Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Cinco filmes para entender o Cinema Novo

O movimento cinematográfico retratava a desigualdade brasileira e fazia oposição à indústria existente até então
Cinema Novo foto do filme Deus e o diabo na terra do sol. Crédito: Produções Cinematográficas Herbert Richers
Deus e o diabo na terra do sol. Crédito: Produções Cinematográficas Herbert Richers

O descontentamento de um grupo de cineastas em relação a questões sociais e políticas foi um dos motes para o surgimento do Cinema Novo. O movimento cinematográfico existiu no Brasil durante os anos 1960 e 1970, foi influenciado pelo Neorrealismo Italiano e pela Nouvelle Vague Francesa. Além disso, também veio como resposta ao cinema que era feito até então: produções no estilo Hollywood, histórias épicas, comédias e musicais. 

Dessa forma, com o lema “uma câmera na mão e uma ideia na cabeça”, nomes como Glauber Rocha, Cacá Diegues, Nelson Pereira dos Santos, Helena Solberg, Joaquim Pedro de Andrade, entre outros, fizeram um cinema engajado e contra a indústria cultural instaurada.

O resultado de tudo isso foi um movimento politizado que dialogava com a realidade brasileira no que diz respeito às classes populares. Só para exemplificar, a “estética da fome” representou temáticas de miséria e violência contrapondo ricos e pobres latinoamericanos. Sendo assim, listamos alguns filmes fundamentais para entender o Cinema Novo, se aprofundar mais na temática ou mesmo rever. 

Neste texto da Academia Internacional de Cinema você confere mais detalhes sobre o contexto histórico, linha do tempo e acontecimentos determinantes.

Rio, 40 graus, de Nelson Pereira dos Santos (1955)

Este longa não está propriamente dentro do Cinema Novo. No entanto, é considerado o filme inaugural ou que inspirou o movimento por causa da temática e da estética. Trata-se de um semi documentário sobre o Rio de Janeiro que acompanha um dia de domingo da vida de cinco jovens moradores da favela. Eles vendem amendoim no Pão de Açúcar, no Maracanã e em Copacabana. Rio, 40 graus figura na lista dos 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos, feita pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema, assim como vários outros filmes do Cinema Novo.

Vidas secas, de Nelson Pereira dos Santos (1963)

O diretor inspirou o Cinema Novo com Rio, 40 graus, mas a grande obra do movimento foi Vidas Secas, adaptação do livro de Graciliano Ramos. Assim como na literatura, o filme acompanha a jornada de uma família de retirantes nordestinos. A angústia da fome e da seca ganhou também o cinema de forma igualmente emocionante. Alguns dos recursos utilizados para aproximar a narrativa da realidade foi a ausência de trilha sonora e o alto contraste em preto e branco.

Deus e o diabo na terra do sol, Glauber Rocha (1964)

Assim como o seu diretor, o filme é o mais conhecido do Cinema Novo e estreou quando o movimento ganhava projeção internacional. A narrativa mostra um casal sertanejo, interpretado por Yoná Magalhães e Geraldo Del Rey, fugindo de um grupo de jagunços após o homem ter matado o coronel em uma briga. Em resumo, é uma reflexão sobre os grandes latifundiários e sobre a desigualdade brasileira.

A grande cidade, Cacá Diegues (1965)

Além do sertão, o Cinema Novo também direcionou o seu olhar para as grandes cidades. Exemplo disso é este filme que conta com Antonio Pitanga na abertura falando do Rio de Janeiro e dos moradores na cidade. O desenrolar da história entrelaça a vida de quatro personagens. Luzia (Anecy Rocha), que saiu de Alagoas e chega no Morro da Mangueira em busca de notícias do noivo Jasão (Leonardo Villar). Para isso, se torna amiga de Inácio (Joel Barcellos) e Calunga (Antonio Pitanga).

Os fuzis, de Ruy Guerra (1964)

O segundo longa do diretor moçambicano, que chegou ao Brasil em 1958, foi a primeira obra notável dele no Cinema Novo. O filme mostra o envio de um grupo de soldados ao Nordeste brasileiros para tentar impedir que um grupo de retirantes saqueasse um depósito de alimentos. É interessante observar aqui o ponto de vista diferente do que vinha sendo feito até então, já que Ruy Guerra é estrangeiro. O filme finaliza a chamada “trilogia de ouro do Cinema Novo”, composta por Vidas Secas e Deus e o diabo na terra do sol. Além disso, foi vencedor do Urso de Ouro de Berlim.

Cinema novo. Filme Vidas Secas. Crédito: Herbert Richers Produções Cinematográficas
Filme Vidas Secas. Crédito: Herbert Richers Produções Cinematográficas

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