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Gastronomia

Pacato lança vinho exclusivo para marcar nova fase do restaurante

Vinho Travessia, rótulo exclusivo do Pacato. Foto: Estudio Grampo

O Pacato construiu sua identidade a partir de uma maneira própria de fazer. Assim, na cozinha de Caio Soter, técnicas, ingredientes e referências são combinados na criação de pratos que carregam a assinatura do restaurante. Às vésperas de completar cinco anos, em outubro, a casa de Belo Horizonte começa a levar esse princípio para outros lugares. Um deles é a taça.

O restaurante acaba de lançar o primeiro rótulo próprio de vinho. Batizado de Travessia, ele parte de um blend selecionado exclusivamente para o Pacato e, ao menos inicialmente, só poderá ser provado no próprio restaurante.

A exclusividade não se resume ao rótulo. O Pacato escolheu, entre sete blends apresentados por um antigo parceiro da equipe, um vinho elaborado com Marselan, Montepulciano, Syrah, Malbec, Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignon e Tannat. O Travessia é um blend de safras, tem 13,5% de álcool e chega ao restaurante como uma edição comemorativa dos cinco anos do Pacato.

“A gente escolheu esse blend e ele já não vende mais para ninguém”, explica o sommelier Elton Greve, responsável pela seleção do vinho.

É uma decisão coerente com a maneira como o restaurante construiu sua cozinha nesses quase cinco anos. Ou seja, em vez de simplesmente incorporar um vinho existente à carta e associá-lo à marca Pacato, a equipe procurou um corte que tivesse identidade própria e permanecesse restrito à casa.

Assim, o lançamento integra um período de mudanças que antecede o aniversário de cinco anos. O vinho, a criação de novos pratos e a busca por uma experiência menos formal fazem parte desse movimento.

Como foi criado o primeiro vinho do Pacato

A ideia de desenvolver um rótulo próprio já vinha sendo discutida pela equipe. Segundo Elton Greve, o primeiro caminho considerado foi produzir um vinho mineiro. O projeto, no entanto, esbarrou nos custos e na capacidade de produção disponível naquele momento.

“A gente pensou inicialmente em fazer um vinho mineiro”, conta Greve. Segundo ele, a alta demanda e a capacidade de produção das vinícolas de Minas tiveram impacto na decisão de procurar outros caminhos para o projeto.

A busca chegou então ao Rio Grande do Sul. O Pacato escolheu, entre sete blends apresentados por um antigo parceiro da equipe, um vinho que reúne uvas de diferentes cidades gaúchas.

Depois da vinificação, 20% do corte passam por madeiras americanas e eslovenas, enquanto os outros 80% permanecem em inox.

Mais do que a ficha técnica, o processo de escolha ajuda a compreender o projeto. A intenção não era simplesmente encontrar um vinho pronto para receber a marca Pacato. Assim, a equipe buscava um corte exclusivo para o Pacato.

Neste primeiro momento, o Pacato venderá o Travessia apenas no restaurante. “A gente começa só no restaurante. Vamos entender ele só aqui”, diz Greve.

Travessia marca um momento de mudança do Pacato

O nome Travessia também se relaciona com o momento vivido pelo restaurante. Às vésperas de completar cinco anos, o Pacato procura deixar para trás parte da rigidez que marcou sua primeira fase sem abandonar pesquisa, técnica e a relação com Minas Gerais que estruturaram o trabalho de Caio Soter. “É sair de um Pacato um pouco mais pretensioso e rígido para uma coisa um pouco mais leve, informal e descontraída”, diz o sommelier.

A escolha de Travessia como nome ganha, assim, uma segunda leitura. Há a referência a Minas Gerais, mas há também a ideia de percurso. O restaurante chega aos cinco anos disposto a rever a forma como se relaciona com o público.

Isso não significa substituir o que definiu o Pacato até aqui. Ou seja, a mudança está menos no abandono de uma identidade e mais na maneira de apresentá-la. Greve encontra no próprio vinho essa combinação. “Ele tem estrutura, tem persistência”, afirma.

O lançamento também não aparece como iniciativa isolada. Segundo o sommelier, o rótulo integra um conjunto de ações relacionadas à nova fase do restaurante.

Estado de Brasa apresenta novos pratos de Caio Soter

Até 22 de setembro, o Pacato apresenta o Estado de Brasa, com três pratos criados por Caio Soter para o inverno e disponíveis individualmente no almoço e no jantar. O fogo, então, organiza as três receitas. Brasa, tostado, caramelização, defumação e acidez aparecem de maneiras diferentes nos preparos.

Entre eles está o Polvo na Brasa, Risoni e Coalhada (R$ 165), que experimentei junto com Travessia. O polvo é preparado diretamente na brasa e servido com risoni cremoso enriquecido por glace de frango e coalhada.

Ao lado do prato, a estrutura do vinho encontra correspondência na intensidade da comida. Ao mesmo tempo, a acidez presente na composição cria contraste. É uma harmonização que ajuda a compreender o lugar que Travessia pretende ocupar: não apenas um produto com a marca Pacato, mas um vinho pensado para entrar na experiência do restaurante.

Polvo na brasa com risoni cremoso, glace de frango e coalhada integra o Estado de Brasa, série de novos pratos criados por Caio Soter para o Pacato. Foto: Carol Braga/Culturadoria
Polvo na brasa com risoni cremoso, glace de frango e coalhada integra o Estado de Brasa, série de novos pratos criados por Caio Soter para o Pacato. Foto: Carol Braga/Culturadoria

Novos pratos também apontam para os cinco anos do Pacato

O Estado de Brasa inclui ainda o Ossobuco de Porco e “Isso não é um risoto” (R$ 115). O prato leva glace de jabuticaba e vem acompanhado de milho verde preparado com técnica de risoto. A terceira criação é o Arroz de Tomate, Palmito e Abóbora (R$ 95), opção vegana feita com tomate defumado, palmito tostado na brasa, emulsão de alho negro e picles de abóbora.

Os pratos permanecem no cardápio até setembro. O vinho aponta para um movimento de prazo mais longo.

A proximidade do aniversário de cinco anos permite enxergar vinho, novos pratos e mudança de postura como partes de um mesmo processo. No caso de Travessia, há ainda um elemento simbólico: depois de construir uma cozinha reconhecível pela maneira como combina ingredientes, técnicas e referências, o Pacato procura estender essa identidade ao que serve na taça.

O restaurante chega aos cinco anos sem abandonar a maneira própria de fazer que definiu sua cozinha. O movimento agora é ampliar os lugares em que essa assinatura pode aparecer.

Travessia é um deles.

Serviço

Pacato Restaurante
Rua Rio de Janeiro, 2735 – Lourdes, Belo Horizonte
Estado de Brasa: até 22 de setembro de 2026
Almoço: quarta a sexta, das 12h às 15h; sábados e domingos, das 12h às 16h
Jantar: quarta a sábado, das 19h às 23h
Instagram: @pacatorestaurante

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Publicado por Carol Braga

Publicado em 20/08/26

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Vinho Travessia, rótulo exclusivo do Pacato. Foto: Estudio Grampo

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