Poéticas da Luz ocupa janelas do Vila Marçola com cianotipias
Exposição transforma retratos comunitários em objetos fotográficos translúcidos e homenageia memórias do Aglomerado da Serra
Foto: Alexandra Simões
Exposição transforma retratos comunitários em objetos fotográficos translúcidos e homenageia memórias do Aglomerado da Serra
Foto: Alexandra Simões
O Centro Cultural Vila Marçola recebe, a partir de 24 de janeiro, a exposição Poéticas da Luz – Janelas da Memória. A mostra reúne objetos fotográficos concebidos a partir de retratos realizados e compartilhados durante as Oficinas de Fotografia Comunitária do projeto Poéticas da Luz. O trabalho tem autoria da fotógrafa Alexandra Simões, de forma voluntária e com recursos próprios, desde o segundo semestre de 2023.
A exposição apresenta um conjunto de imagens que se transformam em objetos translúcidos por meio da cianotipia. Trata-se de uma técnica histórica de reprodução fotográfica, utilizada aqui de forma inédita. As obras se inserem nas janelas do auditório do Centro Cultural Vila Marçola, fazendo com que a luz atue como elemento essencial da experiência visual.
Ao longo do processo, 85 pessoas foram fotografadas. Além disso, 155 retratos foram compartilhados pelos participantes das oficinas. O percurso se constrói como um exercício coletivo de escuta, reconhecimento e construção de memória. Dessa forma, o conjunto homenageia os participantes, suas famílias, histórias e afetos.
O projeto Poéticas da Luz tem parceria com uma turma externa do Ensino de Jovens e Adultos (EJA), no próprio Centro Cultural Vila Marçola. O equipamento público está localizado no Aglomerado da Serra, considerado a maior favela do estado de Minas Gerais e uma das maiores do Brasil.
Mais do que registros visuais, os retratos apresentados na exposição são construções sensíveis de pertencimento. As imagens revelam o cotidiano e a potência afetiva do Aglomerado da Serra. Nesse sentido, o trabalho articula memória individual e coletiva, sempre a partir da experiência compartilhada nas oficinas.
A escolha da cianotipia reforça a dimensão temporal da memória. Ao mesmo tempo, estabelece um diálogo direto com a luz, que atua tanto no processo de produção quanto na forma de exibição das obras. A técnica é uma das primeiras da história da fotografia e recebe esse nome pela predominância dos tons de azul nas imagens.
“Os objetos translúcidos de cianotipia são uma invenção original da Poéticas da Luz, apesar de utilizar um método de impressão tão antigo quanto a própria fotografia”, explica a fotógrafa e autora do projeto, Alexandra Simões.
Exposição: Poéticas da Luz – Janelas da Memória
Abertura: 24 de janeiro
Classificação indicativa: Livre
Público: Livre
Local: Centro Cultural Vila Marçola – Rua Mangabeira da Serra, 320, Serra, Belo Horizonte – MG
Horário: Terça a sábado, das 9h às 18h
Mais informações no Instagram: @poeticasdaluz
Publicado por juniodecarvalho
Publicado em 16/01/26