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Entenda o legado de Amilcar de Castro para as artes plásticas

Conheça o trabalho e cinco obras marcantes do artista que celebraria 100 anos em 2020. Uma mostra está prevista em setembro para homenageá-lo

Por Thiago Fonseca *

17/06/2020 às 11:01 | *Colaborador

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Foto: Arquivo do Instituto Amilcar de Castro / Divulgação

Considerado por críticos e historiadores culturais como um dos nomes mais importantes da arte contemporânea brasileira, Amilcar de Castro (1920-2002) recebe muitas homenagens neste junho, mês seu centenário. Dezoito anos depois de sua morte, o escultor, artista plástico e designer gráfico mineiro deixou um legado para as artes plásticas e milhares de obras pelo mundo a fora. 

Legado

Nascido em 1920, em Paraisópolis, interior de Minas, fez o curso de Direito, foi designer gráfico, professor e artista plástico. “Amilcar revolucionou e criou uma nova maneira de pensar o espaço com a escultura. Depois de Michelangelo até ele, as esculturas partiam de um bloco de matéria e o artista retirava tudo que não pertencia à obra. O que Amilcar fazia era partir de uma chapa de aço plana, para ocupar o espaço tridimensional”, conta Rodrigo de Castro, artista plástico e um dos três filhos Amilcar. 

“Disparado, sem comparação, é o melhor artista contemporâneo dos tempos. Só não é a nível mundial porque nunca fez questão de promover o trabalho dele. A forma como ele via os valores é totalmente direta e simples. Deixa ainda um legado de pensamento e exemplo de pessoa”, conta o arquiteto Allen Roscoe, serralheiro de Amilcar a partir da década de 1980. Foi ele quem construiu o ateliê do artista e desenvolveu uma relação de muita amizade. 

“Amilcar coloca na história da arte uma porta aberta para as pessoas pensarem e fazerem arte de outras formas”, acrescenta Rodrigo. Além disso, foi ele quem introduziu a reforma gráfica do Jornal do Brasil na década de 1950. Feito que revolucionou o diagramação e design de jornais de todo o país. 


Trajetória 

No final da década de 1940, o artista ingressou no mundo das artes, quando começou a fazer aulas de desenho com o pintor Alberto da Veiga Guignard. “Foi lá nas aulas no Parque municipal de BH que ele começou a trabalhar com a linha e formas geométricas. O que gerou a vontade de partir de uma chapa”, relembra Rodrigo. Depois seguiu como design de jornais e revistas. 

Foi em 1951 que o artista lançou sua primeira obra. Uma estrela de cobre. Única peça da carreira feita com material. Hoje, Rodrigo contabiliza que o pai fez mais de 3500 obras. Muitas delas não foram nomeadas. “Ele sempre fazia desenho e um molde em cartolina antes de ir para o aço. Mandava fazer a obra em miniatura e me enviava para construir em tamanho real”, acrescenta Allen. 

Exposição

Para homenagear o artista, o Centro Cultural Minas Tênis Clube realizará em setembro – se a pandemia deixar – uma mostra única com quase 50 obras de Amilcar. Entre elas esculturas e pinturas. A curadoria é do Rodrigo. “Quando aceitei o convite comecei a estudar o espaço e selecionar as obras. Uma delas é uma estrela de três metros. Além de obras que nunca foram exibidas. Tem ainda pinturas e esculturas de vidro. Itens do acervo do Instituto” adianta o curador.

Conheça cinco obras importantes do trabalho de Amilcar de Castro

Estrela

Foto: Arquivo do Instituto Amilcar de Castro / Divulgação

Primeiro trabalho de Amilcar, a obra, de 1951, é uma estrela de cobre. A única peça feita com esse material. Diferente dos futuros trabalhos do artista, a escultura não tem o corte. Foi com ela que ganhou o prêmio da II Bienal de São Paulo em 1953. O item se encontra na casa de uma das filhas do artista.

Escultura em Berlim

Foto: Arquivo do Instituto Amilcar de Castro / Divulgação

A obra foi construída em 1998 para o projeto de renovação do bairro Hellersdorf, na antiga Berlim Oriental, onde se encontra até hoje. Com 8 metros de diâmetro e 24 toneladas, a escultura foi feita exclusivamente de aço. 

Gigante Dobrada

Foto: Mube Digital / Divulgação

Criada em 2001, a obra, exposta no Inhotim, é um dos exemplares mais relevantes da produção do artista. Segundo consta no material explicativo do museu, a “escultura convida o espectador a explorar sua relação entre interioridade e exterioridade, descobrindo com o corpo a fascinante simplicidade de sua construção”. Ela tem quase seis metros de altura e forma dois triângulos. 

Escultura no MAM Rio

Foto: Arquivo do Instituto Amilcar de Castro / Divulgação

Sem nome, a obra foi criada em 1960. Uma peça irregular, que impressiona pela forma. Com cinco metros de altura e está exposta no Museu de Arte Moderna do Rio. Foi uma das únicas que sobreviveu ao incêndio que tomou conta do lugar em 8 de julho de 1978. Como foi danificada, Amilcar fez outra idêntica e doou ao espaço. 

Escultura na Praça da Sé

Foto: Arquivo do Instituto Amilcar de Castro / Divulgação

Localizada no Jardim das Esculturas, na praça da Sé, em São Paulo, a obra que não tem nome, de 1979, foi feita em aço corten e tem mais de três metros de altura. Segundo Amilcar, a escultura “é a descoberta da forma do silêncio onde a luz guarda a sombra e comove”. 

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