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Oswald de Andrade: curiosidades sobre o expoente do modernismo

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No centenário da Semana de 22, revisitamos a trajetória e a obra de Oswald de Andrade, um dos  líderes do movimento modernista brasileiro

Por Carlos Eduardo Rodrigues | Culturador

Ah se não fosse o Oswald de Andrade… será que teríamos tido a Semana de Arte Moderna de 1922? Bem provável que não. Romancista, jornalista, poeta, dramaturgo e ensaísta, ele foi um dos agitadores do movimento centenário. Dizem os livros que foi quem depois de uma temporada na Europa, voltou ao Brasil com a inquetação. Afinal, o que caracteriza a arte brasileira? Ou seja, em resumo, foi a partir daí que tudo começou.

Além disso, é autor do Manifesto Antropófago (1928), que sintetizou boa parte do pensamento de quem participou da semana. A obra é o pilar teórico do movimento modernista que pretendia debater a dependência cultural do Brasil.

Na série sobre os artistas que fizeram parte da Semana de Arte Moderna, hoje apresentamos aqui algumas curiosidades sobre Oswald de Andrade.

TRAJETÓRIA

Herdeiro de uma família latifundiária e aristocrata, Oswald dedicou-se à literatura desde a juventude. Formou-se em direito mas começou a carreira no jornalismo no Diário Popular, em 1909. Dois anos depois, fundou o próprio jornal, o semanário “O Pirralho”. Em 1916, lançou o livro de estreia, escrito em francês, em parceria com Guilherme de Almeida. Em 1920, fundou com Menotti Del Picchia, a revista “Papel e Tinta”. Entre os colaboradores, estavam intelectuais da vanguarda modernista, como Di Cavalcanti.

Em 1922, foi um dos organizadores da Semana de Arte Moderna. Sob vaias do público, leu trechos do romance “Os Condenados”, mais tarde publicado com o nome de “Alma”. Dois anos depois, defendeu a originalidade nativa no “Manifesto da Poesia Pau-Brasil”. O propósito de promover uma ruptura consolida-se na prosa e na poesia, na primeira fase do modernismo.

Em 1928, cria o movimento antropofágico, com um manifesto divulgado pela Revista de Antropofagia. Na década seguinte, em 1931, envolve-se com a política, filiando-se ao Partido Comunista Brasileiro. Desde esse período, passa a espelhar o posicionamento político nas obras. Em 1945, rompe com o partido e volta a publicar sobre ideias antropofágicas.

OBRAS

Entre as principais obras de Oswald de Andrade, como dito acima, está o “Manifesto Antropófago” de 1928. Mas além dessa publicação, outras obras dele destacam-se. São elas: a prosa “Memórias Sentimentais de João Miramar” (1924) e o livro de poesia “Pau-Brasil” (1925).

De acordo com os críticos, em “Memórias Sentimentais de João Miramar” Oswald de Andrade inaugura a prosa modernista brasileira. Além disso, o texto do livro destaca-se pelo ataque à cultura bacharelesca e ao movimento parnasianista. O livro é narrado pelo personagem título, filho da burguesia, reconstruindo fatos marcantes de sua história.

Já em “Pau-Brasil”, Oswald de Andrade estreou na poesia. O livro é considerado um dos mais importantes do modernismo brasileiro. Isso porque carrega inovações de linguagem para a época. Na obra, os poemas aproximam-se da língua falada. A proposta é uma linguagem avessa a modelos e convenções.

MANIFESTO ANTROPÓFAGO

Em “Manifesto Antropófago”, obra-prima de Oswald de Andrade, a linguagem metafórica é explorada com poesia e humor. O objetivo era repensar a questão da dependência cultural do país. Segundo os críticos, o texto tinha influência da recém descoberta psicanálise de Sigmund Freud e do pensamento de Karl Max. Além disso, realçava a contradição da formação cultural brasileira. 

PAGU E TARSILA DO AMARAL

Entre 1926 e 1929, Oswald de Andrade foi casado com Tarsila do Amaral. Como na época a separação não era permitida, Tarsila preciou utilizar do prestígio familiar para para anular o casamento anterior. O motivo do desquite, era que o marido, o médico André Teixeira Pinto, de visão conservadora, impedia o seu desenvolvimento artístico. Após a anulação, Tarsila casou-se com Oswald de Andrade, em 1926. A aliança entre os dois teve grande influência no lançamento do “Manifesto Antropófago”, em 1928.

Depois, em 1930, Oswald assumiu o relacionamento e se casou com Pagu. Na verdade, o romance começou ainda durante o casamento com Tarsila. Nada deles parecia muito convencional. A celebração do matrimônio, por exemplo, foi realizada dentro do Cemitério da Consolação, em São Paulo.

LEGADO

O principal legado deixado pelo movimento modernista foi romper com o status quo vigente da época. Ou seja, aquele representado pelo Parnasianismo, o Simbolismo e a Arte Acadêmica. O objetivo era, então, “devorar” a cultura estrangeira, para o surgimento de um movimento cultural revolucionário genuinamente brasileiro.

Foto de Oswald de Andrade pintada por Tarsila do Amaral. Crédito: Itaú Cultural/ Rômulo Fialdini
Foto de Oswald de Andrade pintada por Tarsila do Amaral. Crédito: Itaú Cultural/ Rômulo Fialdini

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