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Casa Gucci: filme de Ridley Scott é uma novela oscilante elevada por Lady Gaga

Casa Gucci é o novo filme dirigido por Ridley Scott sobre a história real da família Gucci. Estrelado por Lady Gaga, Adam Driver e Jared Leto.

Por Ana Pisani | Culturadora

O que dizer sobre Casa Gucci? É ótimo? Ruim? É a proeza de ser ambos ao mesmo tempo. O novo filme do diretor Ridley Scott é como uma glamourosa novela italiana de amor, poder e crime. Mas não se engane esperando um novo Poderoso Chefão. O longa é uma sátira humorada, porém oscilante, sobre as famílias de sobrenome de ouro.

Cena do filme Casa Gucci. Foto: Universal Pictures
Cena do filme Casa Gucci. Foto: Universal Pictures

Baseado na história real, o filme conta como a jovem Patrizia Reggiani conheceu Maurizio Gucci, herdeiro da renomada marca de moda. Em pouco tempo, os dois engatam um romance e constroem uma vida juntos. Tudo envolto dos dramas dos negócios da empresa, conflitos entre parentes e brigas por ações. Até levar ao trágico assassinato de Maurizio pela esposa. Isso é história, não spoiler!

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O poder do elenco

O maior apelo da trama não está no crime, mas sim nas caóticas relações de poder e traição. A luz que guia o filme é sem dúvida Patrizia, incorporada brilhantemente por Lady Gaga. Com uma presença feroz, ela domina a tela de modo inesquecível. Também é ela quem marca o principal ponto que Casa Gucci tenta fazer. Vinda de classe média-alta, a ambiciosa Patrizia nunca consegue se igualar à dinastia da qual o marido faz parte. Por mais que tente, a todo momento ela é lembrada que não é uma verdadeira Gucci. 

Maurizio sequer se interessava pelos negócios da Gucci antes de Patrizia entrar na jogada. Ela sempre enxerga as oportunidades e tem a força que Maurizio não tinha. Mas como mulher, seu poder não passava de uma ilusão. Eventualmente, a relação turbulenta por querer adentrar mais do que lhe era permitido é a sua queda. A atuação de Gaga humaniza a viúva negra e faz seu melhor ao trazer nuances à destemida italiana.

Outro grande destaque é Paolo Gucci, interpretado por um irreconhecível Jared Leto. Paolo é um estilista sonhador, taxado de idiota pelo própio pai. Sendo assim, as escolhas peculiares de Leto para o personagem servem de constante alívio cômico. Ele e Al Pacino, que faz seu pai Aldo, formam uma divertida dupla. O filme conta ainda com Adam Driver, Salma Hayek, Jeremy Irons e Jack Huston. De fato, o poderoso elenco é o ponto mais forte do longa.

Apesar dos pesares

O ritmo e a montagem do filme são seu maior deslize. Mesmo com 2h37, ou seja, tendo uma longa duração, a narrativa fica apressada. Compreensível, já que Casa Gucci tomou o desafio de perpassar por três décadas de acontecimentos. Mas isso resulta em um desenrolar abrupto. Além de perder muito no desenvolvimento e motivação dos personagens de forma mais profunda.

Casa Gucci seria melhor caso se comprometesse com o teor camp. Ou seja, se jogasse no exagerado e ridículo, ao invés de oscilar entre tons sérios e cômicos que o tornam inconstante. Por isso, fica um infeliz sentimento de potencial aquém, um gostinho de queria mais. Pode-se argumentar que tem elementos demais que impedem a produção de ser um filme objetivamente bom.

Por outro lado, que outro filme nos abençoaria com a absurda fala “em nome do pai, do filho e da Casa Gucci”? Apesar dos pesares, até que funciona. Dessa maneira, se deixe deliciar pelos diversos sotaques italianos, belas roupas de grife e olhares penetrantes de Lady Gaga. O segredo para curtir Casa Gucci é não o levar tão a sério. 

Cena do filme Casa Gucci. Foto: Universal Pictures
Cena do filme Casa Gucci. Foto: Universal Pictures

Por Ana Pisani

Fascinada pelo mundo do entretenimento, maratonista de séries e ouvinte de Lady Gaga. Jornalista em formação, atualmente faz estágio no Diários Associados. @anafpisani

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