Rios, peixes, paisagens e memórias atravessam a exposição A Foz do Contato, que abre no dia 6 de novembro, às 19h, no Centro Cultural UFMG, em Belo Horizonte. Com entrada gratuita, a mostra reúne trabalhos dos artistas Ana Maia, Gabriel Lauriano, Heloisa Brabo e Yuri Alves, integrantes do coletivo Memória de Peixe. A visitação segue até 6 de dezembro, no Espaço Experimentação da Imagem.
Por meio da cerâmica, pintura, fotografia e outras linguagens, os artistas investigam as relações entre seres humanos, natureza e territórios. A água ocupa o centro dessa reflexão, não apenas como elemento natural, mas também como memória, sustento, deslocamento e passagem.
O título da exposição parte da ideia de foz como lugar de encontro. Assim como os rios deságuam em outros corpos d’água, histórias, experiências e territórios também se cruzam. Dessa perspectiva, as obras apresentam diferentes maneiras de compreender os vínculos entre corpo, ambiente e ancestralidade.
A mostra nasce da preocupação com as águas brasileiras e as violências que as atingem. Ao mesmo tempo, destaca práticas de cuidado e resistência. Inspirado pelas percepções de mundo de populações indígenas, afro-brasileiras e ribeirinhas, o coletivo busca reconhecer modos distintos de ocupar e compreender os territórios.
A exposição também questiona a ideia de separação entre humanidade e natureza. Para isso, dialoga com reflexões presentes na publicação Seres-Rios: São Francisco, Jequitinhonha, Doce, que destaca: “embora os seres humanos (ou boa parte deles) tenham se afastado de sua relação original com a natureza, é impossível desconsiderar a interdependência que nosso corpo tem com as águas e os seres que vivem em torno delas”.
Diferentes trajetórias e linguagens artísticas
Os quatro participantes desenvolvem pesquisas próprias, que se encontram nas questões propostas pela exposição.
Ana Maia, artista visual e arte-educadora formada pela UFMG, trabalha com desenho e aquarela. Sua produção relaciona corpo, memória, violência e ecologia, utilizando o peixe como metáfora recorrente.
Gabriel Lauriano, também formado em Artes Visuais pela UFMG, investiga costumes brasileiros, crenças religiosas e símbolos culturais. Suas criações transitam entre escultura, fotografia, instalação e performance.
Natural de Belém e criada entre a capital paraense e Soure, no Marajó, Heloisa Brabo desenvolve trabalhos ligados às memórias de seu território de origem. A artista combina pintura, fotografia, dança e performance para abordar experiências individuais e coletivas.
Já Yuri Alves atua como ilustrador, quadrinista, fotógrafo, grafiteiro e poeta. Entre seus trabalhos estão as ilustrações do livro Giro dos Afetos – A Literatura Rosiana no Meio do Redemoinho e a história em quadrinhos Peter Lund nas Grutas do Cerrado, da qual é coautor.
O coletivo Memória de Peixe surgiu do encontro entre cinco artistas: Ana Maia, Gabriel Lauriano, Heloisa Brabo, Leila Maria e Yuri Alves. Suas pesquisas compartilham interesses por memória, ecologia, ancestralidade, oralidade e questões sociais. Nesta exposição, quatro integrantes apresentam suas produções ao público.
Serviço
Exposição coletiva A Foz do Contato – Coletivo Memória de Peixe
Abertura: 6 de novembro de 2026, sexta-feira, às 19h
Visitação: até 6 de dezembro de 2026
Terças a sextas: 9h às 20h
Sábados, domingos e feriados: 9h às 17h
Local: Centro Cultural UFMG – Espaço Experimentação da Imagem
Classificação indicativa: livre
Entrada gratuita
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