Helena Ignez nunca ocupou o lugar convencional reservado às musas do cinema. Atriz, diretora e cineasta, ela construiu uma trajetória marcada pela experimentação, pela liberdade artística e pela recusa a papéis femininos limitados. Essa perspectiva orienta a nova Ocupação do Itaú Cultural, aberta ao público em São Paulo.
A mostra apresenta Helena como uma “antimusa”. Assim, em vez de destacar apenas sua imagem diante das câmeras, a exposição concentra o olhar em sua produção, em suas escolhas e em sua participação ativa na criação cinematográfica e teatral.
Aos 87 anos, Helena segue trabalhando nos palcos e nos sets de filmagem. Além disso, torna-se a primeira cineasta mulher homenageada pelo programa Ocupação, criado pelo Itaú Cultural para apresentar trajetórias importantes da cultura brasileira.
A exposição não segue uma ordem cronológica tradicional. A narrativa é conduzida em primeira pessoa, com a voz da própria artista, imagens de seu corpo em cena, documentos, fotografias, vídeos, instalações e materiais de diferentes momentos de sua carreira.
“Helena atravessa a história do cinema e do teatro modernos no Brasil, passando pelos períodos centrais do Cinema Novo, da Belair e da experimentação radical”, observa André Furtado, gerente de Criação e Plataformas. “Ela é uma pessoa em constante reinvenção e, aos 87 anos, segue nessa trilha, firme e altamente criativa”, completa.
O percurso começa com uma experiência imersiva. Um áudio de Helena conduz o público, enquanto uma projeção reúne trechos de suas atuações. O corpo aparece como linguagem, enquanto a ação cênica assume também uma dimensão política.
Uma personagem contra as convenções
Um dos eixos centrais da Ocupação é dedicado ao filme A mulher de todos, de 1969. Na obra, Helena interpreta Ângela Carne e Osso, personagem irreverente que subverte papéis de gênero em plena ditadura.
A exposição reúne frames, vídeos, cartazes e trechos da cópia restaurada do filme. A personagem ocupa lugar importante na construção da imagem de Helena como antimusa, já que rompe com o comportamento esperado das mulheres no cinema daquele período.
Outro núcleo apresenta a experiência da produtora Belair. Em 1970, Helena trabalhou com Rogério Sganzerla e Júlio Bressane em um período de intensa produção. O grupo realizou seis longas-metragens em poucos meses. No entanto, a repressão interrompeu o trabalho e levou os artistas ao exílio.
A mostra reúne materiais de Carnaval na lama, Copacabana mon amour, Sem essa aranha, Cuidado madame, Barão Olavo, o horrível e A família do barulho. Também apresenta um documento no qual Helena se posiciona contra a censura.
O percurso destaca ainda sua atuação no teatro, menos conhecida pelo grande público. Fotos, programas, críticas e documentos revelam trabalhos como atriz e diretora. Recentemente, ela integrou o elenco de Fim de partida, de Samuel Beckett.
Como diretora, Helena aparece por meio de roteiros, cadernos e bastidores de obras como A alegria é a prova dos nove, Luz nas trevas – a volta do Bandido da Luz Vermelha e Fakir.
A programação inclui ainda uma retrospectiva com 22 filmes na plataforma gratuita Itaú Cultural Play, além de sessões presenciais e da remontagem da peça Savannah Bay.
Serviço
Ocupação Helena Ignez
Abertura: 22 de julho de 2026, às 19h30
Visitação: até 18 de setembro de 2026
Horários: terças-feiras a sábados, das 11h às 20h; domingos e feriados, das 11h às 19h
Local: Itaú Cultural – Piso 2
Endereço: Avenida Paulista, 149, próximo à estação Brigadeiro do metrô
Entrada gratuita
Mais informações: Itaú Cultural
Participe do nosso canal no Whatsapp e receba as novidades em primeira mão!
QUERO PARTICIPAR
Publicado por juniodecarvalho
Publicado em 22/07/26
Compartilhar nos Stories