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Há 80 anos, Caetano Veloso trazia o “caetanear” ao mundo

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Celebrar o aniversário de Caetano é reconhecer a originalidade e o pioneirismo de um nome marcante da cultura nacional

Por Letícia Finamore | Culturadora

1942 foi um ano que mudou o mundo da música no Brasil, e isso não se deu apenas pelos sucessos de Dorival Caymmi e Ary Barroso que se alastraram pelas transmissões radiofônicas. A mudança não era imediata: ela estava em seus primórdios. Foi nesse ano que nasceram diversos nomes importantes para a música brasileira – Gilberto Gil, Clara Nunes, Tim Maia, Nara Leão, Jorge Ben Jor e Milton Nascimento eram alguns deles.

Juntamente a essa lista está Caetano Emanuel Viana Teles Veloso, nascido no dia 7 de agosto do ano supracitado. O artista, um dos mais basilares para a cultura brasileira, completa 80 anos nesta semana. Seu octogenário merece ser celebrado não apenas pelo aniversário, mas também por toda a história que trilhou ao longo da vida. 

Caetano Veloso - imagem para divulgação do disco Meu Côco - Fernando Young
Caetano Veloso – imagem para divulgação do disco Meu Côco – Fernando Young

O artista

Caetano Veloso não é apenas um nome da MPB: arrisco dizer que talvez seja um dos mais importantes da música brasileira como um todo. Criou e liderou movimentos pioneiros na cultura nacional, lançou discos aclamados pelos quatro cantos do planeta, sobreviveu à ditadura militar sem deixar de lado seu âmago poético e inovou quando nada de novo era esperado. A carreira é repleta de trabalhos inigualáveis e impecáveis. Mas não pense que ela perdeu o vigor ao longo das décadas!

O cantor e compositor baiano lançou, em novembro do ano passado, seu mais recente disco, “Meu Coco”. Nele, o artista abre seu coração para abordar as crises que o país e o mundo enfrentam: a sanitária, a política e a humanitária.

Caetano Veloso – Autoacalanto (Visualizer)

Mas nem sempre Caê foi soturno. No início da carreira, por exemplo, os trabalhos se baseavam em temas mais alegres e coloridos. Mesmo durante o período ditatorial brasileiro, o artista deu seus pulos e continuou a deixar sua marca no mercado fonográfico brasileiro. Foi o autor de seis das nove faixas que compõem o disco “Tropicália”, um dos mais aclamados e relevantes discos da música nacional que recebe o nome do movimento criado por Veloso e seus amigos. O disco estreou o ideal Tropicalista, que marcou trabalhos cinematográficos, plásticos e cênicos. Alguns nomes que ajudaram Caê a criar e levar o Tropicalismo para frente são Gilberto Gil, Chico Buarque, Elis Regina, Roberto Carlos, Os Mutantes, entre outros.

Caetano Veloso – Alegria, Alegria

Censura e Exílio

Mas nem tudo era flores: no final de 1968, Caetano Veloso e Gilberto Gil, um de seus amigos mais próximos e também companheiro tropicalista, foram presos. De Salvador, onde moravam, foram levados ao Rio de Janeiro. Enquanto o regime ditatorial tomava conta do Brasil, os dois artistas foram exilados para a capital da Inglaterra, Londres. A repressão da Tropicália pela ditadura e, consequentemente, o exílio de Caetano e Gil, fez com que o Tropicalismo chegasse ao fim.

Foi em terras britânicas que Caê criou uma de suas obras primas: “Transa”, segundo disco gravado por lá, e que completa 50 anos em 2022. Aos trinta anos de idade, o artista mesclou faixas em português e inglês, nas quais falava sobre seu exílio e também sobre o Brasil. Este trabalho integrou guitarras elétricas, até então uma presença recente nos trabalhos de artistas tupiniquins, assim como o gênero reggae e alguns elementos da música afro. Mesmo de longe, Caetano continuava a deixar sua marca em seu país de origem. 

Vanguardista

Veloso já mostrava, desde o início da sua carreira, que era inventivo e gostaria de fazer algo próprio, à sua maneira. Com o tempo, o músico provou que essa era uma de suas características mais vibrantes, e assim conquistou a admiração – e o estranhamento – de muitos. Em sua jornada, Caetano ameaçou se aposentar diversas vezes, mas acabou por se contradizer em todas elas (até então). Ao lado de seus amigos, como é o caso de Gilberto Gil, Gal Costa e de sua irmã Maria Bethânia, deu cor e brasilidade à música popular brasileira. Foi resistente – à sua maneira – ao regime ditatorial e viveu dois anos em exílio. Nos dias de hoje, sob regimes democráticos, Caetano continua a deixar clara a sua posição política, e não perde suas esperanças ao que diz respeito a um mundo, a um Brasil melhor.

Comemorações

Em razão de seus 80 anos de vida, será realizada uma live neste domingo, dia 07/08, a ser transmitida gratuitamente pelo GloboPlay. O repertório, preparado pelo próprio Caetano, contará com as canções clássicas e também as mais recentes, e contará com a performance de seus filhos, Moreno, Zeca e Tom, e de sua irmã, Maria Bethânia. A transmissão será feita diretamente da Cidade das Artes, na cidade do Rio de Janeiro, e será comandada pela cantora Iza, fã declarada de Caê. A live tem sua direção artística assinada por Pedro Secchin e direção de gênero por Raoni Carneiro.

Caso você deseje presentear Caetano Veloso na comemoração de seus 80 anos de vida, o cantor pede doações para a instituição soteropolitana TV Pelourinho. A organização atua na formação de jovens para o mercado audiovisual e, no momento, enfrenta dificuldades financeiras. Para presentear Caê e, ao mesmo tempo, fazer parte da campanha #SOSPelourinho, é possível contribuir por meio da plataforma Para Quem Doar.

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