Conheça a Galeria São Vicente
Gumbo!, na Galeria São Vicente, é o primeiro restaurante de comida criole e cajun de BH. Foto: Helena Tomaz
Gumbo!, na Galeria São Vicente, é o primeiro restaurante de comida criole e cajun de BH. Foto: Helena Tomaz
Galeria São Vicente passa por processo de reocupação que tem movimentado a região da Praça Raul Soares, no baixo centro de BH
Por Helena Tomaz | Assistente de conteúdo
Inaugurada em 1959, a Galeria São Vicente, como tantos outros centros comerciais da região central de BH, acabou se tornando, com o passar dos anos, em um ponto sem grandes diferenciais em relação a tantos outros vizinhos a seu endereço – localizado na avenida Amazonas.
Assim, no primeiro andar, seguiram funcionando várias lojas e algumas oficinas de máquinas de costura, além de um restaurante, uma relojoaria e um chaveiro. Por outro lado, até pouco tempo atrás, quem se arriscava a subir ao segundo andar se deparava com várias lojas fechadas – algumas, há mais de 30 anos.
Desde o ano passado, porém, a Galeria São Vicente tem passado por fortes mudanças, com a entrada em cena de empreendedores que perceberam, ali, o potencial da edificação, que tem uma fachada voltada para o Mercado Central e outra, para a Praça Raul Soares, marco zero de BH. Em maio de 2022, portanto, foi inaugurado o primeiro bar do prédio: o Palito, cujo cardápio tem foco em drinks clássicos, como Martini, Campari e Aperol.
Na sequência, outros bares foram chegando, como o Pirex, aberto por Vitor Velloso, que convidou o chef Caio Soter para comandar a cozinha.

A ideia, conforme explica Amanda Guimarães, gerente de comunicação da galeria, é que ali funcionem somente estabelecimentos em que os proprietários trabalhem diretamente com o negócio. Além disso, Amanda explica que o foco da galeria é promover a cultura, para além do entretenimento e da alimentação.
Com a intensificação da movimentação na Galeria São Vicente, logo começaram as comparações com outro endereço vizinho no Baixo Centro, que também passou por fortes mudanças nos últimos anos: o Mercado Novo.
Para Amanda, no entanto, as semelhanças entre os dois lugares não são tão fortes: “Eu entendo o motivo de as pessoas fazerem essa associação, até porque, o Mercado Novo é nosso vizinho. Mas entendo que a principal diferença da proposta é que nós, deliberadamente, nos preocupamos com o resgate cultural. A gente quer que essa estrutura dos mercados, da circulação de pessoas, das feiras, seja uma realidade.”
Amanda completa: “O Mercado Novo é muito maior que a Galeria São Vicente, então, o clima daqui é mais intimista, um pouco mais familiar. A proposta também é trazer essa ideia de proximidade, de intimidade. Não acho que seja tão festivo quanto o Mercado Novo. Ambas são boas propostas, e acho que as pessoas precisam habitar o Baixo Centro, consumir e circular, mas vejo diferenças bem substanciais entre as duas propostas.”
Conheça alguns dos estabelecimentos inaugurados na nova fase da Galeria São Vicente:
Primeiro bar da galeria, o Palito acaba de completar um ano. Lá, os drinks clássicos são especialidade da casa.
O estabelecimento vende as clássicas comidas de estufa. O carro-chefe da casa é o bolovo, um bolinho de carne moída recheado com um ovo cozido inteiro. A cozinha é comandada pelo chef Caio Soter.
A Fermentaria, que inaugurou sua primeira loja no Mercado Novo, chegou também à Galeria São Vicente. Lá, além das bebidas fermentadas artesanais – que lembram um refrigerante alcoólico -, o cliente pode experimentar opções como o sanduíche de carne moída, o chamado “Buraco Quente”.
Com o slogan “Seu armarinho do presente”, o Leilãs e Linhas, além de comercializar linhas e lãs de qualidade superior às geralmente encontradas no Brasil, promove vivências de artesanato. Os encontros funcionam como oficinas de técnicas específicas, ligadas aos produtos vendidos por lá.
Inspirado por Nova Orleans, o berço do jazz nos Estados Unidos, o Gumbo é o primeiro restaurante de gastronomia creole e cajun (isto é, afro-americana) de BH. Além de pratos como o red jambalaya, que mistura carnes, frutos do mar, quiabo e arroz; o Gumbo! também serve drinks em um ambiente que tem como trilha sonora o jazz.
Para quem busca uma alternativa aos drinks, há o Botelha, um bar dedicado exclusivamente aos vinhos. Para acompanhar, são servidas tábuas de queijos e charcutarias, que também incluem outras iguarias, como mel, frutas e castanhas.
Mais recente estabelecimento da São Vicente, a Portaria 1959 fica no primeiro andar da galeria e, por isso, possui um espaço maior. Por lá, o foco é no gin: o cliente escolhe uma ou duas opções de xarope para acrescentar à bebida, acompanhada de tônica. E, assim, personaliza o sabor. Além disso, o bar também serve cerveja e petiscos.
Quando passa da meia-noite e as lojas do segundo andar fecham, é para lá que o público vem se deslocando, já que a Portaria 1959 tem horário estendido.

Além de ser a responsável pela comunicação da Galeria São Vicente, Amanda Guimarães também é proprietária d’A Tenda, um estabelecimento de atendimentos de tarô. Aberto em outubro do ano passado, o estabelecimento ocupa uma loja que estava fechada há nada menos que 30 anos, segundo Amanda.
Para adaptar o serviço ao funcionamento dos bares e restaurantes da Galeria, ela e o sócio, Daniel Menezes, também criaram um serviço em que se paga para fazer uma pergunta às cartas. Além disso, os dois também vendem produtos como velas, ervas e aromas.

Sobre a inspiração para a criação d’A Tenda, Amanda conta: “Há alguns anos, no Baixo Centro de BH, haviam muitas ciganas, que liam mãos. Na própria Feira Hippie também havia pessoas que tiravam cartas. Assim, penso que resgatar essa cultura mística do Baixo Centro, em um outro lugar, mais estruturado, mais organizado, faz jus a todo esse movimento”, pondera.
Publicado por Helena Tomaz
Publicado em 23/06/23