Literatura
Oscar Pilagallo lança “O girassol que nos tinge”, sobre Diretas Já em Belo Horizonte
Oscar Pilagalli. Foto: Pablo Saborido.
Literatura
Oscar Pilagalli. Foto: Pablo Saborido.
Jornalista vem à capital mineira para bate-papo sobre “O girassol que nos tinge” na Livraria Quixote no dia 14 de abril
Por Gabriel Pinheiro | Colunista de Literatura
“Eu quero votar para presidente” foi o lema das Diretas Já. O movimento político-popular, durante a ditadura militar brasileira, defendeu a retomada das eleições diretas para presidente da República. De uma primeira manifestação, no dia 31 de março de 1983 em Pernambuco, com cerca de 100 participantes, as Diretas Já levaram cerca de 1 milhão e meio de pessoas para o centro de São Paulo por volta de um mês depois. Um movimento e imagens que entraram para a história.
O jornalista Oscar Pilagallo analisa este período da política brasileira e seus efeitos na política brasileira ao longo dos quarenta anos que se seguiram em “O girassol que nos tinge: uma história das diretas já, o maior movimento popular do brasil”, lançamento da Fósforo Editora.
O livro será lançado em Belo Horizonte nesta semana, no dia 14 de abril. O evento será realizado a partir das 18h, na Livraria Quixote. O lançamento será um bate papo entre Oscar Pilagallo e a jornalista Bertha Maakaroun.
Em 8 de janeiro de 2023, uma multidão vestida de amarelo tomou conta de Brasília numa manifestação violenta e antidemocrática. Ela era em tudo diversa do que pregava o manifesto de mais de quarenta anos antes que dá título a este livro. Em 1984, durante a ditadura militar, um documento produzido pela classe artística desfraldava a luta pelo voto direto para presidente. Declarava também o desejo da sociedade de “usar o amarelo das flores sem medo, o girassol amarelo que nos guia, tinge e alimenta”. A metáfora captava o anseio daqueles que, saindo às ruas em busca da democracia, inauguraram a maior manifestação popular do Brasil: as Diretas Já.
Diversos acontecimentos convergiram para a eclosão do movimento, tais como a insatisfação com o regime militar e com a economia, a influência da redemocratização na Argentina e a proposta de emenda constitucional do deputado Dante de Oliveira, de março de 1983. Esses aspectos criaram as condições sociais que culminaram na campanha das Diretas Já, que ao longo de um ano tomou as principais cidades do país.
Às vésperas dos quarenta anos do movimento, o jornalista Oscar Pilagallo analisa o curso histórico de tais acontecimentos, mostrando como a vontade de votar para presidente estava nas mais diversas esferas da sociedade civil. Pilagallo enfoca, em tom de crônica, os principais atores envolvidos, reconstituindo a contribuição de políticos, músicos, artistas, estudantes, jornalistas, publicitários e atletas, muitos dos quais atuantes em nossa vida pública até hoje.
Com uma linguagem leve, Pilagallo apresenta um painel histórico que vai da formação da convergência democrática à derrocada dos militares. Entremeando análise política e episódios anedóticos — quase inéditos de tão esquecidos —, a narrativa prende a atenção dos leitores que não vivenciaram o período e refresca a memória de quem participou da festa cívica. O livro traz ainda fotografias da época, além de uma cronologia e apêndices informativos sobre a carreira posterior dos protagonistas. Embora haja quem diga que as Diretas Já não foram bem-sucedidas em seu propósito, O girassol que nos tinge argumenta que as praças coalhadas de gente garantiram a participação popular no processo que pôs fim a duas décadas de ditadura.

Oscar Pilagallo é jornalista, com passagens pela Folha de S.Paulo e BBC de Londres. Publicou, entre outros livros, A aventura do dinheiro (Publifolha, 2000), História da imprensa paulista (Três Estrelas, 2012) e Lua de vinil (Seguinte, 2016). É também roteirista da HQ O golpe de 64. Nos anos 2000, criou e editou a revista EntreLivros.
Publicado por Gabriel Pinheiro
Publicado em 11/04/23