Gastronomia

Jazz, literatura e boa comida: conheça a Laço Cafeteria

As noites de jazz são uma das atrações da Laço Cafeteria (foto: Patrícia Cassese)

Inaugurada há pouco mais de um ano, no bairro Funcionário, a Laço Cafeteria mescla gastronomia e cultura

Patrícia Cassese | Editora Assistente

Aberta há pouco mais de um ano, a Laço Cafeteria entrou em cena apostando numa tríade que vem se comprovando certeira: música, literatura e gastronomia. Situada na Rua Sergipe, 33, nas cercanias da Catedral da Boa Viagem, a casa tem uma decoração charmosa e uma programação variada, que pode ser conferida no perfil do Instagram @lacocafeteria. A iniciativa de Rogério Oliveira e Wanessa Paixão concretiza um sonho que, na verdade, começou a ser acalentado por ele, há tempos, como contou à reportagem do Culturadoria. Mas que ganhou vida em função do incentivo de Wanessa.

“A questão desse espaço, é a seguinte: eu sou empresário desde 1999. No entanto, sou psicólogo de formação. E meu negócio sempre foi ligado à psicologia. Em 2008, abri uma primeira livraria, em Uberlândia. Na verdade, eu tinha um escritório e, então, naquela época, idealizei que seria bom ter um espaço no qual tivesse a divulgação do conhecimento de livros junto a uma cafeteria, a um espaço de entretenimento. Só que, de lá para cá, muitas coisas aconteceram”, diz Rogério, referindo-se às crises de mercado, em particular, às do segmento no qual atua. “Assim, nunca sobrava dinheiro. E, consequentemente, nunca tinha condição de fazer o que planejava”.

Acolhimento, conhecimento, entretenimento

Em 2017, Rogério conseguiu ampliar o negócio no qual atuava (avaliação psicológica) para todo o estado de Minas, sendo a sede instalada em Belo Horizonte. “Foi então que falei: ‘Agora vai”. Wanessa teve atuação decisiva. “Na verdade, Isso aqui só aconteceu porque ela chegou e falou: ‘Nós vamos fazer’. Porque eu a conheci após idealizar isso, mas foi ela que efetivamente proporcionou a concretização da Laço”. No entanto, eis que veio a pandemia. “Assim, tivemos que esperar um pouco mais. No começo de 2022, veio a decisão de inaugurar. E iniciamos as atividades em abril”.

O nome escolhido traduz muita coisa. “O nome Laço remete ao laço social, ao enlaçar e propiciar às pessoas um ambiente de acolhimento. E esse acolhimento tem duas finalidades: o conhecimento e o bom entretenimento. Ou seja, este espaço se propõe a enlaçar as pessoas. Assim, trazê-las para um ambiente onde possam ampliar o conhecimento, que não é somente a livraria que temos. Há também um espaço no qual a gente promove lançamento de livros, palestras, cursos, uma série de outras atividades. Então, é essa ideia de conviver e viver o conhecimento junto ao bom entretenimento”, explica Rogério.

Cardápio

No quesito cardápio, são várias, as opções da Laço Cafeteria. Perguntado sobre os pratos que mais têm saída, Rogério revela: “Na verdade, acaba sendo sempre uma grande surpresa. Nas noites do jazz, por exemplo, o que mais costuma sair é a Tilápia Crocante, que é o filé de tilápia empanado em farinha panko acompanhado de molho verde. Tem também as tirinhas de frango. O filé de frango é cortado em tiras, empanado e servido com molho especial. Também tem muita saída a carne de panela. A boa e velha carne de panela mineira, né? E, ainda, as bruschettas”.

As bruschettas, uma das opções que têm muitos adeptos (Wanessa Paixão/Divulgação)

E mais

Mas o menu abarca muito mais coisas. Tem costeletas de porco ao molho rôti, polpettone recheado, provoletta, toast de salmão, camafeu de camarão com requeijão, mix de antepastos, burrata fresca (com geleia de tomate e maionese de ervas defumadas, além de torradas). No caso dos doces, tem alfajor, bolo na taça, brigadeiro gourmet, trufas, brownie, cookie de chocolate e croissant de nutella com morangos. E, ainda, macarons, tartelettes, saladas de frutas, pudins…

