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Entenda por que Dona Ivone Lara é fundamental na história do samba

A artista foi a primeira mulher a fazer parte de uma ala de compositores de uma escola de samba e participou da fundação da Império Serrano

Por Jaiane Souza *

26/02/2020 às 09:17 | *Colaborador

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Foto: João Lopes / Divulgação

Dama e rainha do samba. Dona Ivone Lara recebeu esses títulos pois foi a pessoa responsável por revolucionar a história da mulher no samba, que antes era praticamente inexistente. Só para exemplificar, ela foi a primeira mulher a fazer parte de uma ala de compositores de uma escola de samba e a ser reconhecida em um contexto majoritariamente masculino. Além disso, participou da fundação da Império Serrano, escola de samba carioca. Dona Ivone Lara será homenageada pela cantora Ana Proença no show marcado para o dia 08 de março. Ela também já recebeu tributos de Fabiana Cozza e até um musical inteirinho dedicado à vida e carreira.

Já deu para perceber a importância da artista para a história da música brasileira e principalmente do samba, não é? Mesmo assim, ela sofreu com o machismo na música. Isso porque as primeiras composições foram apresentadas publicamente como sendo de autoria de Mestre Fuleiro, primo da artista e também compositor. Entretanto, alguns pontos foram determinantes para a construção dessa história, como a formação, os contatos e o contexto em que vivia. 

As origens

Ivone Lara nasceu em 1922 no Rio de Janeiro e desde criança teve contato com a música. Isso porque a mãe, Emerentina Bento da Silva, era cantora e se apresentava nos tradicionais ranchos carnavalescos do Rio, como o Ameno Resedá e Flor do Abacate. Já o pai, João da Silva Lara, tocava violão de sete cordas e desfilava no Bloco dos Africanos. No entanto, os progenitores morreram quando ela ainda era muito jovem. Então, ela foi criada pelos tios, momento no qual aprendeu a tocar cavaquinho e a ouvir samba ao lado do já citado Mestre Fuleiro e da família. Ivone Lara também teve aulas de canto com a pianista Lucília Guimarães e foi elogiada pelo marido da professora, ninguém menos que Villa-Lobos. Depois disso, passou a integrar o Orfeão dos Apiacás, Da Rádio Tupi. Dessa relação com a família Villa-Lobos e demais mestres surgiu a sofisticação harmônica e melódica das obras de Ivone Lara. 

Entretanto, a música não foi a atuação profissional principal de Dona Ivone no começo da carreira. Ela estudou enfermagem e trabalhou como plantonista de emergência. Nas horas vagas, participava de rodas de samba na casa de um tio com presenças muito importantes no cenário da música como Pixinguinha e Jacob do Bandolim.  

 

ivone lara

Foto: Domício Pinheiro / Estadão Conteúdo

Atuação na música

A primeira composição foi aos 12 anos, Tiê-Tiê, samba de partido-alto baseado no pássaro Tiê-sangue que ganhou de presente. Mais tarde, a partir de 1945, Dona Ivone Lara se mudou para Madureira e passou a frequentar a Escola de Samba Prazer da Serrinha. Nesse meio tempo, já escrevia as suas canções, mas nunca mostrava para ninguém por receio de sofrer críticas devido ao fato de ser mulher. Assim, propôs ao primo que que as apresentasse como pertencentes a ele.

Em 1947, se casou com Oscar Costa, presidente da Prazer da Serrinha e isso fez com que aprimorasse ainda mais as habilidades como sambista, já que passou a frequentar assiduamente o local. Também conheceu diversas figuras, com as quais fecharia parcerias mais tarde e compôs o samba Nasci para sofrer. A música se tornou hino da escola e foi usada no desfile.

Lembra que falamos da Império Serrano no começo? Por causa de uma treta na Prazer da Serrinha, a Império foi criada também em 1947 e Ivone Lara passou a fazer parte da Ala dos Compositores. Tal ala teve na sua história nomes como Mano Décio, Silas de Oliveira, Aniceto do Império e Arlindo Cruz. Foi nesse local que a consagração de Ivone Lara chegou, em 1965, sendo a primeira mulher a fazer parte de uma ala de compositores e sendo, também, a primeira mulher a compor um samba-enredo. A música Os cinco bailes da história Rio, base do desfile da Império Serrano naquele ano. 

 

O primeiro disco

Foi pela gravadora Copacabana, que Ivone concretizou a sua primeira produção artística. Em 1970, gravou o disco ‘Sambão 70’ e também recebeu o nome artístico Dona Ivone Lara. Sete anos depois, passou a se dedicar exclusivamente à música após se aposentar na enfermagem. Dessa forma começa a ser reconhecida nacionalmente com suas canções gravadas por expoentes da música popular brasileira como Gal costa e Maria Bethânia, cantando Sonho meu, Clara Nunes, com Alvorecer, e Caetano, Gil e Bethânia com Alguém me avisou

A partir daí, não parou mais. Lançou mais 17 trabalhos entre CDs e DVDs, participou do filme A força de Xangô (1977) e do especial Sítio do Pica-Pau Amarelo, interpretando a Tia Nastácia. Além disso, também recebeu diversas homenagens como, por exemplo, o enredo Dona Ivone Lara: o enredo do meu samba, feito pela Império Serrano em 2012, e pela 21ª edição do Prêmio da Música Brasileira.

Mais uma dessas homenagens vai ser realizada no dia 8 de março no show Dona Ivone Lara: mas quem disse que eu te esqueço, interpretado pela artista Ana Proença. O repertório vai passar pelos clássicos da Dama do Samba e pelas parcerias da carreira da Ivone.

[O QUE] Show Dona Ivone Lara: mas quem disse que eu te esqueço, de Ana Proença [QUANDO] 8 de março, 18h [ONDE] Cine Theatro Brasil Vallourec – Av. Amazonas, 315, Centro – BH – (31) 3201-5211 [QUANTO] R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia) [COMPRE AQUI]

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