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Mães Paralelas: as impressões sobre o novo – e excelente – filme de Almodóvar

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Novo filme do diretor espanhol, Mães Paralelas tem Penélope Cruz em um dos melhores papéis da carreira

Por Carol Braga | Editora

Se as cores de Almodóvar já foram cantadas a quatro ventos como uma das fortes características do diretor, Penélope Cruz já pode entrar nesse pacote também. E com louvor. Mães Paralelas, o novo filme do cineasta espanhol, não apenas coroa a parceria entre eles como também apresenta uma personagem extremamente madura. Dessas que, realmente, servem de inspiração. 

Milena Smit e Penelope Cruz em Mães paralelas : Foto: El Deseo
Milena Smit e Penelope Cruz em Mães paralelas : Foto: El Deseo

Mas o valor de Mães Paralelas, vai além disso. O roteiro – e a respectiva realização – confirmam o talento de Almodóvar para tecer juntos temas que são aparentemente distantes. Sendo assim, podemos dizer que Mães Paralelas é um filme político. Primeiramente, de maneira mais explícita, porque revisita heranças da ditadura franquista na Espanha. Mas, além disso, é feminista. Contemporaneamente feminista.

Trama

Janis (Penélope Cruz) é uma fotógrafa bem sucedida. Engravida em uma noite de sexo casual e, na maternidade, conhece a jovem Ana (Milena Smit) de 17 anos. A partir desse encontro de gerações, Almodóvar fala sobre ancestralidade, memória, apagamento histórico, a relação dos jovens com o passado, maternidade, sexualidade, diferenças de classe social. 

Sim, cabe tudo isso e ainda diversas guinadas no roteiro. E mais: com tintas carregadas do melodrama.

Cores

Como a direção de arte nos filmes do cineasta são sempre um caso à parte, em alguns momentos de Mães Paralelas, a atmosfera pode parecer um tanto quanto forçada. Quem conhece a linguagem dele, sabe que é proposital. Na interpretação também parece haver quase um tom teatral, que também combina com o todo.

Embora Penélope Cruz seja o grande destaque, também como sempre, o elenco feminino. Rosy de Paula, outra colaboradora frequente do diretor, interpreta Elena. Traz, como sempre, o tempero do humor. A jovem Milena Smit como Ana também merece a nossa atenção. 

Dicas

Se ainda não viu, aproveite para prestar atenção nas sutilezas. As camadas de significados aparecem por toda parte. Explicitamente, por exemplo, está na camiseta de Janis. Mas até o vento que sacode a cortina tem mensagem. E mesmo a fala da personagem que se diz apolítica em um filme político.

Lembrete: Pedro Almodóvar é craque em melodrama. Ou seja, agrada ainda mais quem curte um novelão. Mas, é importante ressaltar, isso não significa que não existam discussões relevantes para os nossos dias. É como se ele dourasse a pílula dos temas importantes que quer acessar.

Mães Paralelas é uma história complexa mas que, contada com simplicidade, faz deste um dos melhores filmes tanto da carreira do diretor como também da protagonista. Com Mães Paralelas Pedro Almodóvar prova que para ser político, contemporâneo e consistente não precisa ser difícil. O que precisa é chegar até o espectador. As reflexões, no caso, ficam por conta de cada um.

Mães Paralelas. Foto: El Deseo 2
Mães Paralelas. Foto: El Deseo

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