Literatura
Santa Efigênia ganha livro da coleção “BH de cada um”
Obra de Rosaly Senra retrata memórias, personagens e histórias do bairro berço militar e reduto cultural da capital mineira.
Foto: Álvaro Starling
Literatura
Obra de Rosaly Senra retrata memórias, personagens e histórias do bairro berço militar e reduto cultural da capital mineira.
Foto: Álvaro Starling
Entre as ruas Tenente Garro, Major Barbosa e Tenente Anastácio de Moura, a escritora Rosaly Senra descobriu o sentido de pertencer. Foi ali, no Santa Efigênia, que ela começou sua história com Belo Horizonte. Décadas depois, essas lembranças viraram livro. “Santa Efigênia” será lançado no dia 8 de novembro, sábado, às 10h, na Made in Beagá, pela Conceito Editorial.
Fundado no fim do século XIX, o bairro nasceu para abrigar militares e cresceu como território de arte e educação. “É um bairro que teve origem militar, com a Igreja de Santa Efigênia dos Militares e o Quartel do Primeiro Batalhão. Mas produziu espaços de cultura potentes, como a Praça Floriano Peixoto e o Grupo Escolar Pedro II. É um bairro vivo, essencial para a vida da cidade”, diz Rosaly.
O livro costura relatos e lembranças de moradores, revelando um Santa Efigênia que se transforma sem perder sua identidade. O antigo Hospital Militar virou o Espaço Luiz Estrela. A Avenida dos Andradas substituiu os terrenos vazios. E o prédio que abrigou a Moradia Estudantil Borges da Costa hoje integra o Complexo Hospitalar da UFMG.
O Quilombo Manzo Ngunzo Kaiango, fundado por Mãe Efigênia na década de 1970, segue como símbolo de resistência cultural e ambiental.
O livro recupera trajetórias de figuras que marcaram o bairro e a cidade. O livreiro Amadeu, criador do primeiro sebo de BH, o músico Célio Balona, parceiro de Milton Nascimento e Wagner Tiso, e o cantor Agnaldo Timóteo são alguns dos nomes citados. Também estão ali o flautista Sebastião Viana e o poeta Affonso Romano de Sant’Anna, que viveu em Santa Efigênia na juventude.
Rosaly entrevistou Dona Elza de Moura, educadora e ex-diretora da Escola Modelo, discípula de Helena Antipoff. “Ela tinha a memória intacta e lembrava de cada detalhe do bairro. É importante resgatar essas histórias de pertencimento. Elas nos conectam”, afirma a autora.
Entre os personagens anônimos, destacam-se a Turma do Siliba, grupo de amigos que se reunia há décadas no bar do Hélio Berberick, e o enigmático Conde Belamorte, barbeiro e poeta que dormia em um caixão e se tornou figura lendária. “Ele era um homem brilhante, poliglota e sensível, que escrevia poemas sobre o amor e a morte”, lembra Rosaly.
Com 160 páginas, “Santa Efigênia” revisita a memória afetiva de Belo Horizonte, iluminando o protagonismo do bairro como berço de expressões culturais e sociais.
Lançamento do livro “Santa Efigênia”
Autora: Rosaly Senra.
Coleção: “BH. A cidade de cada um” (Conceito Editorial).
Data: 8/11 (sábado), às 10h.
Local: Made in Beagá – Avenida Brasil, 305, Santa Efigênia.
Entrada gratuita.
Mais informações no site BH de cada um.
Publicado por Floriano Comunicação
Publicado em 29/10/25