CinemaGratuito
‘No Rugir do Leão’ lança retrato de um matriarcado
Curta gratuito apresenta a trajetória de Nengua Monange e a força do candomblé congo-angola em BH
Nengua Monasanje | Foto: Leonardo Rocha
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Curta gratuito apresenta a trajetória de Nengua Monange e a força do candomblé congo-angola em BH
Nengua Monasanje | Foto: Leonardo Rocha
O curta No Rugir do Leão: a história de um matriarcado ganha sessão gratuita no dia 21 de novembro, às 20h, na sede da comunidade Nzó Jindanji Kuna N’kosi, no bairro Concórdia. O lançamento marca um momento simbólico para o candomblé congo-angola em Belo Horizonte, já que o filme registra a trajetória de Nengua Monange, liderança central na preservação e transmissão da tradição na cidade.
Com 40 minutos, o curta reconstrói o caminho religioso da matriarca. Ela revisita seu início na Cabana Senhora da Glória (Nzo Kuna Nkosi), onde se iniciou em 1987 pelas mãos de Tatetu Nepanji, ao lado da mãe carnal, Makota Ojibande. As duas caminharam juntas por décadas, até o falecimento de Makota Ojibande aos 97 anos, em 2023. Reconhecidas como Mestras da Cultura Popular de Belo Horizonte em 2024, ambas recebem destaque na obra, que é dedicada in memoriam à matriarca.
Ao longo do filme, Nengua Monange narra os desafios e os aprendizados que marcaram sua jornada. Ela fala da fase como muzenza, dos sete anos até tornar-se Kota e da conquista do cargo de Nengua Makula em 2012. Também relembra a fundação da Nzó Jindanji Kuna N’kosi, em 2017, construída com esforço coletivo em meio às demandas do contexto urbano. Oito anos após a criação do terreiro, a líder celebra avanços, reconhecimentos e a consolidação de uma comunidade que segue firme em sua prática.
“Poder contar minha história e ser homenageada com este filme é um privilégio para mim. Ver tanta gente importante na minha trajetória juntas e ver minha comunidade alcançando essas conquistas me emociona muito. Espero que o filme possa tocar a todos”, afirma Nengua Monange.
Depoimentos de irmãs e irmãos de santo, como Kota Neduange, Tata Kamus’ende e Kota MonaKai, ampliam a narrativa. Filhos e filhas de santo também participam, destacando como a presença da matriarca transformou percursos e fortaleceu identidades.
Dirigido por Andréia Roseno (Makota Kinanjenu), o curta reúne diferentes gerações do terreiro. A cineasta enfatiza o processo coletivo: “O Rugir do Leão foi nosso primeiro experimento cinematográfico e documental, de uma comunidade nova, mas assentada em pilares antigos.”
A codireção é dividida entre Isabela Tavares (Muzenza Mazamenso), Josué Gomes (Muzenza Bandalekongo) e Lorena Vieira (Muzenza Pokoamaza). Para Josué, registrar a história da matriarca é um gesto político: “Falar sobre essa liderança é salvaguardar os saberes da tradição que resistem ao racismo religioso e ao apagamento histórico.”
A sessão celebra uma trajetória marcada por força, memória e continuidade. O encontro reforça o papel da Nzó Jindanji Kuna N’kosi na preservação das narrativas ancestrais que sustentam a comunidade.
Lançamento do curta No Rugir do Leão: a história de um matriarcado
Data: 21/11, sexta-feira.
Horário: 20h.
Local: Sede da Nzó Jindanji Kuna N’kosi.
Endereço: Rua Iguaçu, 261 – Bairro Concórdia, Belo Horizonte – MG.
Entrada: Gratuita.
Mais informações no Instagram @nzojindanji.
Publicado por Josué Gomes
Publicado em 18/11/25