O Cine Santa Tereza recebe no dia 7 de maio a estreia de “A menina que queria ser pedra”, novo filme do artista visual, cineasta e músico Jackson Abacatu. A obra marca uma nova etapa na trajetória do diretor mineiro, que soma cerca de duas décadas de atuação nas artes e no audiovisual.
Com duração de 9 minutos, o curta-metragem une literatura, animação e matéria. Além disso, apresenta uma linguagem visual rara, construída a partir de páginas de livros antigos. O resultado aproxima texto, imagem e suporte físico em uma experiência de cinema marcada por camadas, texturas e ritmo contemplativo.
Livros antigos viram imagem em movimento
No processo de criação, Abacatu utiliza páginas de livros antigos como base para a animação. Primeiro, cada movimento é desenvolvido em 2D. Depois, as imagens são projetadas e pintadas manualmente sobre o papel com nanquim.
Em seguida, os livros são organizados em diferentes posições, tamanhos e camadas. As composições podem reunir de um a vários livros ao mesmo tempo. Por fim, cada arranjo físico é capturado em sequência, formando a animação.
Dessa forma, o filme constrói uma estética quase tátil. As palavras impressas permanecem visíveis, enquanto os desenhos se movem sobre elas. Assim, literatura e imagem passam a dividir o mesmo espaço visual.
O projeto nasceu de um conto escrito pelo próprio diretor, influenciado pelas leituras do escritor Walter Hugo Mãe. A obra também dialoga com artistas visuais como William Kentridge e Ekaterina Panikanova, que exploram relações entre desenho, tempo e suporte físico.
Na narrativa, um menino curioso e uma menina serena se encontram à beira de um lago. A partir desse encontro, surgem reflexões sutis sobre vida, percepção, tempo e transformação.
O tempo da pedra
Mais do que contar uma história, “A menina que queria ser pedra” propõe uma experiência sensorial. Em um contexto de consumo acelerado de conteúdo e atenção fragmentada, o filme convida o público a desacelerar o olhar.
A pedra aparece como símbolo central. Ela representa permanência, silêncio e outro ritmo de existência. Com isso, a obra sugere uma pausa diante da velocidade cotidiana.
A trilha sonora também acompanha essa proposta. O filme incorpora uma marimba de pedra, ou litofone, construída pelo próprio diretor. Piano e handpan completam a atmosfera sonora leve e imersiva.
Em 2026, Jackson Abacatu completa 20 anos de carreira. Formado em Cinema de Animação e Escultura pela Escola de Belas Artes da UFMG, ele dirigiu 18 curtas-metragens e 18 videoclipes, além de lançar dois álbuns autorais.
Sua produção transita por técnicas como recorte, 2D tradicional, stop motion, animação em areia e pintura em vidro. Como parte das celebrações, o artista será homenageado com uma retrospectiva na 24ª MUMIA – Mostra Udigrudi Mundial de Animação, em dezembro de 2026.
Sinopse: Um menino curioso e uma menina serena se encontram à beira de um lago. Ali surgem reflexões sobre a vida, de forma sutil e inesperada. Afinal, o que é ser uma pedra?
Aprecie ao trailer
Serviço
Filme: A menina que queria ser pedra – Jackson Abacatu Estreia: 07 de maio Local: Cine Santa Tereza (Belo Horizonte/MG) Entrada gratuita, com ingressos pela Sympla. Mais informações no site abacatu.com.
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