dois só tenham transado com camisinha.

Livros com histórias LGBTQIA+ Foto: Canva
Livros com histórias LGBTQIA+ Foto: Canva

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