Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

The Morning Show: Com a segunda temporada chegando, vale a pena assistir?

Com grande elenco e orçamento robusto, a série é considerada uma das grandes apostas do serviço de streaming da Apple
The Morning Show é uma produção da Apple TV. Foto: Apple TV/Divulgação

O primeiro episódio da segunda temporada de um dos maiores hit-shows da Apple TV, The Morning Show deixou a internet em êxtase. A série trata dos bastidores conturbados de um programa jornalístico matinal frente a um escândalo sexual. Jennifer Aniston, a eterna Rachel de Friends (1994), e a adorável Reese Whiterspoon, atriz renomada do cinema e da televisão americana, estão à frente do elenco.

Indicada a oito prêmios Emmy em 2020, a série foi bem recepcionada pela crítica especializada. Sendo assim,  conseguiu notas satisfatórias tanto no Rotten Tomatoes quanto no IMDB. O elenco de peso também inclui Steve Carrell, famoso nas telinhas pelo seu papel de Michael Scott na sitcom The Office, e Billy Crudup, que venceu a estatueta de Melhor Ator Coadjuvante pelo excelente desempenho interpretando o carismático Cory Ellison na série. 

Se você está considerando assistir, mas ainda não sabe se vale a pena investir seu tempo, vem comigo. Reassisti a primeira temporada e separei tanto os melhores momentos quanto aqueles que deixaram a desejar para te ajudar nesta difícil decisão.

A premissa

Alex Levy (Aniston) e Mitch Kessler (Carrell) são os queridinhos apresentadores do programa matinal de maior audiência dos Estados Unidos, o TMS – The Morning Show. Dupla de química inegável no ar e fora dele, eles são o principal alicerce da divisão jornalística da emissora UBA nos últimos quinze anos. Imbatíveis em na faixa de horário, parecia que nada conseguiria detê-los até que, logicamente, algo deteve.

Alegações de casos de abuso sexual praticados por Kessler vieram à tona após uma série de denúncias realizadas de maneira anônima para a imprensa. Essas acusações acabam manchando a figura e a reputação do âncora. Dessa maneira, vê a vida profissional ir ralo abaixo quando é demitido de seu posto. Quem anuncia a demissão é a própria colega de bancada. Em um texto impactante, deixa claro que tais ações jamais seriam toleradas, especialmente pelo contexto do movimento #MeToo.

Enquanto os produtores buscam por um novo âncora para substituir Kessler, uma jornalista do interior, Bradley Jackson (Whiterspoon), conhecida por ter uma reputação difícil, acaba viralizando nas redes sociais após bater boca com um manifestante em uma de suas coberturas externas. Essa ação acabou lhe garantindo uma entrevista ao vivo no palco do Morning Show. 

Cory Ellison (Billy Crudup) é o diretor da divisão de entretenimento e se afeiçoa pelo caráter revolucionário de Bradley. Mesmo com algumas eventualidades, a jornalista passa a dividir a bancada com Alex. É a partir daí que a narrativa se desenvolve e alcança novos patamares.

Os acertos

Não sei se é porque sou grande fã de textos, mas o que mais me cativou na série foi o roteiro. Não estou brincando quando digo que senti arrepios com certos monólogos, estruturados com tamanha maestria pelos roteiristas e entregues com perfeição pelos renomados atores. 

Além disso, cativa também a forma como a série debate e coloca o holofote em importantes temáticas. Por exemplo, machismo, assédio sexual, a falsa balança de poder em ambientes de trabalho, entre outros. São abordagens tão sutis e delicadas que deixa evidente que o viés da construção é mais exemplificar e informar do que simplesmente atribuir drama ao drama.

Outro ponto importante é a maneira como são tratados os bastidores do fazer jornalístico. Aqui, destaco os episódios que mostram como funcionam as coberturas de grandes tragédias. Na série, há um episódio dedicado aos recentes incêndios em Los Angeles que permitem ao espectador sentir e viver um pouco da ação do comunicador. Isso, ao meu ver, deixa a série ainda mais interessante pela sua verossimilhança com o real.


Os erros


É até estranho criticar o roteiro depois de tanto elogiá-lo, mas é isto que farei. Não sei se foi questão de tempo e orçamento, a produção possui somente dez episódios por temporada. Mesmo aparece nas listas como uma das séries mais caras do último ano, mas algumas coisas pareceram corridas e pouco exploradas.

Apesar do plot principal ter sido bem desenvolvido, algumas nuances fizeram falta. Especificamente na na construção dos próprios personagens e é por isso que a relação entre eles parece meio rasa. Aniston e Whiterspoon atuando lado a lado é, sem dúvida nenhuma, uma dádiva, mas a complexidade das personagens é tamanha que por vezes deixa ambíguo a verdadeira natureza do relacionamento.

Ou seja, se isso acontece com os protagonistas, nem preciso dizer sobre os papéis secundários. Algumas histórias, apesar de interessantes para o público, servem mais como uma forma de embasar a narrativa principal do que algo que se sustenta por si só. É por isso que seus desfechos foram, na minha ótica, insatisfatórios, com algumas raras exceções.

Veredito final e segunda temporada

Em suma, The Morning Show cumpre com seu propósito principal: o de entreter. Certamente há aspectos passíveis de melhorias, mas, num contexto geral, o enredo, os personagens e a produção como um todo são o suficiente para dar uma chance para a série. Sei que é maldade fazer isso e, como não quero dar spoilers, direi apenas que os últimos 10 minutos da primeira temporada são o ápice da série. É justamente por causa desse cliffhanger que fico com a sensação de quero mais.

A segunda temporada sofreu com um pequeno atraso nas filmagens em decorrência da pandemia, mas, segundo os criadores, essa experiência foi capaz de ampliar ainda mais a narrativa. Sendo assim, caso você resolva assistir, pode esperar mais daquele jornalismo verossímil que eu mencionei anteriormente, uma vez que pelo menos uma abordagem do novo coronavírus é quase certa.

Caso eu tenha conseguido te convencer, The Morning Show está disponível para assistir no serviço de streaming da Apple, o Apple TV+, com os episódios sendo disponibilizados toda sexta-feira para o mundo inteiro.

E aí? Vai dar uma chance? Deixa nos comentários o que te convenceu!

Por Gustavo Moreno | Culturador

Jornalista e amante da arte em suas variadas formas. Gosta de dar pitaco em tudo, mesmo quando não tem gabarito intelectual para tal. 

  

The Morning Show é uma produção da Apple TV. Foto: Apple TV/Divulgação

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