Por Gabriel Pinheiro | Colunista de Literatura
“Não entender, na verdade, é entender tudo”, diz uma personagem de “Histórias de amor no novo milênio”. Tal frase parece conter uma espécie de síntese do vertiginoso romance da escritora chinesa Can Xue. Situado numa cidade fabril interiorana, a celebrada história é povoada por personagens que parecem sempre estar à procura de algo. Mesmo quando não sabem exatamente o quê.
O prazer feminino em Can Xue
Além disso, o prazer feminino atravessa a narrativa de Can Xue. As mulheres de “Histórias de amor no novo milênio” são, por vezes, insaciáveis. Numa ode ao prazer, à mutabilidade dos relacionamentos, à liberdade de ir atrás daquilo o que se deseja, ou seja, do sexo como parte da condição humana.
Num texto labiríntico, que nos abandona, nos empurra e nos puxa de volta ao eixo ao sabor de acontecimentos – ora banais, ora fantásticos – flutuamos entre amores voláteis e amantes passageiros, entre o sonho e a vigília. Nesse sentido, Adentramos lugares escondidos a olhos vistos, cruzando com fantasmas que caminham entre os vivos, revelando tanto a normalidade do que é inexplicável, quanto o absurdo do cotidiano. Assim, Can Xue não hesita em abraçar esse absurdo, o surreal, o poeticamente mágico.
Se deixar perder
A autora chinesa constrói um texto polifônico e caleidoscópio, que abandona a linearidade narrativa para nos mergulhar numa verdadeira experiência estética. No romance, o mais importante, me parece, é saborear a viagem que sua leitura pode nos proporcionar. O destino é consequência. Como um desejo que irrompe e nos joga, a seu bel prazer, numa vertigem incontrolável, a delícia deste “Histórias de amor no novo milênio” está em se deixar perder.
Encontre “Histórias de amor no novo milênio” aqui.
Gabriel Pinheiro é jornalista e crítico de literatura. Escreve aqui no Culturadoria e também em seu Instagram: @tgpgabriel.
Publicado por tgpgabriel
Publicado em 27/11/25
Compartilhar nos Stories