Já na seção de bebidas, nem precisa dizer: a Laço é uma cafeteria. Assim, tem expresso, café carioca, café filtrado, cappuccino à brasileira, o italiano clássico, chocolate quente, chá inglês, leite sem lactose, frappuccinos. Na seara dos salgados, não poderiam faltar o pão de queijo (do comum ao recheado), quiches, fatias de tortas (frango ou camarão) e folhados. Tem, ainda, empanadas abertas e as fechadas, dadinho de tapioca, croissants e biscoito de provolone

Objetivos

Instado a falar da presença da música, Rogério revela que costuma brincar que montou a Laço Cafeteria para si. “É que eu sou um homem com mais de 50 anos de idade, que gosta muito das questões da cultura humana, de artes plásticas…. Amo literatura, amo música, amo jazz – aliás, estou até estudando trompete e já toco um pouco de percussão e violão. E, de certa forma, eu sempre pensei que, quanto mais equipamentos culturais nós tivermos numa cidade como Belo Horizonte, ou em qualquer outra cidade brasileira, ou do mundo, melhor nós lidaremos com as nossas relações”.

O dono do Laço prossegue: “E num momento como esse que nós estamos vivendo no mundo todo, e no Brasil em especial, em que você vê muita polarização, e uma polarização às vezes a partir do ódio, é importante ter espaços onde haja uma promoção da cultura, daquilo que a sociedade humana foi capaz de produzir de bonito. Claro, lembrando que gosto é algo complicado. Mas, como diria Ariano Suassuna, você tem três tipos de gosto: o mau gosto, que é um gosto genuíno; o gosto mediano, que não é o gosto de ninguém, é o gosto do outro, né? O gosto que muitas vezes se confunde com a moda. E o terceiro, que é o bom gosto, que é um gosto humano apurado. Assim, a gente procura e almeja esse bom gosto, a promoção desse bom gosto”.

O jazz

Não por outro motivo, a abertura para o jazz. “Não só porque eu gosto, mas por entender isso. Leon Tolstói dizia: ‘Se você quer ser universal, conheça a tua aldeia’. Então, se quero falar do jazz, de literatura ee tudo mais, eu tenho que trazer as pessoas que estão em Belo Horizonte estudando. Os músicos que estão batalhando há décadas. E dar espaço para essas pessoas. Porque só assim nós chegaremos a ocupar o lugar devido no cenário geral. Então, eu sigo muito isso ao pé da letra. A ideia de trazer essas expressões culturais, como o jazz. Mas não só. As artes plásticas também”.

E a literatura. “Assim, já fizemos lançamento de livros, de poesia. Tem grupos de poesia que se reúnem aqui, conosco. Gente que estuda poesia. Eu tive a grata surpresa de receber, no Laço, uma pessoa que foi meu professor, o poeta, escritor, Ronald Claver. Murilo Antunes esteve aqui esses dias, aliás, nós vamos fazer um evento com ele. O Neném, baterista, tocou aqui. O Beto Lopes toca sempre. E os mais jovens, como o (trombonista, arranjador e compositor) João Machala, que conheço há muitos anos”.

Sonhos e projetos

Ao fim, Rogério comenta. “Neste momento, em que estou conversando com você, eu estou vendo um (uma obra) Amilcar (de Castro), lá no fundo, outra de um artista de Belo Horizonte… Aqui, na frente, vejo os livros… E o balcão, as pessoas ali, sentadas, tomando café… Ao mesmo tempo, olho para algo que quase ninguém presta atenção. É que eu tenho os primeiros discos gravados no Brasil na parede. São discos de mais de 120 anos! Ou seja, é um espaço também de memória. Um espaço de construção, constituição e resgate da memória”.

Figuras como as de Rita Lee e Simone de Beauvoir ilustram a porta do banheiro feminino (Foto: Patrícia Cassese)

Ainda de acordo com ele, ainda há questões a ser implementadas. “Porque não é um projeto só de um desejo, de um sonho realizado ou a se realizar. É fruto de todo um estudo e um acúmulo cultural, um acúmulo de conhecimento que você quer disponibilizar. Cada detalhe aqui foi pensado, até as portas do banheiro, pensadas como se fosse uma arte de rua. Mas é isso. E por aí afora”, conclui.

Outro detalhe do banheiro, com jogo de espelhos e muitas plantas (Foto: Patrícia Cassese)

Serviço

Laço Cafeteria

 R. Sergipe, 33, Funcionários

Funcionamento de segunda a sábado, das 9 às 22h.
Confira a programação no Instagram do estabelecimento: @lacocafeteria

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Publicado por Carol Braga

Publicado em 01/09/23

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