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Livro revela os bastidores da franquia Pânico
“Pânico: o legado do grito” disseca franquia que acaba de ganhar novo capítulo nos cinemas
Pânico 7 - Créditos: Spyglass Media Group
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“Pânico: o legado do grito” disseca franquia que acaba de ganhar novo capítulo nos cinemas
Pânico 7 - Créditos: Spyglass Media Group
Por Gabriel Pinheiro | Colunista de Literatura
“Qual é o seu filme de terror favorito?”
Há quase 30 anos, essa pergunta entrou para o vocabulário da cultura pop para nunca mais sair. Um dos maiores nomes do terror norte-americano e um jovem roteirista em início de carreira transformaram o gênero slasher em 1996. Juntos, reinterpretaram, à luz de um novo tempo e de uma nova geração, as regras e os clichês que fizeram desse subgênero um dos mais queridos pelos fãs de horror. Mesmo que o slasher tenha sofrido certa queda de popularidade na primeira metade dos anos 1990.
Mas tudo mudou com Pânico, verdadeiro clássico daquela década, dirigido por Wes Craven e roteirizado por Kevin Williamson. O filme e suas continuações são o tema de “Pânico: o legado do grito”, livro de Padraic Maroney, publicado pela Darkside, que disseca esse cânone do terror contemporâneo.
A franquia segue forte – com o público e a crítica – e acaba de voltar aos cinemas com um novo capítulo, Pânico 7. O novo longa marca alguns retornos importantes. Sobretudo do seu clássico roteirista – que neste novo volume também ocupa a direção – Kevin Williamson, e sua protagonista, Neve Campbell, ausente no sexto filme.
Pânico extrapolou todas as expectativas para um slasher lançado em 1996. De estreia relativamente modesta — terceiro lugar nas bilheterias norte-americanas em seu primeiro fim de semana —, o longa de Craven alcançou um feito singular. O slasher cresceu nas bilheterias a partir do boca a boca de seus espectadores. Padraic Maroney lança luz sobre a época e a geração que viu o nascimento de Ghostface. Esse vilão de humor sádico, olhar mordaz e, sobretudo, um profundo conhecimento do próprio gênero no qual se insere. Esse é um dos segredos de Pânico: seu antagonista, assim como boa parte das vítimas, ama o cinema de terror tanto quanto o público.
Em certa medida, Pânico capturou o zeitgeist – o espírito de uma época – de toda uma geração, revitalizando um gênero e, a partir de então, influenciando uma série de produções que vieram na esteira de seu sucesso.
Em um trabalho de pesquisa detalhado, o autor nos transporta, assim, para a segunda metade da década de 1990 por meio de depoimentos do elenco e da equipe técnica da obra-prima de Wes Craven, mergulhando nas origens da história, no processo criativo, nos turbulentos bastidores e no sucesso inesperado – e oportuno.
Dessa forma, um dos pontos altos do livro está justamente nas revelações de bastidores. Especialmente quando investiga a turbulenta relação entre os irmãos Weinstein – Bob e Harvey – e Craven, Williamson e outros membros das equipes técnicas dos filmes.
Produtores executivos de Pânico e de suas três continuações dirigidas por Wes Craven, os Weinstein viram seu império e sua influência ruírem com o movimento #MeToo e as denúncias de assédio e abuso sexual que vieram à tona. O livro evidencia o poder quase ilimitado que os irmãos exerciam no período e como essa dinâmica atravessava as relações entre produtores, diretor e roteirista.
Se não fosse Pânico, o cinema de terror contemporâneo, quase 30 anos depois, provavelmente não seria o mesmo.

Encontre “Pânico: o legado do grito ” aqui.
Gabriel Pinheiro é jornalista e crítico de literatura. Escreve aqui no Culturadoria e também em seu Instagram: @tgpgabriel.
Publicado por tgpgabriel
Publicado em 26/02/26