Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Curiosidades sobre Noturno, o 35º disco de Maria Bethânia

Lançado no dia 30 de julho, o disco foi produzido por Jorge Helder, com direção musical e arranjos de Letieres Leite
Maria Bethânia. Foto: Murilo Alvesso/Divulgação

É curioso como muitos álbuns lançados neste período pandêmico refletem a energia deste momento estranho. Foi o que senti ouvindo Noturno, o 35º álbum da carreira de Maria Bethânia que chegou ao streaming no dia 30 de julho de 2021. Ele é, em geral, minimalista. Voz e violão, voz e piano, assim, em duplas, a cantora vai preenchendo os vazios com o marcante timbre. Em resumo: não deixe de ouvir e de tirar as suas próprias conclusões.

Um disco rápido e curto

Noturno foi gravado em duas semanas e meia. Sendo assim, a escolha por arranjos de voz e um instrumento (piano ou violão) foi, na verdade, uma solução para a realização durante a pandemia. São apenas 12 canções e 37 minutos. Para se ter uma ideia, Brasileirinho (2015) teve 27 músicas e 1h26. Meus quintais (2014), tem 42 minutos. Mas não é o menor: Tua, de 2013, tem 11 músicas e também 37 minutos. 

Capa minimalista

A capa de Noturno foi duramente criticada justamente por ser minimalista. Realmente ela destoa quando vista em perspectiva em meio a todas as outras. Na enorme discografia de Maria Bethânia é o único disco que não é ilustrado por uma foto dela ou uma foto imagem. Neste texto, Mauro Ferreira faz conexão com o álbum branco dos Beatles.

Samba pede passagem

Ao longo da carreira, Bethânia sempre manteve proximidade com o samba. Tanto que gravou um disco com Zeca Pagodinho. Sendo assim, o encontro com Xande de Pilares faz sentido. É a faixa mais “alegre” de Noturno. Detalhe: também a única participação especial do disco. 

Do escuro para o claro

Maria Bethânia não se cansa de dizer que é cria do teatro. Noturno nasce depois do show Claros Breus. Na versão ao vivo, por exemplo, o repertório seguiu uma curva dramatúrgica do claro para o escuro. Já no disco é o contrário. Ela começa bem sóbria em Bar da noite e faixa a faixa o clima geral vai mudando terminando com o poema Uma pequenina Luz. Bem simbólico, né! 

O que diz a crítica?

“Não há como negar: Noturno é brilhante.” É assim que o crítico Pedro João, do site Monkeybuzz. Ele não está sozinho na onda de elogios. Mauro Ferreira, do G1, escreve que “Tudo ainda parece treva no Brasil de 2021, mas, no meio de nós, uma grandiosa luz brilha, irradiada por Noturno, álbum iluminado pela magnitude do canto de Maria Bethânia.” E agora o confira o que disse Pedro Antunes (amo os textos dele!): “O canto de Bethânia aproxima o que é desespero e o que é esperança ao longo de “Noturno”.

Foto: Tomás Rangel

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