Música
Festival Sensacional cruza estilos e gerações em edição 2025
Tradicional evento de música da capital celebrou 15 anos de existência
Caetano Veloso e Russo Passapusso (Foto: Tamás Bodolay)
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Tradicional evento de música da capital celebrou 15 anos de existência
Caetano Veloso e Russo Passapusso (Foto: Tamás Bodolay)
Por Gabriel Pinheiro
Dividido em duas datas, 27 e 28 de junho, o Festival Sensacional celebrou 15 anos de existência na última semana. Nesse sentido, grandes nomes da música brasileira se uniram à artistas em ascensão no cenário musical contemporâneo no Parque Ecológico da Pampulha. A extensa área verde do parque foi cenário de um agradável clima de celebração, potencializado pela temperatura mais amena da capital mineira.
Djavan foi o grande nome da Noite de Abertura da edição anterior do Sensacional. Passado um ano, a obra do alagoano seguiu sendo destaque na abertura deste ano, numa fusão entre as suas canções e os ritmos jamaicanos. O projeto JAH-VAN reuniu uma super banda para a releitura de clássicos djavanescos em diálogo com o reggae. Três convidados especiais dividiram os vocais: Assucena, Céu e Chico César. O resultado foi uma mistura deliciosa de ritmos e timbres, abrindo os trabalhos e a energia do público para a estrela da noite: Caetano Veloso.
Entre passinhos e sorrisos, Caetano Veloso estava em plena forma, mergulhando em um vasto repertório para sua nova turnê, “Caetano nos Festivais”. Assim, Veloso mesclou verdadeiros hinos de diferentes épocas, trazendo hits obrigatórios e belas surpresas, acompanhado de uma banda afinadíssima, com destaque para Pretinho da Serrinha.
“Cantar, sentir que tá cantando, sentir que tá ouvindo, isso é o que vai nos salvar”, declarou o baiano durante a apresentação. Na sequência, celebrou outros baianos, de uma geração mais recente, mas que mantém um diálogo firme com a tradição musical da terra natal: o BaianaSystem. Segundo Caetano, no Carnaval de Salvador, o grupo “energiza aquela gente com a música, o ritmo e a imaginação”. Veloso chamou Russo Passapusso, líder do Baiana, para o palco num dos pontos altos da noite.
O clima mais frio da capital mineira nas últimas semanas contribuiu para a fruição do segundo dia de Festival Sensacional no Parque Ecológico da Pampulha. A temperatura manteve-se-se agradável mesmo em espaços de maior exposição ao sol, sobretudo próximos aos dois palcos principais. Ao longo do sábado, estilos e gerações seguiram se cruzando em diferentes palcos. De Evinha e Zeca Pagodinho à BaianaSystem e Marina Sena, passando ainda por Melly e Duquesa.

A cantora Evinha abriu um dos palcos principais com uma apresentação preciosa. Ex-integrante do clássico Trio Esperança, Evinha vive um momento de descoberta por uma nova geração a partir do trabalho de BK. O rapper sampleou recentemente duas canções do álbum “Cartão Postal”, lançado em 1971. Assim, no palco do Sensacional, Evinha distribuiu simpatia, brincando com a idade do público. “Acho que ninguém aqui tinha nascido”, se divertiu ao falar do ano de lançamento de uma música, numa apresentação deliciosa.
Logo depois, Zeca Pagodinho celebrou 40 anos de carreira numa sequência de clássicos. Numa inusitada troca da cerveja pelo vinho – talvez pelo clima mais frio da tarde de sábado – Pagodinho emendou um hit atrás do outro. Com bom humor, reclamou dos drones que se aproximavam do palco para gravações, dizendo que o desconcentravam. Embalados pelo samba de um dos maiores nomes da história do gênero, o público do Sensacional viu o anoitecer chegar de mansinho no Parque Ecológico.
Uma das gratas surpresas desta edição foi a cantora Melly – que gravou ao lado de Liniker a canção “Papo de edredom” do hitado álbum “Caju”. No palco alternativo do festival, Melly carregou um público de peso para uma área imersa nas árvores do Parque, influenciando, dessa maneira, o clima da apresentação. De cabo a rabo, o público cantou a plenos pulmões o repertório da artista, que incluiu, inclusive, o dueto ao lado de Liniker.
Se aproximando do fim do festival, ainda faltavam dois dos mais aguardados nomes do dia: Marina Sena e BaianaSystem. Primeiramente, a mineira de Taiobeiras levou para o palco o show de seu novo projeto, “Coisas naturais”. Firme, segura de si e com a voz na potência máxima, Marina Sena mostrou um claro amadurecimento de seu trabalho no palco do Sensacional. Entre hits do primeiro disco – que a catapultou no cenário nacional – e canções lançadas recentemente, os fãs fizeram coro ao longo de toda a apresentação. Performática, Marina Sena consolidou, dessa forma, um status de popstar na noite de sábado.
Por fim, o BaianaSystem entregou tudo aquilo o que se espera de uma apresentação do grupo: peso, ritmo e um discurso político no último grau, aos gritos de “Sem anistia!”. Se Caetano Veloso celebrou no dia anterior o trabalho do Baiana, reforçando o discurso do grupo pela paz e pela não-violência, o público do Sensacional conferiu, por fim, tudo o aquilo o que encantou Veloso no trabalho da banda. Em suma, Russo Passupusso e sua trupe concluíram uma edição sólida do Festival Sensacional, sem contratempos, marcada pela pontualidade dos shows e um som à altura da qualidade do line-up.
Gabriel Pinheiro é jornalista e crítico de literatura. Escreve aqui no Culturadoria e também em seu Instagram: @tgpgabriel
Publicado por tgpgabriel
Publicado em 30/06/25