Exposição

Rostos do coletivo: a força do cooperativismo em retratos mineiros

Exposição realizada pelo Sistema Ocemg ocupa a Praça da Liberdade com imagens de Milton Lima que revelam o impacto do cooperativismo em comunidades mineiras

Foto: Brendon dos Santos

“A fotografia deve contar a história da pessoa pelo olhar.” É com essa premissa que o fotógrafo Milton Lima percorreu oito cidades mineiras em três meses, ouvindo histórias de reconstrução, pertencimento e trabalho coletivo. Em cada rosto encontrado, em cada retrato feito, Milton buscou mais do que imagem: buscou retratos de vidas transformadas.

É esse conjunto de encontros que compõem a exposição “Cooperativas Constroem um Mundo Melhor”, em cartaz até o dia 15 de julho na Praça da Liberdade. A mostra, idealizada e realizada pelo Sistema Ocemg, integra a programação nacional em celebração ao Dia Internacional do Cooperativismo e ao Ano Internacional das Cooperativas. A entrada é gratuita.

Com mais de 18 anos no fotojornalismo, Milton é natural de Três Pontas e carrega no olhar a experiência de quem cresceu no meio da cafeicultura. Foi em diálogo com essa vivência, e a paixão por retratar paisagens e pessoas, que ele aceitou o convite do Sistema Ocemg para registrar a presença do cooperativismo em diferentes setores da economia. Assim, partiu para uma jornada que testemunhou transformações. Da agricultura à energia solar, do leite ao pescado, da reciclagem ao crédito.

O retrato como escuta do cooperativismo

Morada Nova, cidade quase apagada do mapa por inundações, foi o lugar que mais o tocou. A igreja da cidade ainda tem a frente voltada para o rio, como um lembrete de quando as águas tomaram o centro. A população encolheu a menos de mil habitantes. Com o tempo, veio a reorganização por meio de uma cooperativa. Moradores aprenderam a criar tilápias, a processar a produção, a gerar renda. A cidade cresceu novamente. Hoje, pequenos produtores sustentam famílias e movimentam milhões.

“Não tem hotel suficiente para a demanda que a cidade gera hoje”, comenta Milton. Para ele, o que o cooperativismo faz ali é mais do que economia. É pertencimento.

Essa relação também se viu em Lajinha, onde a casca do café virou insumo. A técnica do biochar, aplicada por cooperativas locais, transforma o resíduo em adubo orgânico. O produtor entrega a palha, recebe o composto por um custo acessível e o reaplica na lavoura. É ciclo. É terra que devolve.

Escolhas feitas com o tempo e com o corpo

Milton desenhou rotas, fez contatos locais, buscou condições favoráveis. Com tempo contado para cada cidade, otimizou deslocamentos longos. 

Foi nesse contexto que ele escolheu manter a própria linguagem. Foco em retratos sociais, luz natural, textura de pele, presença corporal. “Não há mentira nas fotos”, afirma. “Cada imagem é o registro de algo que eu vi. Ela carrega a história de quem estava ali comigo.”

Milton participou ativamente da seleção das imagens expostas. Apontou aquelas que tinham mais força narrativa, mas respeitou o olhar da organização sobre o conjunto. Não houve montagem, nem reencenação. As cenas são registros do que aconteceu diante da câmera.

Em meio às histórias, algumas figuras ficaram na memória. Um casal idoso na Serra da Canastra, por exemplo, chamou a atenção. Ele cuidava do gado. Ela fazia o queijo. Milton quis uma foto dos dois juntos no espaço da queijaria. O homem recusou. “Esse é o espaço dela”, disse. Ficou na porta, respeitando a divisão do trabalho.

O fotógrafo Milton Lima. Foto: Victor Terra Lima
O fotógrafo Milton Lima. Foto: Victor Terra Lima

Minas em muitas vozes

Cada cidade apresentou uma realidade. Em Cristália, o retrato da escassez foi cortado pela presença das usinas fotovoltaicas. No sul do estado, o café encontrou outras formas de se reinventar. E nas bordas com a Bahia, culturas tão distintas quanto o próprio Brasil tomaram forma diante da lente.

“Mesmo dentro do estado, a diversidade é imensa. Muda o modo de falar, de vestir, de andar. Muda o jeito de olhar.”

A exposição se ancora nessa pluralidade. São rostos que plantam, que pescam, que transformam resíduos em produto. São mulheres que lideram lavouras, homens que atravessam trilhas, cooperados que equilibram tradição e inovação. Todos têm algo em comum: estão juntos.

Serviço

Exposição: Cooperativas Constroem um Mundo Melhor

Local: Praça da Liberdade e Câmara Municipal de Belo Horizonte

Data: até 15 de julho

Entrada gratuita

Inscreva-se no nosso canal no WhatsApp

Participe do nosso canal no Whatsapp e receba as novidades em primeira mão!

QUERO PARTICIPAR
Inscreva-se no nosso canal no WhatsApp

Publicado por Carol Braga

Publicado em 09/07/25

Compartilhar nos Stories