Desfile do 18 de Maio ocupa BH com arte e luta
Tradicional cortejo da escola “Liberdade Ainda que Tam-Tam” celebra os 25 anos da Lei da Reforma Psiquiátrica e reforça a defesa do cuidado em liberdade
Foto: Jarbas Vieira.
Tradicional cortejo da escola “Liberdade Ainda que Tam-Tam” celebra os 25 anos da Lei da Reforma Psiquiátrica e reforça a defesa do cuidado em liberdade
Foto: Jarbas Vieira.
Belo Horizonte volta a transformar as ruas em território de liberdade, arte e resistência com o tradicional Desfile do 18 de Maio da Escola de Samba “Liberdade Ainda que Tam-Tam”. Desde 1998, o cortejo se consolidou como uma das mais expressivas manifestações da luta antimanicomial no Brasil e uma experiência singular no mundo.
A escola de samba reúne trabalhadores(as), familiares, artistas, estudantes e movimentos sociais ligados à saúde mental. Mais do que uma manifestação política, o desfile também propõe uma celebração estética da diversidade.
Fantasias, bandeiras, estandartes, adereços, alegorias, música e performances transformam a cidade em um espaço de convivência coletiva. A proposta reforça que a diferença não deve ser isolada, silenciada ou escondida, mas reconhecida como parte essencial da vida em sociedade.
Além disso, o samba, a arte e a ocupação das ruas funcionam como instrumentos de denúncia das violências manicomiais e também de construção de outras formas de existir, conviver e cuidar.
A escola surgiu a partir da articulação do Fórum Mineiro de Saúde Mental (FMSM) e da Associação de Pessoas Usuárias dos Serviços de Saúde Mental de Minas Gerais e Familiares (ASUSSAM-MG), no contexto da Reforma Psiquiátrica Brasileira.
O primeiro desfile, realizado em 1998, homenageou os 50 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos e denunciou os horrores dos manicômios brasileiros, como o Hospital Colônia de Barbacena. No local, milhares de pessoas sofreram abandono, violência e morreram em condições desumanas.
Ao longo de quase três décadas, o Desfile do 18 de Maio se consolidou como uma construção coletiva permanente. A organização, coordenada pelo FMSM e pela ASUSSAM-MG, começa ainda no fim do ano anterior e mobiliza serviços de diferentes municípios mineiros.
Todos os anos, o processo inclui concursos culturais e artísticos para escolha do samba-enredo, do cartaz oficial e também da corte da escola de samba, formada por rainha de bateria, princesa, príncipe, mestre-sala e porta-bandeira.
Participam dessas atividades pessoas vinculadas aos serviços da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), fortalecendo o protagonismo de usuários e usuárias na construção estética, política e afetiva do desfile.
Em 2026, a escola celebra os 25 anos da Lei Federal 10.216, marco da Reforma Psiquiátrica brasileira que consolidou o cuidado em liberdade e impulsionou a criação dos CAPS, Centros de Convivência e outros serviços substitutivos aos hospitais psiquiátricos.
Com o tema “Somos diferentes, somos muitos, mas todos cabem no mundo!”, o desfile levará às ruas reflexões sobre democracia, direitos humanos, infância, racismo, medicalização da vida, políticas sobre álcool e outras drogas, violência institucional e resistência aos retrocessos manicomiais e às políticas higienistas.
As cinco alas do cortejo irão combinar crítica social, memória histórica e exuberância artística em um desfile marcado por cores, música, poesia e participação popular.
Mais do que um evento cultural, o Desfile do 18 de Maio se apresenta como um ato público de cidadania e defesa do SUS, da vida em liberdade e da construção de uma sociedade sem manicômios.
Desfile do 18 de Maio – Dia Nacional da Luta Antimanicomial.
Escola de Samba “Liberdade Ainda que Tam-Tam”.
Data: 18 de maio de 2026
Local: Belo Horizonte (MG)
Tema 2026: “Somos diferentes, somos muitos, mas todos cabem no mundo!”.
Publicado por Fórum Mineiro de Saúde Mental
Publicado em 12/05/26