Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Relembre filmes citados pelo personagem de Sérgio Mamberti em “Vale Tudo”

O mordomo Eugênio era um dos personagens mais célebres do vasto – e importante – currículo do ator Sérgio Mamberti que morreu na sexta (03/09)
Sergio Mamberti em Vale Tudo. Foto: Rede Globo/Divulgação
Sergio Mamberti em Vale Tudo. Foto: Rede Globo/Divulgação

“Uma estrela, é uma estrela”. Era assim que o Mordomo Eugênio, icônico personagem de Vale Tudo, se referia à Heleninha Roitman, sua patroa e amiga. Mas poderia ser também a maneira que todos nós, brasileiros, podemos nos referir ao gênio Sérgio Mamberti que nos deixou nesta sexta, 03 de setembro.

Dono de um currículo extenso no universo das artes, de engajamento político e de carisma, o intérprete do mordomo mais cinéfilo do Brasil, vai fazer uma falta imensa. E para homenageá-lo, que tal uma galeria com os filmes indicados pelo próprio Eugênio, lá em 1988?

Referências de um mordomo cinéfilo

O clássico musical “O Mágico de Oz” abre a galeria por ser um dos filmes favoritos do mordomo boa praça, que por mais de uma vez falou de Judy Garland e sua Dorothy, a heroína que queria voltar pro Kansas.

Quando Tiago fugiu do controle do pai, na novela, Eugenio logo se lembrou de “Juventude Transviada”, filme de 1955, de Nicholas Ray, que se tornou um clássico do cinema. Nele, Judy também estava revoltada com o pai que foi cruel com ela apenas por ter se maquiado.

“O Selvagem” foi recordado na mesma cena. “A senhora se lembra dele andando de motocicleta com aquela roupa de couro…” – diz Eugenio se referindo a Johnny, personagem de Marlon Brando, que vivia o conflito entre gangues de motociclistas.

Falando em Marlon Brando, “Uma rua chamada Pecado”, de 1951, também ganhou vez nas memórias de Eugênio. Ele se referiu ao filme por “Um bonde chamado desejo”, nome original sem tradução, que era o mesmo da peça de teatro que deu origem ao filme. Lá, Brando arrasou no papel do emblemático Stanley, um personagem bruto e agressivo, que exala virilidade e sensualidade.

Na noite em que a madame Odete Roitman morre na novela, Eugênio adquiriu um ar soturno, como num filme policial, para brincar um pouco com o clichê cinematográfico de que o mordomo é sempre o culpado perfeito pelos crimes. Ele não era, de fato, o assassino da megera, mas depois de prestar depoimento sobre o que teria feito na noite do crime, confessou: “Fui a uma locadora de vídeo”.


Cultura é gente, diversa, plural, multifacetada, que na identidade de cada um forma o caldo coletivo que alimenta a história. O que importa é alimentar gente, educar, empregar gente.

Sérgio Mamberti

Por Breno Ribeiro

Breno Ribeiro é designer, roteirista, noveleiro, apaixonado pela cultura brasileira, e zapeador incansável de serviços de streaming. Idealizador do Instagram @estamosapresentando com curiosidades sobre o universo da teledramaturgia.

Sergio Mamberti em Vale Tudo. Foto: Rede Globo/Divulgação
Sergio Mamberti em Vale Tudo. Foto: Rede Globo/Divulgação

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