Música

Lagum lança álbum visual “Depois do fim” em BH

Lagum. Foto: Webber Pádua

A banda escolheu o Palácio das Artes para exibir os videoclipes do quarto álbum, “Depois do fim”

Por Helena Tomaz | Assistente de Conteúdo

No camarim, um dos integrantes bate com o pé no chão, fazendo a melodia de uma música. Outro pergunta: “qual é essa?” “Fantasy”, ele responde. Começa a rodada de entrevistas.

É o lançamento do quarto álbum do Lagum, “Depois do fim”. Dessa vez, o disco também é visual: todas as músicas são acompanhadas de clipes. A ideia, explica Pedro Calais, vocalista da banda, era filmar pessoas em situações do cotidiano delas, sem muitos cortes ou grandes produções. Assim, a intenção é contrapor às tendências do audiovisual na era do Tiktok, em que os vídeos são cada vez mais curtos e rápidos. 

Uma mulher em uma aula de luta, outra atravessando a rua, outra esperando o carro ser lavado, um palhaço se maquiando expressam o cotidiano de outras pessoas. Para mostrar a própria banda, foi, então, escolhida a faixa “Olha Bela”, que tem imagens da banda em turnê pela Europa, em 2022. A estética é sempre vintage, com cores quentes e imagens granuladas, efeito do filme utilizado. 

Recomeço

A capa de “Depois do fim” exibe os quatro integrantes da Lagum sentados no telhado de uma casa em chamas. A imagem reflete as dificuldades pelas quais o grupo passou desde a produção do último álbum, quando ainda eram cinco integrantes. 

É que, em setembro de 2020, faleceu o baterista ‘Tio’ Wilson, logo depois de um show, vítima de uma parada cardiorrespiratória. A primeira faixa do álbum já escancara o tema: “senti a terra tremer/eu vi o galo cantar/vi o céu derreter/mas não quis acreditar”. No videoclipe, vemos um sofá em chamas. 

Pedro Calais conta que os momentos que desafiaram a banda vão além do luto: “A gente não imaginava, em 2014, no nosso primeiro show, que ia passar por tudo o que a gente passou. Tanto de felicidade quando de tristeza, quanto de briga, quanto de honra, mesmo”. 

Tanto para a produção do novo disco quanto para a reestruturação e reidentificação da banda após a perda, os quatro alugaram uma casa em Campinas, onde passaram dois meses juntos. Sobre o processo, Pedro diz: “Esse é um álbum extremamente curativo”. 

BH no centro

Mesmo depois de ganhar os corações – e fones de ouvido – de todo o Brasil, o Lagum não esconde as raízes belo-horizontinas. Chico, que toca baixo, brinca que a banda está tomando conta do centro de BH. 

É que, depois de gravar um trabalho no Automóvel Clube, e com show agendado no Parque Municipal, o grupo escolheu o Palácio das Artes para exibir, pela primeira vez, o novo disco. Chico conta ainda, da importância que o lugar tem para ele, que costumava frequentar o teatro para assistir concertos com o pai, na infância. 

Ele completa, ainda, comentando que Pedro, colega de banda, costuma dizer que Belo Horizonte, cidade cercada pela Serra do Curral, tem uma energia que se mantém dentro das montanhas. Segundo ele, quem atravessa a serra, no entanto, deslancha e alcança o Brasil inteiro. Foi exatamente o que aconteceu com eles. 

Ainda sobre as raízes mineiras, Jorge complementa dizendo que o primeiro CD que teve na vida foi do Skank, uma das bandas belo-horizontinas de maior sucesso, que fez seu último show em março, no Mineirão. “Eu ouvi o negócio até arranhar!” ele comenta, entre risadas. 

Ele diz ainda que Skank, Jota Quest e Pato Fu foram inspirações não apenas na musicalidade, mas também na carreira: “Lá atrás, na minha adolescência, essas bandas mostravam que era possível trabalhar com música, ter banda aqui.” Ao olhar para o passado, contudo, ele fala também sobre o presente: “a cena musical da cidade está em um momento de plena expansão, é muito legal ver isso!”

Apesar das mudanças, o Lagum ainda é o mesmo

Em “Depois do fim”, o Lagum está mais maduro, mas ainda é uma banda jovem: “memórias engarrafadas/nas vielas da mente de um jovem eu”, diz “Ponto de vista”, penúltima faixa do álbum. Em “Outro alguém”, a banda imagina outras possibilidades e mostra versatilidade ao cantar em múltiplas línguas. 

Apesar da surpresa positiva com parte das faixas, algumas canções não demonstram ter a identidade específica do álbum, parecendo se enquadrar em uma “fórmula Lagum”. Por fim, apesar disso, a banda demonstra ter saído melhor da fase difícil que viveram. Que seja longo o sucesso de mais essa banda que carrega o DNA de Belo Horizonte. 

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Publicado por Helena Tomaz

Publicado em 14/04/23

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