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MAMU colore o Canão no Aglomerado da Serra em BH

Intervenção artística transforma ponto simbólico em mural e reforça a identidade cultural da comunidade.

Foto: Lucas Mota

O MAMU (Morro Arte Mural) chega a um dos pontos mais emblemáticos do Aglomerado da Serra, em Belo Horizonte. Entre os dias 5 e 7 de setembro, artistas locais realizam a pintura do Canão, localizado na avenida Mem de Sá.

O espaço, que transporta água do Rio das Velhas até o reservatório do bairro São Lucas, é visto pelos moradores como portal espiritual e referência cultural.

Além da pintura, a programação inclui oficina de pintura infantil com Raquel Bolinho, apresentação do grupo de teatro Coletivandu e outras atrações culturais.

Canão: símbolo e identidade

Mais do que tubulação de água, o Canão é ícone para a comunidade. Ele marca a entrada do território e é referência para quem mora na região.

“Normalmente o morador diz: eu moro antes ou depois do Canão”, explica a diretora criativa do MAMU, Fatini Forbeck. Para ela, o local  carrega memória coletiva.

O Canão também está presente em festas como o Carnaval, quando blocos como Seu Vizinho e WS da Igrejinha passam pelo espaço. Agora, ganha cor com a pintura do MAMU, reforçando seu papel simbólico e cultural.

Tema: Águas da Serra

A edição 2025 do projeto traz como tema “Águas da Serra”. A escolha reflete a importância dos mananciais locais, fundamentais para a história e abastecimento de Belo Horizonte.

“A cidade cresceu muitas vezes de costas para seus rios. O projeto propõe um reencontro poético e cultural com essas águas originárias”, destaca Juliana Flores, diretora artística do MAMU.

Moradores lembram de tempos em que a água era buscada diretamente das fontes, cada uma com função específica, como lavar roupa ou cozinhar. Essas memórias também ganham espaço na narrativa do mural.

Comunidade como protagonista

O MAMU valoriza o protagonismo da comunidade. Nesta edição, o mural terá vista para a Praça do Cardoso, priorizando os próprios moradores. Além disso, 50% da equipe são profissionais do Aglomerado da Serra.

As decisões passam pelo aval dos moradores, que participam desde reuniões e mobilização até o preparo das casas. O projeto reforça laços, fomenta a economia local e dá visibilidade às expressões artísticas da região.

Arte de Jorge dos Anjos

O desenho do mural é de Jorge dos Anjos, renomado artista mineiro com obras em Belo Horizonte, Salvador e São Paulo. Sua produção transita entre escultura, pintura e instalações, sempre marcada pela ancestralidade afro-brasileira.

Mesmo com a topografia íngreme, que limitou o número de casas pintadas de 40 para 34, o projeto se adapta ao relevo e transforma o desafio em parte do legado.

Com essa intervenção, o Canão se reafirma como marco cultural, histórico e espiritual do Aglomerado da Serra, agora ainda mais colorido e vivo.

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Publicado por Adriane Assis

Publicado em 04/09/25

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