fbpx
Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

O despertar da Cigarra: impressões sobre os encontros semanais com Simone

Todos os domingos a cantora Simone se reúne com um público crescente. Se as lives servirem de ensaio, um espetáculo antológico se anuncia.

Especial para o Culturadoria | Por Henrique Perez

18/05/2020 às 17:09

Publicidade - Portal UAI
Cantora Simone. Foto: Rodrigo Marques/Divulgação

Além do início das madrugas passados com Teresa Cristina, os fãs de MPB tem outro destino certo nas redes sociais durante a quarentena. As lives semanais da cantora Simone, sempre aos domingos, às 18 horas, no Instagram.

A baiana Simone Bittencourt de Oliveira é considerada uma das maiores cantoras brasileiras de todos os tempos. Embora as novas gerações ainda não saibam disso. Ficou conhecida como Cigarra por causa da canção que Milton Nascimento e Ronaldo Bastos lhe fizeram em 1978.

Não há como esquecer sua voz cantando O Que Será (Chico Buarque) enquanto Sonia Braga, de braços dados com Mauro Mendonça e um José Wilker nu, descem a ladeira do Pelourinho na cena final de Dona Flor e Seus Dois Maridos. Também não há quem não se lembre dos versos cortantes de Começar de Novo (Ivan Lins/Vitor Martins). Foram propagados em sua voz na abertura do pioneiro seriado Malu Mulher. Ou de imagens marcantes suas no palco, em espetáculos dirigidos por Flávio Rangel, como a erotizada interpretação de Paixão (Kledir Ramil) deitada em uma cama (antes de Madonna). E mesmo os mais jovens certamente já ouviram – à exaustão – a controvertida versão de Então é Natal, assinada por Cláudio Rabello, nas festas de final de ano.

Da reclusão à exposição

Sim, a imagem da mulher atlética (antes de ser cantora, foi da Seleção Feminina de Basquete), alta, de roupas sempre brancas e braços abertos está no imaginário popular de um país. No entanto, nos últimos anos, Simone, estava cada vez mais reclusa. Dessa maneira, se recusava a dar entrevistas. Em seus raros shows, parecia refém de suas próprias manias e obsessão por perfeccionismo. Sendo assim, mesmo quem a viu no recente show Eterno Recomeço (2018), em que dividia o palco com Ivan Lins, se surpreendeu ao assistir a primeira live da artista, feita no dia 12 de abril.

Ora se arriscando no violão – instrumento que ela não tocava em público desde o início dos anos 2000 – ora cantando sob bases de piano pré-gravadas por seus músicos (ou por fãs ilustres como Leila Pinheiro e Marina Lima), Simone revisitou músicas de todas as fases do seu repertório, desde Morena (Dalto), que abria seu primeiro disco em 1973, a Nua (Simone/Tiago Torres da Silva), música do seu novo disco, prometido pela Biscoito Fino para o 2º semestre.

No repertório de Simone convivem harmoniosamente sambas-enredo, canções de protesto, boleros, açucaradas canções românticas e pérolas dos mais finos compositores da MPB. A partir da segunda live, os pedidos de fãs começaram a ser atendidos. Além dos sucessos habituais com, por exemplo, Jura Secreta, de Sueli Costa e Abel Silva e Encontros e Despedidas, de Fernando Brant e Milton Nascimento, Simone se permitiu cantar canções obscuras, algumas que jamais havia cantado ao vivo.

 

Continua após a publicidade...

 

Encontro feliz

Para além da voz inconfundível, ainda em forma aos 70 anos, é contagiante a felicidade da cantora. Com os olhos brilhando, Simone grita o nome dos compositores.  Agradecida, brinca quando erra uma letra ou entrada (coisa impensada para quem a viu no palco dos últimos anos). Termina a live sempre erguendo sua taça de vinho para os espectadores. Em resumo: A\a felicidade chegou aos olhos (e ouvidos) do público. Cresce semana a semana devido ao boca a boca. No Dia das Mães, a live chegou a ser televisionada. Quem teve oportunidade de visitar, sabe o quanto o público passa cada minuto derramando milhares de elogios na barra de comentários.

Uma coisa é certa para as pequenas multidões que se aglomeram virtualmente par assistir as lives de Simone. Se as lives se espelharem no palco, um espetáculo antológico se anuncia, com intérprete e público renovados. Independentemente de onde seus caminhos a levem ao final da quarentena, a Cigarra continua arrebentando de tanta luz e enchendo de som o ar.

 

Live da cantora Simone. Foto: Henrique Perez/Reprodução Instagram

photo

Por que as lives da Teresa Cristina viraram sensação no Instagram?

Tem todo dia. Na badalada das 22h. Teresa Cristina começa seu encontro diário com o público no Instagram com um sorrisão no rosto. Um batom vermelho que salta. Espreme o olho para enxergar melhor quem vai chegando. Apresenta o tema, chama o pianista Jonathan Ferr para o tradicional solo e está dada a largada para […]

LEIA MAIS
photo

Coluna Almasculina: Quem é o melhor amigo do homem?

Dizem que o cão é o melhor amigo do homem. Talvez para muitos seja o único e possível. E têm lá suas razões: os cães são companheiros fiéis, obedecem aos comandos do seu dono, escutam sem contestar, têm hábitos regrados etc. Ter um cão ao seu lado tem efeitos já comprovados pela neurociência. Em idosos, […]

LEIA MAIS
photo

Dicas para conhecer as obras de Aldir Blanc, Sérgio Sant’Anna e Rubem Fonseca

Quando escritores, músicos, pintores, dançarinos e artistas em geral morrem, eles deixam conosco a sua obra. Além de serem lembrados pelo conjunto criado, deixam também memórias de afeto. Pensando nisso, aqui vão cinco dicas de livros de escritores que nos deixaram neste ano. Além de Aldir Blanc, Sérgio Sant’Anna e Rubem Fonseca, também destacamos Luiz […]

LEIA MAIS