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Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Quatro pontos a se prestar atenção na exposição “Amilcar de Castro: Matéria e Luz”

Exposição com cerca de 50 obras fica em cartaz na Galeria do Minas Tênis Clube até o dia 24 de janeiro

Por Carol Braga

12/11/2020 às 09:32

Publicidade - Portal UAI
Foto: Orlando Bento / Divulgação

Foi em 1968, aquele ano emblemático para a cultura no mundo todo, que o mineiro Amilcar de Castro (1920-2002) se deu conta da relevância da arte que fazia. Embora já reconhecido no Brasil, a chave virou quando ganhou a disputada bolsa Guggenheim e mudou-se com a família para os Estados Unidos. 

Desde 1925 a Fundação Memorial John Simon Guggenheim financia o trabalho artístico daqueles que “demonstram habilidade criativa excepcional em artes”. Lá estava o ex-aluno de Guignard e um dos nomes mais importantes da arte brasileira, em especial do movimento conhecido como neoconcretismo. Detalhe: ele ganhou a mesma bolsa duas vezes. 

Até o dia 24 de janeiro, a galeria do Minas Tênis Clube recebe a exposição Amilcar de Castro: Matéria e Luz e nos oferece a oportunidade de ver com os próprios olhos a importância do trabalho do artista. O conturbado ano de 2020 deveria ter sido marcado pelas homenagens aos 100 anos de Amilcar, que nasceu em junho de 1920. Enfim, muita coisa foi adiada. Foi o caso da mostra em cartaz em Belo Horizonte, marcada inicialmente para abril. 

Matéria e Luz tem cerca de 50 obras especialmente escolhidas por Rodrigo de Castro, curador e filho de Amilcar para que o visitante conheça a essência do artista. “Não quis fazer uma retrospectiva. Selecionei obras que tem força, criatividade nos diversos suportes que ele fez”, detalha.

As obras

Ao longo da carreira, Amilcar de Castro foi escultor, desenhista e designer. Trabalhou muito. Prova disso é que além da exposição na galeria do Minas, outras três estão em cartaz ao mesmo tempo. Para dezembro está marcada uma mostra no Mube, o Museu Brasilerio de Escultura. São mais de 300 obras sendo apresentadas ao mesmo tempo, em diversos suportes. “Não é só uma questão de quantidade. O que impressiona é a qualidade dessa quantidade”, destaca Rodrigo. 

Estivemos lá e comentamos aqui alguns aspectos que chamaram nossa atenção.

A Cor

A primeira impressão que se tem ao abrir a porta da exposição é o tom monocromático. Aos poucos vamos nos dando conta de que não é bem assim. Se os quadros são, em sua maioria, preto e branco, os detalhes em azul, amarelo e vermelho saltam aos olhos.

A Galeria do Minas Tênis Clube até recebeu novas cores para acolher os trabalhos de Amilcar de Castro. As paredes, por exemplo, ganharam um tom de concreto. Um detalhe que faz toda a diferença a partir do momento em que o visitante dá o primeiro passo para explorar aquele universo. “As obras em preto e branco sobressaem, mas não agridem o olhar da pessoa. Se fica uma coisa muito branca, não se enxerga direito o resultado da obra”, explica. 

O Traço

Cada artista encontra seu modo peculiar de desenhar, né? Pois entre as obras expostas em BH nos deparamos com um Amilcar que gostava de traços longos e contínuos. É o que você poderá observar logo na entrada, em uma coleção de quadros feita em 1953. Detalhe: é um dos poucos trabalhos que levam a assinatura dele na parte da frente do quadro. Em geral, o artista assinava no verso. 

A característica é um destaque também em uma das maiores telas instaladas na galeria, com 8 metros de largura. Uma curiosidade é que ela foi feita no chão e com uma vassoura. Aliás, essa era uma ferramenta de trabalho bastante comum de Amilcar de Castro. 

Matéria 

Além dos quadros, que imediatamente chamam nossa atenção, a exposição tem, é claro, as clássicas esculturas de Amilcar. Uma das mais emblemáticas fica bem no fim da sala. É a Estrela, a primeira peça de cobre feita por ele em 1951 e premiada na II Bienal de São Paulo em 1953. A partir dela você pode observar como a técnica – e a linguagem – dele foi se transformando. Estrela, por exemplo, ainda não tem o corte que caracterizou o trabalho de escultura dele. 

A partir de uma chapa plana, Amilcar planejava o corte. “Não tira nada e nem acrescenta. A partir de uma chapa, torce, corta, ela fica de pé. A matéria é o suporte da própria obra”, ensina Rodrigo. 

Luz 

Ao observar as esculturas de Amilcar de Castro, não deixe de prestar atenção também nos espaços vazios. E mais: concentre-se também na sombra e nos desenhos que ela projeta no chão. A impressão que se tem é que o artista sempre contou com a luz como parceira. Ou seja, a entrada da iluminação, seja solar ou artificial, complementa a escultura. 

Clique aqui e entenda o legado do artista para as artes plásticas.

Exposição Amilcar de Castro – Foto: Orlando Bento / Divulgação

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