O Museu da Pessoa realiza, em Paracatu, a exposição “Economia Criativa: encontros, memórias e partilha”, que convida o público a conhecer histórias de mulheres e homens que transformam o cotidiano em criação e a tradição em riqueza simbólica. A mostra está em cartaz desde 20 de janeiro e segue até 20 de fevereiro, na Praça Firmina Santana, com acesso gratuito.
A partir da metáfora da pedra filosofal, símbolo da alquimia que transforma o simples em valioso, a mostra destaca práticas éticas, estéticas e comunitárias que transmutam memória em presente e conhecimento em valor.
O conhecimento aparece como bem central. Ele nasce da escuta, da partilha e da transmissão oral entre gerações. Em totens expositivos, o público conhece as trajetórias de oito protagonistas de Paracatu. São artistas, mestres de ofício, comunicadores e guardiões de tradições que produzem valor cultural, social e econômico a partir da vida cotidiana.
Para Sônia Helena Dória London, coordenadora do Educativo do Museu da Pessoa, a exposição destaca a escuta como ferramenta de transformação. “Essa mostra parte da convicção de que os saberes populares são fundamentais para compreender quem somos enquanto sociedade. Ao dar visibilidade a essas histórias, celebramos a economia criativa como uma prática viva, enraizada na memória, na oralidade e nos vínculos comunitários.”
Saberes e trajetórias que moldam a economia criativa local
Entre as histórias apresentadas está a de Maria Ângela, quitandeira reconhecida pelos sabores que carregam memória e afeto. “Eu acho que Paracatu é pão de queijo, Paracatu é Mané Pelado, Paracatu é um biscoito bem feito, frito, com aquele queijinho puxando assim, sabe? Isso é Paracatu. Eu acho que Paracatu é isso. É quitanda”, afirma.
O artista visual e professor Flávio Costa, surdo desde a infância, encontrou na pintura uma forma de comunicação. “Porque nós surdos somos mais visuais”, diz. Já a aquarelista Janaína Campos construiu sua trajetória artística permanecendo em Paracatu. “Quando eu estou fazendo arte é o momento que eu me sinto mais feliz, mais em paz”, relata.
A mostra também apresenta Solano Benedito, que percorre comunidades levando mensagens e poesias. “Eu chego lá e deixo acontecer. É ao vivo em cores, na hora”, conta. A tradição da rapadura aparece na história de Ronaldo Lopes, o Ronaldo Planeta, enquanto Mércia Vasconcelos compartilha sua atuação na formação de mulheres por meio do projeto Borboleta. Benedito da Conceição mantém viva a caretagem, e João do Forró traduz em música uma vida ligada à roça.
Segundo Eduardo Valente, da Gestão de Sustentabilidade do Museu da Pessoa, o projeto evidencia o valor social dessas trajetórias. “A economia criativa que emerge dessas trajetórias não se limita à geração de renda. Ela fortalece identidades, preserva patrimônios imateriais e mostra que o verdadeiro ouro está no conhecimento compartilhado e na capacidade de criar a partir da própria realidade.”
Serviço
Exposição “Economia Criativa: encontros, memórias e partilha”
Data: de 20 de janeiro a 20 de fevereiro
Local: Praça Firmina Santana – Paracatu (MG)
Entrada gratuita
Realização: Museu da Pessoa
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Publicado por juniodecarvalho
Publicado em 28/01/26
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