Teatro
Grupo dos Dez apresenta “Madame Satã” em BH
Coletivo celebra 15 anos e prepara estreia de “Afroapocalíptico” no Palácio das Artes.
Foto: Felipe Barbosa
Teatro
Coletivo celebra 15 anos e prepara estreia de “Afroapocalíptico” no Palácio das Artes.
Foto: Felipe Barbosa
O Grupo dos Dez retoma aos palcos de Belo Horizonte com apresentação única do premiado “Madame Satã”, no dia 1º de março, às 18h, no Sesc Palladium. A classificação é 16 anos.
A montagem tem direção de João das Neves e Rodrigo Jerônimo. A iniciativa prevê mais de 60 apresentações em sete estados, além de obras inéditas, espetáculos consagrados e ações formativas.
Além da circulação de “Madame Satã”, o coletivo prepara a estreia de “Afroapocalíptico”, no dia 16 de março, no Palácio das Artes. A nova peça parte da cosmovisão do congado mineiro para construir uma experiência artística imersiva, sensorial e política.
Madame Satã é o terceiro espetáculo do Grupo dos Dez. A obra se vale da biografia de João Francisco dos Santos para dialogar com a crítica à homofobia, à transfobia e ao racismo. O musical dá visibilidade a sujeitos que não se enquadram na heteronormatividade vigente.
A montagem foi realizada em 2014, dentro do projeto Oficinão do Galpão, em Belo Horizonte. Estreou em 2015 e seguiu em circulação até 2019, com apresentações em várias capitais brasileiras. Entre os reconhecimentos estão o Prêmio Brasil Musical 2019 – 2ª edição (melhor espetáculo musical Sudeste) e o Prêmio Leda Maria Martins 2017 (categoria melhor espetáculo).
O retorno a Belo Horizonte tem valor simbólico para o grupo, que apresentou o espetáculo pela última vez na capital em 2018, no Aquilombô – Fórum Permanente de Artes Negras.
Rodrigo Jerônimo, co-diretor e dramaturgo, afirma: “chegar aos 15 anos significa olhar para trás e reconhecer tudo o que conquistamos, mas também reafirmar que nosso trabalho só ganha sentido quando é capaz de criar coletivamente e transformar realidades.”
Bia Nogueira, artista e diretora musical, destaca: “Estar de volta com essa temporada é potencializar vozes que refletem o Brasil em toda a sua diversidade e afirmar que a arte deve ser acessível a todas as pessoas.”
“Madame Satã” é o único espetáculo de João das Neves ainda em cartaz, entre mais de 40 dirigidos ao longo de sua trajetória. A relação do diretor com o Grupo dos Dez é apontada como um dos pilares da companhia.
“A gente tem brincado que o João das Neves não gostava de ser chamado de mentor. Então, eu estou chamando João de farol. Porque ele orienta, direciona as nossas decisões enquanto cerne criativo. No meu caso, especialmente, o João me ensinou a ver a cultura brasileira e o povo trabalhador brasileiro como protagonista das suas próprias histórias. O João está impregnado em mim de uma maneira irreversível. Mesmo que eu tentasse sair pela tangente de João das Neves, as minhas decisões todas têm a ver com o que ele me ensinou sobre a magia do teatro, essa coisa deslumbrante”, diz Rodrigo Jerônimo.
Criado em 2009, o Grupo dos Dez consolidou-se como referência nacional ao investigar a interseção entre o teatro negro e o teatro musical brasileiro. Ao longo da trajetória, lançou luz sobre temáticas como homoafetividade, desafios da população negra, luta das mulheres e enfrentamento a opressões LGBTQIAPN+.
Além dos espetáculos, o coletivo desenvolve iniciativas como o Aquilombô – Fórum Permanente de Artes Negras, o Festival Imune e o Laboratório Editorial Aquilombô.
Grupo dos Dez retorna a BH com apresentação única de Madame Satã
Data: 1° de março, domingo
Horário: 20h
Atenção: Haverá uma cena externa às 19:30.
Local: Sesc Palladium
Ingressos: Entre R$5 e R$10, pela Sympla.
Classificação: 16 anos
Mais informações: @grupodosdez
Publicado por juniodecarvalho
Publicado em 20/02/26