Restos de clareúme chega à Galeria SESIMINAS BH
Exposição do duo .:grão reúne fotografias e textos criados a partir de sonhos relatados durante residência artística realizada entre Belém do Pará e Belo Horizonte
Foto: Gabriela Sá e Ícaro Moreno
Exposição do duo .:grão reúne fotografias e textos criados a partir de sonhos relatados durante residência artística realizada entre Belém do Pará e Belo Horizonte
Foto: Gabriela Sá e Ícaro Moreno
A Galeria de Artes SESIMINAS BH recebe, de 10 de julho a 20 de setembro de 2026, a exposição Restos de clareúme, do duo .:grão. A parceria artística é formada por Gabriela Sá e Ícaro Moreno. A abertura será no dia 10 de julho, sexta-feira, das 19h às 22h, no Centro Cultural SESIMINAS BH, em Belo Horizonte.
A mostra apresenta uma série que combina fotografia e escrita. O trabalho foi desenvolvido durante a residência artística Farol, realizada no âmbito do 11º Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia, em Belém do Pará. A curadoria é assinada pelos artistas e professores Lívia Aquino, Alexandre Sequeira e Mariano Klautau Filho.
O projeto parte de uma estratégia poética incomum. Durante a residência, a câmera fotográfica foi retirada das mãos de quem viajava para a Ilha do Mosqueiro, em Belém. Essa pessoa passou a ter outra tarefa: sonhar e escrever, ao despertar, os sonhos lembrados. Enquanto isso, quem permanecia em Belo Horizonte recebia os relatos e buscava traduzi-los por meio da fotografia.
Ao longo do processo, cada sonho era datilografado na manhã seguinte ao seu surgimento. Depois, o texto era enviado a Belo Horizonte. A partir desse material, a obra passou a se organizar em torno de uma pergunta central: como fotografar o sonho do outro? Ou ainda: como criar imagens para uma experiência íntima, instável e, em grande medida, intraduzível?
O resultado é uma montagem com fotografias de diferentes tamanhos e textos organizados em constelações. No entanto, as palavras não funcionam como legendas. As imagens também não surgem como ilustrações diretas dos relatos. Em vez disso, texto e fotografia se aproximam de modo aberto, com relações oblíquas, fragmentárias e sugestivas.
Assim, a exposição propõe um jogo entre o onírico, o epistolar e o fotográfico. A série investiga os limites da imagem e da linguagem diante da experiência subjetiva do sonho. Também coloca em diálogo a distância, a escuta e a tentativa de aproximação entre quem sonha e escreve e quem recebe esse vestígio para transformá-lo em imagem.
O título da exposição parte da palavra “clareúme”, presente no universo literário do escritor paraense Dalcídio Jurandir. O termo se associa à ideia de claridade. Na mostra, essa claridade também se aproxima da paisagem do Norte do Brasil.
Ao mesmo tempo, “Restos de clareúme” faz ressoar os chamados “restos diurnos”, expressão usada por Sigmund Freud para tratar das reminiscências do dia que retornam, transformadas, no material dos sonhos.
Exposição: Restos de clareúme
Abertura: 10 de julho de 2026, sexta-feira, das 19h às 22h
Período de visitação: 10 de julho a 20 de setembro de 2026
Local: Galeria de Artes SESIMINAS BH.
Mais informações no site.
Publicado por juniodecarvalho
Publicado em 06/07/26