Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Impressões sobre o show de Sandy e Júnior em BH

Show “Nossa História” de Sandy e Júnior levou mais de 25 mil pessoas à Esplanada do Mineirão para mais de duas horas de show

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Generosidade. Foi essa a palavra que apareceu em mim quando o relógio já marcava 23h do dia 17 de agosto na Esplanada do Mineirão. Sandy e Júnior ainda estavam no palco. Precisamente diante de uma plateia que não sabia se gritava, chorava ou dançava. O show termina e, antes do bis, entra mais um vídeo. No caso, um depoimento que me soou bastante sincero.

Com lágrima nos olhos e voz embargada, Sandy e Júnior falam sobre amor. Sobre como a ideia desse show surgiu para retribuir tudo o que receberam do público ao longo da carreira. Tem verdade ali e por isso, na hora, no calor da emoção, não soa piegas. E, Sandy ressalta, não é uma história só deles.

“Eu digo nossa vida, nossa história. O melhor de tudo disso aqui é a gente poder construir novas lembranças com vocês”, já havia comentado ao longo do show. Em outro momento, ela voltou a deixar isso claro. “Vocês proporcionaram isso aqui pra gente. Esse show só acontece por vocês e pra vocês”.

Sandy e Jr em BH. Foto: Leandro Couri/EM/D.A Press

Talvez por isso tenha tido a forte impressão de ter sido mesmo um presente. Milimetricamente planejado. Impecavelmente executado. E mais: sem economias. O show “Nossa História” não fica devendo, em nada, para produções internacionais que recentemente passaram pelo Brasil. Ok, para a comparação valer é preciso ajustar a pontualidade. No caso, rolou um atraso de cerca de 40 min. O ingresso foi caro? Foi. Mas acho que valeu à pena.

Repertório

Não há qualquer inovação no que eles cantaram. Os arranjos seguem exatamente os mesmos e assim deveria ser pois se trata de um tributo à própria carreira. Em BH, praticamente seguiram o roteiro das outras cidades. Começaram com Não dá pra não pensar, lançada em 2001, depois teve com Nada vai me sufocar (2003), No fundo do coração (1998) e daí em diante procurando fazer um balanço – mais afetivo do que cronológico – dos momentos marcantes da carreira.

Cada um tem a sua preferida, né? Sendo assim, por saber que não vão agradar a todos, os irmãos pensaram um momento acústico onde costumam alterar um pouco o set list. A novidade do show de BH foi Cadê você que não está, lançada no disco ao vivo de 1998. Diz Sandy que Maria Gadú prometeu uma versão que até hoje ainda não veio. Rolou uma breve e descontraída cobrança.

O som estava tão bom que dava para entender tudo o que eles também falavam. Por incrível que pareça isso não é básico. Tem show, principalmente em grandes espaços, que você entende só o que a figura canta. Quando fala, é um desastre. No caso deles não.

Júnior, que ao longo da carreira, ficou mais dando suporte à irmã, assume em Nossa História um protagonismo para não deixar dúvida sobre sua versatilidade. Em quatro momentos, fica sozinho no palco. Tem também a hora em que ele sola na bateria. O rapaz arrasa. Sandy é Sandy. Sempre doce, simpática, com uma voz que não envelhece.

 

Sandy e Jr em BH. Foto: Leandro Couri/EM/D.A Press

Estética

Se escolha foi por apostar mesmo no túnel do tempo sonoro, na parte visual, meus amigos, eles gastaram. Dessa maneira, estavam espalhadas no palco, com 30 metros de altura, telas de led em formato triangular de todos os tamanhos. Vídeos, em altíssima definição, mesclavam imagens gravadas, coreografias e cenas captadas ao vivo. Em síntese: cada música oferecia uma experiência visual diferente. Uma coisa!

Trata-se de um bom exemplo dentro da indústria do entretenimento. Fiquei me perguntando quantas pessoas estiveram envolvidas em todo o processo de criação desse show. É muita gente e não há como negar o movimento que gera na economia. Sabemos que a cultura no Brasil não é feita somente disso.

Infelizmente são poucos os artistas que tem condições de realizar uma produção dessa envergadura, por diversos fatores. De toda forma, é bom que existam casos assim onde, de fato, existe um cuidado e uma entrega para quem sai de casa, paga caro e, em diferentes medidas, volta com uma experiência potente e novas histórias para contar.

Choque de realidade

É uma pena, porém, que a cidade ainda não esteja conectada – e sobretudo preparada – para também atuar com competência dentro dessa indústria. É óbvio que tem a ganhar com isso. Não sei você, mas a minha volta para a casa foi um caos. Primeiramente, os aplicativos de transporte estavam com tarifas até quatro vezes maiores. Fui para o ponto de ônibus, esperei uma hora e nesse tempo passou apenas um coletivo. Detalhe: estava lotado e não deu para ninguém do ponto entrar. Resultado?

As pessoas começaram a se organizar para dividir os altos preços do aplicativo com corridas até o centro para depois se dispersarem. Dessa maneira, olha que vacilo de quem administra o transporte público. Alô Belotur, tinha muita gente de fora da cidade, é um show que movimentou a economia local, não há nada que possa ser feito?

Em resumo: a sensação final foi ter visto um show de primeiríssima linha, coisa de primeiro mundo, mas que, logo que acabou, rolou choque de realidade. Enfim, ainda temos muito o que evoluir. Ou seja, a indústria do entretenimento ainda não é tratada com a atenção que merece no Brasil.

 

 

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