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Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Parcerias na música: feat como estratégia artística e de audiência

No Sensacional, foram promovidos encontros entre Emicida e Pabllo Vittar, Duda Beat e Gaby Amarantos e muitos outros

Por Jaiane Souza *

09/02/2020 às 12:11 | * Escreveu com a supervisão de Carolina Braga

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Liniker e os Caramelows convidou Johnny Hooker para dividir o palco no Sensacional Foto: Denise Santos /Área de Serviço

O festival S.E.N.S.A.C.I.O.N.A.L! comemorou os 10 anos de realização em grande estilo. Mais de 40 artistas passaram pelos três palcos durante uma festa de 12 horas. O destaque foi para os encontros e parcerias. Confira aqui a nossa cobertura do festival. Ao todo, 11 artistas dividiram o palco com colegas até mesmo de estilos muito diferentes. Tais parcerias são conhecidas como feat, uma abreviação de featuring. O termo, originalmente inglês, designa justamente o encontro entre dois ou mais artistas em um projeto.

Sendo assim, no line-up do Sensacional teve Emicida com Pabllo Vittar, Duda Beat com Gaby Amarantos, Liniker e os Caramelows com Johnny Hooker e Elba Ramalho convida Chico César. A cena local não ficou de fora. Teve Nath Rodrigues convidando Júlia Branco e Graveola com participação especial Chama o Síndico e Então, Brilha!. Esse último encontro foi em total ritmo de carnaval e deixou todo mundo com energia de folia.

Entretanto, não é de hoje que as parcerias musicais desse tipo são promovidas por gravadoras e eventos da área. Os artistas e empresários usam esta possibilidade como estratégia de projeção, para promover encontros entre gerações e estilos diferentes e para conversar com públicos diversos. Bem, como sempre o que interessa é a relação com a plateia, perguntamos quem foi ao Sensacional: e aí, o que você acha do feat? As opiniões foram diversas, passando por questões mercadológicas, culturais e aproveitamento de oportunidades.

 

encontros na música

Emicida e Pabllo Vittar
Foto: Bruno Figueiredo / Área de Serviço

 

Audiência

Desde sempre os feats existem, mas foi possível observar uma ascensão dessa tática a partir de 2018. Dados divulgados pelo Spotify mostraram que o pico de parceria entre artistas se deu naquele ano. Apenas entre janeiro e julho, 32 feats apareceram no top 100, de acordo com as ferramentas de monitoramento do Spotify. Veja a matéria completa no G1 com avaliação de especialistas.

A aparição dessas músicas entre as 100 mais tocadas no Brasil tem um motivo muito claro. Os fãs de ambos os artistas reproduzem as canções, ou seja, audiência em dobro para a faixa. Tal pensamento é compartilhado por Marcelo Megale. Ele é colunista de música em BH e escreve sobre artistas locais e em ascensão.

“Eu acredito que as colaborações são uma ótima oportunidade para os artistas aumentarem a sua visibilidade e alcançarem mais público”, explica. Ele também acredita nos resultados que as parcerias podem render. “Toda união artística pode resultar em uma música incrível, como é o caso das parcerias entre o Djonga e Rosa Neon, Pabllo Vittar e Emicida e entre outros vários feats marcantes que foram lançados nos últimos anos. De uma forma geral, a união de forças artísticas sempre tem um saldo positivo, seja para os artistas envolvidos ou para os fãs. Todo mundo sai ganhando quando duas ou mais vozes se juntam pela música”, pontua.

 

Elba Ramalho e Chico César
Foto: Victor Swchaner /Área de Serviço

Estratégia mercadológica

Letícia Finamore é fã de grandes eventos com vários artistas. Ela relativiza a ideia de que os feats sejam uma estratégia unicamente para ganhar dinheiro. “Eu não penso nos feats como uma coisa comercial na verdade, vejo uma oportunidade de unir artistas que geralmente já tem algum trabalho em comum, como é o caso da Pabllo com Emicida”. Por outro lado, a estudante também destaca as misturas “inusitadas” que viu no Sensacional. “Biltre e Letrux, por exemplo, foi uma mistura engraçada, porque inicialmente eu não vejo um ponto em comum entre eles, mas o show ficou incrível”.

Biltre é uma banda carioca fundada em 2011 por Arthur Ferreira, Claudio Serrano, Diogo Furieri, Pablo Tupinambá e Vicente Coelho. No começo, ficou conhecida por fazer música por meio de trocas de arquivos via internet e também pelos encontros criativos. Já Letrux é o projeto autoral da cantora carioca Letícia Novaes.

Pedro Damas ficou a maior parte do tempo no palco Zuur Gin do Sensacional, no qual foram realizados quatro dos 11 encontros. “Eu acredito que seja uma ótima forma de apresentar conteúdo de maneira diferenciada da que já conhecemos daquele artista principal”, comenta. “Além disso, é bom para diversificar o número de atrações e estilos apresentados no mesmo evento, porque é possível que se apresente conteúdo único e que se atenda uma necessidade de atrações exclusivas. Isso pode servir de motivação para as pessoas irem”, conclui.

Opinião de quem faz

Chico César dividiu o palco com Elba Ramalho e revelou que isso faz parte da realização de um sonho. Sempre compôs pensando em suas músicas na voz de Elba ou em uma parceria com a artista. Hoje, realiza o sonho de, além de cantar com ela, ter músicas gravadas pela cantora.

Em relação aos feats, ele explica que “as parcerias se dão por uma questão de identidade, de um artista com outro artista. Dificilmente você vai se juntar com uma pessoa que não tem nada a ver com você”, destaca. Ainda de acordo com o cantor e compositor paraibano, as pessoas se unem e isso faz com que a música seja mais forte.

Para justificar a opinião, ainda citou, por exemplo, Vinicius de Moraes. O poeta dizia que “a música é a arte do encontro”. Em resumo, foi de fato o que se deu na oitava edição do Festival Sensacional. Um encontro múltiplo. De estilos iguais e diferentes e de artistas com distintos discursos e pensamentos.

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