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“Meu Coco”: o olhar para dentro de Caetano Veloso

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No novo álbum, “Meu Coco” (2021), o cantor e compositor olha para dentro de si e, além da poesia, revela suas preocupações sobre o futuro do Brasil.

Por Adonai Elias | Culturador

O que se passa no “coco” de Caetano Veloso? É uma pergunta bastante complexa! Tendo em vista que o músico é uma das mentes mais brilhantes e inquietas do país, desde os anos 60. O novo álbum, “Meu coco”, com músicas inéditas, revela os caminhos para a resposta dessa pergunta. 

O último disco de inéditas do cantor e compositor foi lançado em 2012, com “Abraçaço”. Será que você lembra como era o Brasil daquela época? Sem dúvida, muito diferente do de hoje, com outras questões. Em uma análise atual e rápida, o crítico musical Pedro Antunes caracterizou o álbum como “longínquo e inocente”.

As letras suaves de “Abraçaço”, que falavam de amor, dão lugar a algo mais obscuro.

De fato, não poderia ser diferente! Caetano, enfrentou a catástrofe política e sanitária que acontece no país. Percebeu a toxicidade das redes sociais e seus “densos algoritmos”.

Em “Meu Coco”, ele expôs tudo isso e mais!

Com incríveis arranjos de Letieres Leite, Thiago Amud e Jaques Morelenbaum, o álbum é rico em ritmos e referências. Algo esperado de Caetano, mas que ganha volume e frescor nas mãos desses mestres. Tem macumba, axé, samba e fado português. 

Algumas músicas, como “Anjos Tronchos” e “Não vou deixar”, até lembram bastante da fase do músico durante a trilogia com a Banda Cê. A primeira faz uma ligação muito clara com o “Abraçaço”, a segunda se conecta completamente com a musicalidade presente no disco “Cê” (2006). O que é extremamente positivo! Nos mostra um Caetano já conhecido, com o qual estamos familiarizados, para depois apresentar novos caminhos.

Caetano Veloso, em ensaio para seu novo álbum ‘Meu coco” (Foto: Fernando Young / Divulgação).
Caetano Veloso, em ensaio para seu novo álbum ‘Meu coco” (Foto: Fernando Young / Divulgação).

Temas

Além – e apesar – de temas obscuros, o álbum faz brilhar nomes de artistas que engrandecem o Brasil. 

Dentro do “coco” de Caetano, essa é a única saída para esses tempos difíceis. Enquanto os “anjos tronchos” do vale do silício comandam seus bi e trilhões, nós “quando não somos otários, ouvimos canções”

No disco, Veloso fala da influência e importância de Tom Jobim, Jorge Ben, Pixinguinha, Duda Beat, Marília Mendonça, Milton Nascimento, Djonga, Gloria Groove e outros, para um Brasil que samba. Sem isso, fica “tudo esquisito, tudo errado”, como canta na faixa “Sem samba não dá”.

Sobre essa complexidade, da riqueza cultural do país e os problemas que enfrentamos agora, Caetano é preciso ao afirmar que vivemos “entre a miséria e magia” (em “Você-Você”). E é categórico ao dizer que esse obscurantismo é de responsabilidade dos “palhaços líderes macabros”.

Sem dúvida o álbum entrará para a história como um dos maiores reflexos do nosso tempo. Além de – espero estar completamente errado – haver a possibilidade de ser o último disco da carreira do cantor e compositor. Tendo em vista que, por diversas vezes, ensaiou sua aposentadoria da música.

Você pode ouvir o disco na íntegra através do Spotify, Deezer ou qualquer outra plataforma de streaming. 

Depois fala pra gente o que achou 🙂

A Turnê do lançamento de “Meu Coco” foi anunciada e passará por Minas Gerais:

Após circular por alguns países na Europa, Caetano Veloso anunciou os locais e datas da sua turnê pelo Brasil. Em Minas Gerais, o “Meu Coco” será apresentado no Palácio das Artes, dia 02 de Abril. 

Os shows também acontecerão em Porto Alegre (8 e 9/4), Rio de Janeiro (16,23/4 e 9, 10 e 11/6) e Salvador (22/5).

Este conteúdo foi produzido por Adonai Elias
Sobre o autor: Adonai Elias é redator, web radialista e atualmente é Estagiário de SEO no Diários Associados (Jornal Estado de Minas). Graduando em Publicidade e Propaganda (UNA), escreve para o Culturadoria e para a revista eletrônica Lugar Artevistas. Todo sábado, às 15h, apresenta o programa “Nasci Para Bailar”, na Matula Web Rádio. Seu Instagram é @adonaielias.m.

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