Teatro
Estreia de “enquanto ainda há” movimenta dezembro em BH
Montagem dirigida por Carolina Cândido une teatro, neurociência afetiva e visualidade em experiência imersiva na Funarte MG.
Foto: Pierre Rodrigues
Teatro
Montagem dirigida por Carolina Cândido une teatro, neurociência afetiva e visualidade em experiência imersiva na Funarte MG.
Foto: Pierre Rodrigues
O espetáculo “enquanto ainda há” estreia no dia 16 de dezembro no Galpão 4 da Funarte MG. A temporada segue até o dia 21, com apresentações que cruzam teatro, neurociência afetiva e artes visuais. Com direção de Carolina Cândido, a montagem propõe uma imersão sensorial sobre as fronteiras entre memória, afeto e consciência. No elenco estão Anselmo Bandeira, Camila Félix e Camila Furtunato, em uma realização da dois pontos: Plataforma Artística.
Os ingressos têm venda antecipada no Sympla por R$30 (inteira) e R$15 (meia). A virada de lote ocorre a partir de 15 de dezembro, com comercialização também na bilheteria da Funarte.
A história se passa no instante entre o impacto e o silêncio. Nesse intervalo mínimo, um terapeuta tenta reorganizar mentalmente fragmentos de vida logo após sofrer um acidente. “É uma ficção dentro da mente de um homem em colapso”, afirma o ator Anselmo Bandeira. Ele explica que o personagem revisita o dia do acidente, os afetos, as culpas e as conversas interrompidas “antes que o cérebro se apague de vez”.
A narrativa se desenvolve de forma não linear, como um conjunto de lembranças em choque. Três vozes orbitam essa consciência fragmentada: Maia, a esposa, interpretada por Camila Furtunato; Samira, a amante, vivida por Camila Félix; e Gilberto, o paciente, papel de Anselmo Bandeira. Cada figura representa uma dimensão emocional: controle, desejo e dor. “Quando essas três vozes se cruzam, o espetáculo atinge o ponto em que razão, emoção e corpo colidem”, diz a diretora Carolina Cândido.
A diretora reforça que o trabalho discute a fragilidade das relações humanas e o esgotamento afetivo contemporâneo. O espetáculo questiona a tentativa de controlar emoções e o custo desse esforço. Para Carolina, é “um convite à pausa, à pergunta sobre o que ainda há de vivo dentro de cada um”.
O texto também provoca o elenco. Camila Furtunato destaca que a personagem vive em função do outro e revisita escolhas. Já Camila Félix aponta que a obra desperta reflexões sobre decisões guiadas pelo coração ou pela inércia. As duas atrizes observam que o processo tem sido um espaço de escuta e confronto com as consequências das ações.
O projeto nasceu em 2019, a partir de conversas entre Anselmo Bandeira e o iluminador Gabriel Corrêa sobre afetos masculinos. Em 2024, sob direção de Carolina Cândido, o tema foi ampliado para relações afetivas em perspectiva mais plural. O espetáculo mistura teatro, estética fragmentada, artes visuais e neurociência afetiva. O objetivo é criar um espaço entre realidade e delírio, no qual corpo e tempo se dissolvem.
A luz de Gabriel Corrêa, o design de movimento de Flor Barbosa e a direção de arte de Luiz Dias constroem as camadas visuais da encenação. A trilha sonora de Barulhista amplia os vazios emocionais que atravessam as relações entre os personagens.
A plataforma de criação artística que nasce do encontro entre Anselmo Bandeira e Carolina Cândido. A partir do diálogo entre os dois criadores, surgem obras, ideias e experimentações que se desdobram para o coletivo. Assim como o sinal gráfico que anuncia uma fala, uma explicação ou um desdobramento, a plataforma é um lugar de continuidade, de abertura, de transição criativa. É, sobretudo, um novo espaço, onde cada obra é construída a partir de dois pontos de vista, que, em vez de se anularem ou se fundirem, criam um campo criativo mais complexo e verdadeiro. Da mesma forma que um desenho técnico de perspectiva cria espaço e volume por meio de linhas que partem de pontos opostos, a “dois pontos” propõe que a arte nasce do entre, do eixo invisível que conecta diferenças.
Estreia do espetáculo “enquanto ainda há”
Data: 16 a 21 de dezembro de 2025
Local: Funarte MG – Galpão 4 (Rua Januária, 68 – Centro, Belo Horizonte)
Horários: terça a sexta, às 20h30; sábado e domingo, às 19h30
Classificação: 16 anos
Duração: 70 minutos
Ingressos: R$30 (inteira) e R$15 (meia). Primeiro lote exclusivo no Sympla.
Virada de lote: a partir de 15 de dezembro, com vendas no Sympla e na bilheteria da Funarte.
Mais informações no Instagram @doispontosplataforma.
Publicado por Júnio de Carvalho
Publicado em 09/12/25