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Semana de Arte Moderna de 1922: 100 anos de artes e polêmicas

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No centenário da Semana de Arte Moderna de 1922, será que tantas coisas mudaram no cenário artístico brasileiro?

Por Débora Dietrich e Maria Clara Lacerda | Culturadoras

O centenário da Semana de Arte Moderna já está batendo na porta. É comemorado no dia 13 de fevereiro. Em meio à efeméride, cabe a pergunta: qual a relevância dessa manifestação artístico-cultural em um mundo tão diferente?

A Semana de Arte Moderna de 1922 é considerada como um dos momentos mais marcantes da história das artes brasileiras. O evento representou o rompimento com o conservadorismo que marcava o cenário cultural da época. 

Em celebração aos 100 anos deste marco cultural, a Prefeitura de São Paulo já disponibilizou uma programação especial, que vai do início ao fim de 2022. Os eventos incluem exposições, cursos, mostras audiovisuais e obras inéditas, tanto no meio online, como presencial. Precisa acrescentar que são imperdíveis para os amantes da cultura brasileira?

Acesse aqui uma série de cursos online para conhecer mais sobre a Semana de Arte Moderna.

Senta, que lá vem história

Lá em 1922, ao se deparar com um cenário de vertentes revolucionárias, o escritor Oswald de Andrade retorna de uma viagem à Europa com um novo ideal. Ele queria dar ao Brasil uma arte tipicamente nacional. Ao lado de Mário de Andrade, Oswald é considerado um dos principais artistas responsáveis pelo movimento modernista, iniciado oficialmente através da Semana da Arte Moderna. 

Sendo assim, os irmãos decidiram fazer um grande evento. O Teatro Municipal de São Paulo, então, se tornou palco para a realização mais importante da história da arte nacional no século XX. O evento foi realizado entre os dias 13 e 17 de fevereiro de 1922. As ocupações se espalharam pelo o saguão do teatro e outras três sessões lítero-musicais noturnas. Tarsila do Amaral, Heitor Villa-Lobos, Graça Aranha e Plínio Salgado, por exemplo, foram alguns dos artistas presentes na manifestação pública pela da arte brasileira. 

100 anos depois, o que ficou?

Mesmo com a distância histórica, o centenário da Semana de 22 representa a resistência da arte nacional contra as imposições de parâmetros conservadores. O Modernismo abraçou as questões nacionais. Sendo assim, também redefiniu o status quo, sendo considerado como uma influência para outros períodos marcantes da cultura brasileira, como o Tropicalismo. Apesar disso, entrando no mérito do conservadorismo, será mesmo que a realidade e, principalmente, os impasses enfrentados pela classe artística brasileira mudaram tanto assim?

O redescobrimento do que representa o país, aliado à noção antropofágica de referências estrangeiras é parte constante do cenário cultural brasileiro. A cultura é cíclica. Justamente por isso, viveremos releituras e reinterpretações de movimentos e determinadas influências culturais. Agora, com o mundo em outro ritmo, talvez com um maior dinamismo e um destaque para as múltiplas plataformas e abordagens.

Ainda mais moderno

Atualmente, o Brasil tem ainda mais força ao deixar a marca cultural. A internet conecta com mais facilidade artistas estrangeiros à arte do país. Um exemplo recente do impacto brasileiro na indústria cultural estrangeira é o lançamento do remix de “Fun tonight”. A música original de Lady Gaga tem participação do fenômeno Pabllo Vittar, trazendo elementos do forró e do brega. 

Nas artes plásticas, apesar da acessibilidade gerada pela gratuidade em muitos museus brasileiros, é difícil não perceber o elitismo que o meio ainda carrega. Apesar disso, a arte não está somente atrelada aos museus. O espaço urbano tem a cada dia se transformado em galeria a céu aberto. Por exemplo, os murais pintados nos prédios do Centro de BH. A iniciativa do CURA – Circuito Urbano de Artes traz mais cor e vida ao dia de quem passa pela cidade. 

Obra de Daiara Tukano no Cura Foto: Caio Flavio/Área de Serviço

Reprodução: CURA/Instagram

A polêmica da brasilidade

Tal como os traços irregulares de Anita Malfatti geraram um grande desconforto aos críticos da época, incluindo Monteiro Lobato, a mutabilidade da arte brasileira ainda causa discussões. Mesmo quando dentro do mainstream. Ainda assim, vemos um reflexo dos ideais modernistas, aos quais devemos a liberdade artística, mesmo que incompleta, que colhemos nos dias atuais. 

Mesmo em tempos de crise, as produções artísticas brasileiras continuam em constante reinvenção. Sendo assim, é fato que o gosto é algo muito pessoal e, até hoje, há quem considere que os apreciadores do meio artístico tem “gosto duvidoso”, ainda agarrados ao conservadorismo que incentivou a Semana de 22.

Mas, na sinceridade, é complicado entender quem não se sente movido por uma arte que é feita por nós e, principalmente, para nós, brasileiros de verdade.

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