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Cinco discos para entender a Tropicália

Movimento durou pouco mais de um ano no Brasil e foi determinante para a produção de um novo estilo de música, nova estética e posicionamento social e político

Por Jaiane Souza *

29/09/2020 às 08:47 | *Colaborador

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Capa do disco Tropicalia ou Panis et Circencis (1968). Crédito: Phillips Records

Guitarra elétrica, berimbau, violino, cuíca e violão. A união entre rock, bossa nova, samba, bolero, baião e outros ritmos. Tudo isso unido a letras inovadoras que dialogavam com grandes autores e obras literárias, como Oswald de Andrade, por exemplo. Além disso, que remetiam a poemas do concretismo. Esses são apenas alguns dos elementos técnicos que formaram a Tropicália. 

O tropicalismo foi um movimento artístico e cultural que ocorreu entre 1967 e 1969 no Brasil. Se consolidou depois do terceiro Festival de Música Popular Brasileira, promovido pela TV Record, em 1967. Alguns dos principais nomes do movimento foram Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Os Mutantes, Tom Zé e Torquato Neto.  

Ditadura militar

Além disso, também é importante relembrar o contexto da época. O Brasil estava nos anos mais duros da ditadura militar e a arte era uma das formas mais fortes de protestar contra um governo autoritário. Pensando nisso, os tropicalistas propuseram uma abordagem diferente. Enquanto os artistas de esquerda e nacionalistas protestavam claramente contra o regime, os da Tropicália pensaram em uma espécie de internacionalização da cultura, além de uma nova estética. Sendo assim, a mescla de elementos da cultura brasileira e do exterior criou uma nova música e promoveu reflexões sobre a realidade brasileira e a sua arte.

Isso posto, selecionamos cinco discos para você entender as sonoridades e nomes desse período. Confira!

Tropicália ou Panis et Circencis

Considerando o manifesto, o marco do tropicalismo, o disco uniu Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Nara Leão, Os Mutantes e Tom Zé, acompanhados de Capinam, Torquato Neto e do maestro Rogério Duprat. Além de ter registrado um momento histórico, o álbum é uma referência até hoje e contém características da cultura pop e erudita. Entre as músicas estão as clássicas Baby, Hino ao Senhor do Bonfim e Mamãe, coragem. Em tempo, a produção ficou em segundo lugar na lista dos 100 maiores discos da música brasileira feita pela Rolling Stone Brasil.

Ouça aqui. 

Caetano Veloso

Outra produção essencial para o tropicalismo é o disco autointitulado de Caetano Veloso, o segundo da carreira do artista. O repertório é composto por canções como Tropicália, que deu nome ao disco seguinte, e Alegria, alegria. Essa segunda é outro marco inicial do tropicalismo e foi apresentada pela primeira vez no Festival da Record, em 1967. A canção chocou à primeira vista por causa das guitarras, mas teve boa aceitação posteriormente. 

Ouça no Spotify. 

tropicalia

Capa do disco Gilberto Gil (1968). Crédito: Philips Records

Gilberto Gil (Frevo rasgado)

Gil também estava em início de carreira e teve a Tropicália como um dos pontos de partida. No disco, de 1968, além dele, teve participações de Os Mutantes, Torquato Neto, Bruno Ferreira e Juan Arcon, com produção de Rogério Duprat. O grande hit é Domingo no parque, canção que também foi apresentada no Festival da Música Popular Brasileira de 1967 e ficou em segundo lugar. Em suma, é um disco que junta os elementos já descritos com psicodelia e arranjos de capoeira. 

Ouça no Spotify. 

A banda tropicalista do Duprat, de Rogério Duprat

O músico foi um dos principais mentores eruditos da tropicália ao orquestrar as sonoridades mais características em discos do movimento. Ele trabalhou com praticamente todos os artistas da época e adquiriu versatilidade para compor o álbum de 12 músicas. Dessa forma, com auxílio dos Mutantes e de Rogério Clélia Maria & Kier fez versões brasileiras de grandes clássicos dos Beatles, como Flying e Lady Madonna, da própria tropicália, como Baby, Bat Macumba e Frevo rasgado, e outras interpretações pop de músicas brasileiras.

Confira no Spotify. 

Gal Costa

Considerado o disco que fechou o movimento, o trabalho foi finalizado em 1968, mas lançado apenas no ano seguinte. A decisão foi da própria gravadora, já que a repressão da ditadura estava forte. Caetano e Gil estavam presos e Gal se tornou a maior representante do movimento. Tecnicamente o disco, além da Bossa Nova, que fazia parte da vida da artista desde sempre, conta com referências de Janis Joplin, James Brown, Erasmo e Roberto Carlos.

Destaques vão para Que pena (Jorge Ben) e Não identificado (Caetano Veloso). Ambas as músicas ficaram mais de três meses nas paradas de sucesso do país. Tem também Divino Maravilhoso, da dupla que estava exilada, apresentada no Festival da Record. 

Ouça no Spotify. 

O fim do Tropicalismo

Como não poderia deixar de ser, a Tropicália foi reprimida pela ditadura. Dessa maneira, durou pouco mais de um ano. O fim se deu a partir da prisão de Gilberto Gil e Caetano Veloso, no final de 1968. Na ocasião, Caetano Veloso foi acusado de desrespeitar a bandeira brasileira em uma apresentação na boate Sucata. Além disso, os militares acusaram o artista de distorcer versos do hino nacional, fazendo ofensas às Forças Armadas. Recentemente a Globo Play produziu um filme com relato emocionante de Caetano sobre a prisão e exílio. O documentário tem direção de Renato Terra e Ricardo Calil e pode ser visto aqui

Se quiser saber mais detalhes sobre a Tropicália este site se dedica a falar exclusivamente sobre o assunto. Tem linha do tempo, contexto histórico, diferentes pontos de vista entrevistas e depoimentos. 

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