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Back to Black: sobre a cinebiografia de Amy Winehouse

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Amy Winehouse é interpretada por Marisa Abela no filme que abre mão de mostrar o sucesso da artista para contar sobre a decadência emocional da artista

Por Carol Braga | Editora

Back to Black, a cinebiografia de Amy Winehouse, não vai entrar na lista de melhores filmes de 2024. Mas também não merece estar na dos piores. É verdade que o longa dirigido por Sam Taylor-Johnson (Cinquenta Tons de Cinza) “nada em águas rasas”. Mas consegue tocar o coração do espectador sem expectativas com um retrato muito humano da artista-furacão que Amy foi. 

Filme Amy Winehouse. Foto: Universal Pictures
Filme Amy Winehouse. Foto: Universal Pictures

Em oito anos de carreira, apenas dois discos. Lançou Frank (2003), aos 20 anos e, três anos depois, Back to black (2006). Ambos estourados em todas as paradas de sucesso. Só que o filme não conta essa história em detalhes. Isso o documentário Amy (2015), disponível na Apple TV, já fez muito bem. 

A escolha aqui é por retratar a mulher extremamente apaixonada, passional e que transformou dramas pessoais em música. Levou a própria turbulência emocional para o palco em interpretações inigualáveis, surpreendeu o mundo inteiro, vendeu muito disco, ganhou os prêmios mais cobiçados. Mas nada disso parece ter feito sentido. Afinal, “o amor é um jogo perdido”. 

Dramaturgia particular

Assim, a Back to Black interessa mais contar sobre a história do amor tóxico entre Amy Winehouse (Marisa Abela) e Blake Fielder-Civil (Jack O’Connell). Eles iniciaram um relacionamento tumultuado em 2005. Depois de idas e vindas, casaram-se em 2007 e divorciaram-se em 2009. As canções escritas para o álbum Back to Black, lançado em 2006, constróem a turbulenta dramaturgia do casal. 

Já adepta ao álcool em excesso, foi depois que conheceu Blake que Amy passou a usar também drogas. Uma combinação que nunca dá certo. Sobretudo em pessoas intensas como ela. Mas o roteiro de Matt Greenhalgh não gasta tempo buscando dramatizar ainda mais a dependência química. Afinal, o tema Amy Winehouse e as drogas foi exaustivamente publicado na imprensa sensacionalista. É essa a imagem que todo mundo tem dela.

Vira o disco

Assim, o que interessa ao filme é o quanto ela foi uma mulher que amou intensamente. Tão intensamente que parecia sufocar o ser amado e não dar conta de viver sobriamente sem esse “estranho amor”. Amy e Blake realmente construíram uma relação de codependência tão perigosa como as drogas.

Filme Amy Winehouse. Foto: Universal Pictures
Filme Amy Winehouse. Foto: Universal Pictures

Elenco

A atriz escolhida para viver Amy Winehouse é a também britânica Marisa Abela. Logicamente a caracterização pin up da cantora contribui muito para se criar a semelhança entre elas. Mas há uma doçura, uma sutileza no olhar da intérprete, uma tristeza, que nenhuma maquiagem consegue reproduzir. É esse toque que diferencia o trabalho da atriz.

A composição de Blake por Jack O’Connell também merece ser destacada. Quando ele entra em cena, o tom muda. Ou seja, o rapaz é um divisor de águas não apenas na vida da Amy, mas também do longa. O filme ganha mais ritmo, mais humor e também mais drama, claro!

Nado em águas rasas

As críticas que afirmam que Back to Black é superficial são compreensíveis. De fato, se comparado com o documentário dirigido por Asif Kapadia, tudo parece raso. O início da carreira, a importância que ela dava para a música na vida dela, a importância das amizades, o valor que dava ao fruto do trabalho que estava colhendo. A cinebiografia passa de relance por estes e outros temas relevantes para a construção da artista.

A elaboração dos personagens coadjuvantes deixa bastante a desejar. Nessa categoria estão o pai Mitch (Eddie Marsan), a avó Cynthia (Lesley Manville), o primeiro produtor, Nick Shymansky (Sam Buchanan). 

O roteiro também se perde, sobretudo no ato final. Dá a sensação de quanto maior era a carreira de Amy Winehouse, menor ficava a pessoa. Ela – e, por sua vez, o filme – foram minguando, sem ter mais o que entregar.  

Enquanto a cantora alcança o auge profissional, a queda pessoal e emocional é retratada de forma rasteira. Mas, ainda assim, o espectador mais sensível consegue experimentar o vazio que pode ter sido uma constante na vida da artista.

Amy, com direção de Sam Taylor-Johnson, atuação de Marisa Abela, Jack O’Connell e outros estreou nos cinemas brasileiros no dia 16 de maio de 2024.

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