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Conheça Joana Bentes: artista capixaba com coração mineiro lança novo single

Ouça com exclusividade Presa. Single é o quarto da carreira da artista, que já lançou EP e se dedica a diversas profissões

Por Thiago Fonseca *

06/03/2020 às 10:00 | *Colaborador

Publicidade - Portal UAI
Foto de Nicolas Soares com  ilustração de Carla Roncarati. Material foi feito para a divulgação do single.

Capixaba, mas com o coração mineiro. Joana Bentes além de artista da música, se aventura em uma série de ocupações. É formada em artes plásticas, é iluminadora e projecionista. Mas o coração bate forte é pela música. Começou a tocar violão aos nove anos, mas somente aos 25, ingressou na carreira musical. Sendo assim, toca, canta, compõe e faz os próprios arranjos. Hoje, aos 31, lança o quarto single da carreira chamado Presa.

“É uma canção feita em um momento da necessidade de um desabafo. Toda mulher passa por uma situação na vida pessoal onde é posta em dúvida. As imposições que são colocadas. Essa é uma canção de muita experimentação”, conta Bentes. Após lançar o primeiro EP ENTRE em 2016, e outros três singles, Joana busca um outro caminho. “Diferente de tudo que já fiz”, afirma.

A letra da canção fala sobre, entre outros temas, reação. Em resumo: sobre saber reconhecer a própria força e buscar um futuro diferente do presente. “Viajo na busca de timbres e abuso do eletrônico. Misturo muita coisa, a música brasileira possibilita isso. É um leque de referências que tem um pouco de tudo que já ouvi”, explica. E claro que não pode faltar a guitarra. Instrumento sempre parceiro da artista. O trabalho ainda conta com Larissa Horta no baixo.

Em Presa, de sua autoria, Joana divide os vocais com Nath Rodrigues. “Quando comecei fazer os arranjos senti a necessidade de dividir o grito com alguém, ainda mais porque a música Fala do encontro das vozes das mulheres. Conheci a Nath na cena belo-horizontina e achei incrível o trabalho dela. Além da voz, contribui com o violino”, salienta. Outra parceira que emociona Joana é o trabalho artístico da foto de divulgação do single, que foi feito por Nicolas Soares, e com arte Carla Roncarati, mãe da artista.

Ouça a seguir, com exclusividade, o single Presa

Andanças

Tem apenas dois anos que Joana mudou-se para Belo Horizonte, depois de passar por Brasília. Foi no Espírito Santo, dentro de casa, que teve contato com a música. Cercado por uma família com dotes artísticos, aprendeu com o pai a tocar uma canção no violão e deslanchou. Estudou artes plásticas. Contudo, encarou a música profissionalmente em 2014, aos 25 anos, quando começou a compor.

Morar em BH foi uma escolha de afeto. Veio para a cidade por ter parentes maternos. A decisão veio depois da dúvida se ia ou não para São Paulo, para explorar mais a música. “Mas pensei que seria um passo maior. BH foi um lugar de afeto e possibilidades. Estou bem adaptada e tem acontecido várias coisas boas”, conta.

Joana se considera contemporânea de Silva, artista conterrâneo dela. Na playlist dela toca, além dele, um pouco de tudo. “No momento está bem pop. Tem, por exemplo, Dua Lipa. Gosto de explorar também novos artistas”, revela. Mas uma das grandes inspirações é a mineira Cássia Eller.

Manifesto

O lançamento de Presa chega também como um manifesto de Joana Bentes. Ela também entende a música como uma “convocação pública por parte das mulheres que batalham juntas no mercado da música no Brasil”. De acordo com o texto assinado pela cantora e a produtora Silvia Carolina Ferreira, 84% das brasileiras ligadas ao setor musical já foram discriminadas no ambiente de trabalho. Entre as dificuldades encontradas estão assédio moral e sexual. Leia abaixo o manifesto na íntegra.

 

Joana Bentes – Foto: Nicolas Soares / Divulgação

 

PRESA é liberdade!

PRESA é um manifesto. O manifesto de um grito por justiça. Uma convocação pública por parte das mulheres que batalham juntas no mercado da música no Brasil.

84% das brasileiras ligadas ao setor musical já foram discriminadas no ambiente de trabalho. Dentre as maiores dificuldades enfrentadas estão a sobrecarga (mais de 73% dedica à música mais de 20h semanais e a sobrecarga se torna mais grave quando se considera o tempo gasto com tarefas domésticas), o assédio sexual (49% das menções como principal dificuldade e 20% das menções como segunda principal dificuldade) e o assédio moral (47% das menções como principal dificuldade e 35% das menções como segunda principal dificuldade)*. Sendo assim, é urgente o comprometimento da sociedade para garantir:

– Que a dedicação ao trabalho seja equivalente às perspectivas individuais para as carreiras;

– Que o tempo comprometido com o trabalho seja proporcionalmente justo em relação ao tempo dedicado a outras atividades fundamentais, como o aperfeiçoamento profissional, a maternidade (no caso de), o trabalho doméstico e outras;

– Maior equidade de gênero, tanto em proporção mulheres/homens no ambiente de trabalho, quanto em cargos de liderança, remuneração e equilíbrio entre vida pessoal e social;

– Que não seja necessária uma dedicação em horas muito maior que a sugerida por lei para que se tenha renda considerável na música;

– Que haja maior oferta de cursos gratuitos profissionalizantes para as mulheres interessadas em áreas mais ou menos exploradas no mercado da música, sobretudo para mulheres negras, trans, PcD e de baixa renda;

– A contratação de mão de obra feminina, especialmente para funções e áreas nas quais ainda existem poucas profissionais referências no mercado;

– A criação e consolidação de organizações, institutos, coletivos e grupos que fortaleçam a autoconfiança no trabalho e a comunicação entre as mulheres no mercado da música;

– Reconhecimento e respeito para ocupar cargos e espaços em posições de liderança e para se fortalecerem dentro dos espaços que já ocupam, sem a necessidade de comprovar a todo momento a capacidade de realizar o seu trabalho;

– Um basta à violência estrutural sexista e compulsória no corporativismo do sistema das consideradas Indústrias Criativas, principalmente o mercado da música;

– Que o mercado na área da música possa absorver de forma prioritária mulheres de diferentes classes, cores, orientações e identidades sexuais, sem distinção condicional de hierarquia;

– Que possam existir cada vez mais mulheres referência em toda cadeia musical e artística para que as crianças e jovens possam se espelhar em alguém que ocupa um lugar de desejo, que este caminho seja conhecido e que seja possível de ser trilhado;

– Que a representatividade feminina abra novas possibilidades de ser e estar no nosso país;

– Que tenhamos forças para enfrentar diariamente o capitalismo antidemocrático!

Lutemos todas juntas! Somos a união de nossas vozes! Somos uma grande nuvem de nós!

Joana Bentes e Silvia Carolina Ferreira

O Manifesto “PRESA é liberdade” foi inspirado no texto “Notas para um manifesto feminista: para a construção  de um feminismo para os 99%”, de Cinzia Arruzza, Nancy Fraser e Tithi Bhattacharya.

* Dados coletados na pesquisa DATA SIM “Mulheres na Indústria da Música no Brasil: obstáculos, oportunidades e perspectivas”, realizada em 2019 pelo DATA SIM / SIM SP.

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