O Grupo Galpão volta a Belo Horizonte com o espetáculo “(Um) Ensaio sobre a Cegueira”, em cartaz de 25 de junho a 14 de julho, no Teatro do Centro Cultural Minas Tênis Clube. A montagem, estreada em 2025, foi vencedora do Prêmio APCA de “Melhor Espetáculo” e recebeu várias outras indicações pelo país.
Com direção e dramaturgia de Rodrigo Portella, a peça parte do romance “Ensaio sobre a Cegueira”, de José Saramago, escritor português vencedor do Prêmio Nobel de Literatura. O encontro entre o Grupo Galpão e a obra do autor propõe uma leitura cênica sobre humanidade, ética, coletividade e os limites que sustentam a vida em sociedade.
A narrativa acompanha uma epidemia de cegueira que assola a cidade. Tudo começa com um homem no trânsito, que perde a visão de forma repentina. Logo depois, a condição se espalha e altera as relações entre os habitantes. A partir daí, moral, ética e noções de coletivo são colocadas à prova.
A cegueira como metáfora
Na prosa ensaística de Saramago, a chamada “cegueira branca” não se limita à perda da visão. A história se constrói como uma alegoria sobre a fragilidade humana e os limites éticos que nos separam da barbárie. “A obra revela o modo como, em um mundo despojado das aparências, enxergamos, realmente, quem somos e o que, em essência, significa ser humano”, destaca Rodrigo Portella.
Para o diretor, a narrativa permanece atual por lidar com diferentes formas de cegueira simbólica. “A cegueira pode ser uma metáfora da perda de sentido e do senso de humanidade, assim como de nossa capacidade de enxergar além do que se vê”.
Um teatro em construção
Segundo Eduardo, o teatro do Galpão permanece em movimento. “Nós nos colocamos como aprendizes, nessa perspectiva, num processo profundamente libertador, que revela nossos limites, ao mesmo tempo em que nos convida a viver novas experiências de risco e experimentação, não só entre nós, mas, também, na comunhão com o público, que sempre foi e continua sendo parte essencial do nosso trabalho”.
A montagem trabalha a ideia de ensaio como forma artística. Dessa maneira, os atores constroem uma relação direta entre narrativa e drama. O espetáculo não busca uma representação literal do romance. Ao contrário, abre espaço para que os artistas dialoguem com a obra, com suas alegorias e com seus paralelismos.
Sonoridade e memória
A direção musical é de Federico Puppi, que compara o trabalho com o Grupo Galpão à criação para um instrumento de identidade própria. “Cada ator, cada gesto, carrega uma sonoridade única, como se o grupo inteiro vibrasse em harmonia. Criar música para o Galpão é dialogar com essa memória viva, ouvindo o que a cena pede e respondendo com afeto e escuta. Não é apenas música: é ressonância. É esculpir a sonoridade da cena a partir da riqueza evocativa que o grupo propõe, somando a minha identidade”.
Bastidores (Um) Ensaio Sobre a Cegueira
E se você quiser ficar por dentro do processo de criação da peça, o Grupo Galpão disponibilizou uma série de 10 episódios dos bastidores.
Serviço
(UM) ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA Local: Teatro do Centro Cultural Minas Tênis Clube
25 a 28/06/2026, quinta a sábado, às 20h; domingo, às 19h 03 a 05/07/2026, sexta e sábado, às 20h; domingo, às 19h 07 a 14/07/2026, terça a sábado, às 20h; domingo, às 19h
Ingressos entre R$ 21,50 e R$ 78,00, pela Sympla. Classificação indicativa: 16 anos
Sessões com audiodescrição nos dias 28/06 e 05/07. Sessões com libras nos dias 28/06, 05/07 e 12/07. Sessões com recepção para pessoas neurodivergência 28/06, 05/07 e 12/07.
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