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Quem foi Tony Bizarro? Conheça o legado do ídolo da soul music dos anos 70

Tony Bizarro. Foto Larozza

Tony Bizarro, que nos deixou neste 31 de janeiro de 2022, foi um personagem fundamental para a soul music brasileira, tanto com sua obra autoral, quanto na produção de artistas que se tornaram ícones.

Por Adonai Elias | Culturador

Tony Bizarro foi um dos precursores da soul music no Brasil, ao lado de Tim Maia. Fez história ao participar dos primeiros discos do Tim, produzir discos de Cassiano, Som Nosso de Cada dia, Sidney Magal, Odair José e o seu primeiro solo autoral “Nesse Inverno”, de 1977.

O início da carreira musical de Tony foi marcado pelo álbum com seu parceiro Frank Arduini, “Tony & Frankye”, de 1971. Um disco cheio de suíngue, produzido por Raul Seixas. Na época fez bastante sucesso, a dupla realizou centenas de shows, mas o disco não vendeu muito. Era confuso e estava bem distante do que Tony almejava, a soul music.

No entanto, foi nessa época que ele se aproximou de Tim Maia, recém chegado dos Estados Unidos. Tim gravou com participação de Tony a música “Primavera (vai chuva)”, um marco da soul music, mas que não ganhou créditos por isso no disco.

Produção musical

A dupla “Tony & Frankye” chegou ao fim. Muitos anos depois, Tony colocou a responsabilidade disso em cima de Raul Seixas, que conduziu pessimamente as gravações do álbum. 

Foi nesse momento que Bizarro mergulhou de cabeça na carreira de produtor e foi responsável por grandes obras. Dentre os artistas que passaram pelas mãos temos, por exemplo, Cassiano, Odair José, Sidney Magal, Diana e Som Nosso de Cada Dia.

O músico foi também quem iniciou os maiores arranjadores do Brasil na profissão. Claro, estou falando de Robson Jorge e Lincoln Olivetti. Robson e Tony tocavam juntos desde o início de suas carreiras, mas foi durante a criação de “Nesse Inverno” que Lincoln também entrou na parceria e a dupla ficou responsável pelos arranjos do disco.

Ou seja, além do fantástico disco, Tony formou a dupla que daria a cara dos discos mais vendidos e, diga-se de passagem, bem produzidos dos anos 80 no Brasil.

Nesse inverno (1977)

O álbum “Nesse Inverno”, de 1977, foi a obra prima de Tony Bizarro. Ou seja, finalmente ele conseguiu sintetizar tudo o que sentia e pensava sobre a soul music em um disco que se tornou lendário.

Porém, como aconteceu com muitos artistas da cultura black, a obra não foi reconhecida imediatamente, apesar de sua extrema qualidade. Sendo assim, demoraram alguns anos para os fãs e pesquisadores da música brasileira reconhecerem o álbum como icônico.

Em resumo: hoje, cada cópia vale em torno de R$1.000 reais.

Estou Livre (2009)

Tony Bizarro, em carreira solo, lançou apenas dois álbuns. O primeiro, em 1977 e o segundo, “Estou Livre”, em 2009. No entanto, deixou vários compactos nesse intervalo.

O disco “Estou Livre”, reuniu algumas músicas lançadas originalmente nesses compactos, mas com releituras super modernas, com as participações de B Negão, Thaíde e Mara Nascimento. Há também faixas inéditas no disco.

Morte e Legado

Bizarro, infelizmente, nos deixou neste 31 de janeiro de 2022. A notícia foi dada por Ivan Conti, baterista do Azymuth e parceiro de produção musical do artista na época da CBS e Polydor. A causa da morte ainda não foi divulgada.

Tony, ao lado de Tim Maia, Gerson King Combo, Cassiano e outros, foi um dos grandes responsáveis pela entrada da soul music no Brasil e sua popularização. Considerado um gênio e ídolo dos anos 1970 pelos fãs da black music nacional. 

Tony Bizarro. Foto Danilo Cabral

Adonai Elias é redator e web radialista. Graduando em Publicidade e Propaganda (UNA), escreve para o Culturadoria e para a revista eletrônica Lugar Artevistas. Todo sábado, às 15h, apresenta o programa “Nasci Para Bailar”, na Matula Web Rádio. Seu Instagram é @adonaielias.m.

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Publicado por Carol Braga

Publicado em 31/01/22

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Tony Bizarro. Foto Larozza