O segundo encontro de 2026 do Cineclube Ibero-americano Permanente será no dia 1º de abril, às 19h. A sessão gratuita apresenta o filme “Senhora de Ninguém” (1982), da diretora argentina María Luisa Bemberg, e integra a jornada temática “As fictícias fronteiras do lar”. A proposta da mostra é discutir como diretoras ibero-americanas tratam, em seus filmes, as tensões entre o espaço doméstico e a vida pública.
Além da exibição, o encontro contará com comentários da pesquisadora Juliana Gusman, que também assina a curadoria da mostra. A iniciativa resulta de uma parceria entre o Cine Humberto Mauro, o Instituto Cervantes de Belo Horizonte e a plataforma virtual Sara y Rosa. Ao longo deste primeiro ano, o cineclube vai reunir produções da Argentina, Brasil, Colômbia, Espanha, México, Portugal e Venezuela.
Dirigido por uma das figuras centrais do cinema argentino, “Senhora de Ninguém” acompanha uma mulher que, depois de descobrir a infidelidade do marido, decide deixar para trás a casa e a vida que construiu. A partir desse rompimento, o filme acompanha sua tentativa de recuperar traços de uma identidade apagada ao longo dos anos. Com sensibilidade e ironia, a obra reflete sobre autonomia, amizade, trabalho e os limites impostos pelas convenções sociais.
Criado para ampliar o acesso a cinematografias pouco difundidas, o Cineclube Ibero-americano Permanente também busca estimular o debate crítico em torno dessas produções. Ao priorizar obras dirigidas por mulheres, o projeto volta o olhar para trajetórias autorais que, muitas vezes, ocuparam um espaço secundário na história do cinema.
María Luisa Bemberg e os conflitos das mulheres
Nascida em Buenos Aires, María Luisa Bemberg (1922–1995) construiu uma trajetória decisiva no cinema argentino. Filha de uma família tradicional ligada à indústria e às artes, ela não teve acesso à educação formal e foi alfabetizada em casa. Ainda assim, desenvolveu uma sólida formação intelectual e um senso crítico que marcariam seu trabalho artístico.
Após anos dedicados à vida familiar, Bemberg passou a questionar o lugar social destinado às mulheres e foi uma das fundadoras da União Feminista Argentina. Em sua filmografia, dirigiu dois curtas documentais e seis longas-metragens. Entre eles está “Camila: O Símbolo de uma Mulher Apaixonada” (1984), indicado ao Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira.
Em “Senhora de Ninguém”, lançado em 1982, a cineasta volta a tensionar temas recorrentes em sua obra, como casamento, família e moral religiosa. Esses elementos ajudam a explicar a força de uma filmografia que conquistou reconhecimento internacional em festivais e permanece atual ao tratar de impasses que seguem mobilizando o debate sobre o lugar das mulheres na sociedade.
Serviço
Cineclube Ibero-americano Permanente
Data: 1º de abril de 2026 (quarta-feira)
Horário: 19h
Local: Cine Humberto Mauro – Palácio das Artes
Endereço: Avenida Afonso Pena, 1537, Centro – Belo Horizonte
Classificação indicativa: 12 anos
Entrada gratuita
Ingressos: 50% dos ingressos estarão disponíveis na Sympla. O restante será presencialmente na bilheteria principal do Palácio das Artes e no totem, 1 hora antes da exibição.
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Publicado por juniodecarvalho
Publicado em 26/03/26
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