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Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Cineop: Célia Xakriabá em defesa do cinema indígena

Em 2019, a temática central da Cineop é território. Célia Xakriabá participou de dois debates em defesa da produção indígena

Por Carol Braga

08/06/2019 às 11:02

Publicidade - Portal UAI
Célia Xakriabá Foto: Leo Lara/ Universo Produção

“Não estamos lutando para manusear a câmera mas também para questionar os métodos existentes”. Essa é  apenas uma das importantes ideias que Célia Xakriabá defendeu durante a Cineop. Em 2019, a temática central da Mostra de Cinema de Ouro Preto é território.

Sendo assim, em especial, são promovidas diversas mesas que discutem, por exemplo, tanto as inquietações históricas como também a relação das mulheres com terras e movimentos. Foi nesse cenário que a representante dos Xakriabá surpreendeu os presentes com uma fala urgente, contundente e necessária. Ela participou das mesas Territórios regionais, inquietações históricasMulheres, Terras e Territórios.

Célia Xakriabá é a primeira mulher indígena a cursar doutorado na Universidade Federal de Minas Gerais. Uma das missões dela, dentro e fora da academia, é fazer com que as pessoas pensem a presença indígena não como um povo do passado e se engajem na luta. É mesmo preciso estar junto. “O momento que vivemos agora é de total ameaça”, alerta.

Conhecimento

Para Célia, há dois momentos de morte para os povos indígenas. “Quando nega o território e quando nega o conhecimento”, ensina. É a luta contra a invisibilidade que também a inspira. Segundo ela, a sustentação da cultura está no território. Dessa maneira, a morte, para os indígenas, significa também a eliminação de um modo de vida.

Como ela explica, estão em curso processos de genocídio, etnocídio e epstemicídio. O primeiro é a eliminação das pessoas. O segundo, quando tentam matar a identidade. Já o terceiro está diretamente ligado à presença dos indígenas nas universidades. “É quando tentam matar e negar nosso conhecimento”, esclarece Célia.

Por isso, é muito importante o entendimento de território tanto na dimensão da terra mas também em um sentido mais profundo ligado ao pertencimento. Em resumo: é aí que o cinema participa como uma ferramenta poderosa.

 

Debate com Célia Xakriabá. Foto:Nereu Jr/Universo Producao

 

Cinema

Célia Xakriabá tem trabalhado na construção de narrativas para as imagens geradas por seus companheiros nas diversas aldeias. Dessa maneira, ela indica nomes como Grazi Guarani, Vanuza Pataxó, Sueli Maxacali, Alessandro Pataxó como cineastas indígenas importantes a se prestar mais atenção. De um modo geral, o que eles têm feito é trabalhado o cinema como uma arma para a descolonização dos corpos, do pensamento e da tela.

Ela faz uma interessante comparação entre o cinema e as cerâmicas. Por exemplo, em determinado momento histórico, quando os indígenas foram proibidos de pintar os próprios corpos, as mulheres registaram em potes, em paredes as pinturas do passado. Para Célia, o que acontece agora com o cinema é semelhante.

“Vejo que o cinema registra nosso modo de vida. Dessa maneira, vai ser um lugar onde vamos guardar nossa memória”, diz. O projeto de doutorado de Célia na UFMG estuda como as vozes dos estudantes indígenas nas universidades tem contribuído para fortalecer as epistemologias nativas. Nesse caso, a escrita, o cinema, a oralidade e a memória entram na análise.

“Falo que precisamos dominar isso para questionar. Não estamos lutando apenas para manusear a câmera, mas também para questionar os métodos existentes”, pondera. Célia Xakriabá chama atenção para o fato de estarmos no século XXI e as contra narrativas estarem chegando. “Muito mais do que reconhecer as narrativas, é preciso reconhecer os narradores”.

Culturadoria viajou para Ouro Preto a convite da Cineop

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