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Evita Open Air: espetáculo ao ar livre reconta história da figura de Eva Perón

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Em uma experiência inédita do teatro brasileiro, Evita Open Air acompanha a criação da ‘madre de los descamisados’

Por Maria Lacerda | Culturadora 

Você provavelmente já ouviu falar no nome de Eva Perón. A história da breve – mas marcante – da vida da ex-primeira-dama da Argentina vive no imaginário público e já foi transformada em livro, filme, série e musical. Nos 70 anos da morte de Evita, marcados em 26 de julho, a história de uma das figuras mais enigmáticas da América Latina é recontada no Brasil.

Evita Open Air, uma experiência inédita do teatro musical brasileiro, apresenta a trajetória de María Eva Duarte de Perón ao ar livre, no Parque Villa Lobos, no meio de São Paulo. Em curtíssima temporada, do início de julho até 28 de agosto, o espetáculo é magnético, questionador e imperdível. 

A experiência de Evita Open Air

O musical é uma produção do Atelier de Cultura, responsável por abrasileirar O Homem de La Mancha, A Noviça Rebelde e, recentemente, Escola do Rock. A ideia era que a peça estreasse em julho de 2020. Apesar disso, a previsão mudou e por um período obscuro para o mundo e, principalmente, para aqueles que viviam do palco. 

A chegada ao espaço Open Air, localizado no Parque Villa Lobos, já é encantadora. No local, decorado por lambe-lambes temáticos, o espectador também tem contato com tradicionais comes e bebes argentinos que já o transportam para o país vizinho. 

Com uma estrutura gigante – sem exageros – o palco reluz, cercado por uma platéia que pode reunir até 1.600 pessoas. Deixando de lado a estrutura de um grande teatro, o espetáculo a céu aberto é uma experiência única. Enquanto a cidade fala ao redor, você é imerso e emocionado pela intensidade de um clássico do teatro musical.

Durante os fins de semana de exibição, que se estendem pelo próximo mês, o musical emprega 250 pessoas, nos bastidores e no palco. Ainda que breve, é um respiro para um setor que enfrentou tanto nos últimos dois anos.

Evita, o musical

Criado pelos britânicos Tim Rice e Andrew Lloyd Webber em 1976, o musical estreou na cena londrina dois anos depois e seguiu em cartaz até 1986. Do West End, a montagem também fez sucesso na Broadway e, em 1996, foi transformado no icônico filme protagonizado por Madonna.

Através de uma ópera rock, então, conhecemos Eva Duarte – antes de Perón, Buenos Aires e a crítica realidade dos trabalhadores argentinos, oprimidos pelos militares. Myra Ruiz, eterna Elphaba (Wicked), é quem interpreta Evita, se destacando como a definição de thriple treat, atuando, cantando e dançando como uma verdadeira estrela.

Em meio ao caos político, assistimos à construção quase sagrada da ‘madre de los descamisados’. De atriz mal falada à ‘la santa peronista’, entendemos como a segunda esposa de Juan Perón, vivido por Cleto Baccic, acabou se tornando ainda maior do que o marido – eleito três vezes como presidente da Argentina. 

A história do musical teria sido baseada na biografia antiperonista “The Woman with the Whip”, escrita pela argentina Mary Main em 1952. Por isso, o brilho de Evita é contrastado pela desconfiança criada pelo narrador da história, Che Guevara, interpretado por Fernando Mariano.

Não existem registros de um encontro entre as duas enigmáticas e polêmicas figuras argentinas, que foram contemporâneas. Apesar disso, o olhar questionador do narrador destaca as contradições da vida de Evita e do regime peronista.

Evita Open Air enche os olhos enquanto faz pensar na construção de um ícone, uma imagem populista com uma vida e morte cercadas por polêmicas. Para quem, como eu, sente o coração bater mais forte quando o assunto é teatro musical, a experiência é única – e maravilhosa. 

Evita Open Air. Divulgação/Yuri Murakami
Evita Open Air. Divulgação/Yuri Murakami

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