Música

Felipe Bedetti apresenta terceiro disco de carreira

O álbum "Felipe Bedetti", do cantor, compositor e violonista, já está nas plataformas de streaming ligadas à música

Felipe Bedetti, que reverencia o samba e a história do rádio em seu novo disco (Gustavo Broglio/Divulgação)

28/03/2026 a 28/03/2026
19:00
Presencial
Pago
A partir d e R$40
Avenida Agulhas Negras, 225 - Mangabeiras, Belo Horizonte - MG, Brasil
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Por Patrícia Cassese

Ao dar início aos trabalhos voltados ao que, ao fim, se constituiria em seu terceiro disco de carreira, o cantor, compositor e violonista mineiro Felipe Bedetti quis de pronto eliminar do caminho um elemento muito atrelado à vida moderna: a pressa. Assim, afivelou as malas e, junto ao parceiro, o produtor Poli Brandani, partiu para Borda da Mata, no Sul de Minas, local no qual ele exalta “o astral incrível de cidade do interior”. “A gente gosta de gravar sem relógio, livremente. E, lá, a gente gravava, conversava, ia para a rua, depois tomava um café…”, conta ele, reportando-se ao ano de 2024. Mês passado, o disco – que traz a chancela do selo Música aos Montes – chegou às plataformas de streaming. Já no sábado, 28, é lançado em show, no Quintal Música aos Montes.

O novo disco, fala dizer, leva o nome do artista. “Com o tempo de carreira, a gente vai amadurecendo, o trabalho vai andando. Assim, entendo que esse álbum, o terceiro da minha carreira, já me define melhor. Daí, brinco que não poderia ter um nome melhor (risos). Mas é porque é tão difícil um nome que represente um trabalho… Então, falei: ‘Não, vai ser Felipe Bedetti. Afinal, Roberto Carlos fez uns 50 discos com o nome dele, falei ‘vou fazer pelo menos um (risos), pois entendi que eu tô preparado já para fazer um disco já definindo quem sou eu e tudo mais”.

Pluralidade

Musicalmente, Bedetti considera o novo trabalho como um disco super diversificado. “Desse modo, tem choro, tem valsa, tem música instrumental, tem marcha rancho. Os temas são muito variados – alguns, na minha opinião, muito importantes, há parcerias com vários compositores maravilhosos e, além disso, a sonoridade mineira está sempre presente. Reflete totalmente minhas influências mineiras e de outros compositores também da MPB”, pontua.

Entre as faixas, “Samba Gerais”, parceria com Ronaldo Pereira, chama de pronta a atenção. “O Ronaldo é um grande compositor, um letrista incrível lá de Itajubá, sul de Minas, Itajubá. Quando mandei esse samba instrumental, ele pescou na hora: ‘Vamos falar dos sambistas mineiros, né?’. Porque sem Minas, o samba não seria tão rico assim: são tantas pessoas super importantes nascidas aqui e que muitas pessoas nem sabem que são mineiros… Caso do Noca da Portela, Geraldo Pereira, Ari Barroso e Clara Nunes”, explana Felipe Bedetti.

A composição também aborda o tema religiosidade, mas ainda no arcabouço do samba. “A parte das tradições. Então, foi uma grande sacada aí do Ronaldo, ele achou isso aí, esse tema certeiro”. Da gravação propriamente dita, Felipe Bedetti enaltece o arranjo de metais (“muito legal, do pessoal de São Paulo, Feldman, Josué e Daniel de Alcântara, batera do Tommy Coelho, que é super talentoso, da nova geração, e baixo do João Paulo Avellar”.

Parceria com Tadeu Franco

“Breve”, por sua vez, é uma parceria com Tadeu Franco. “A música é uma espécie de rock rural, ao mesmo tempo que é um pop, assim, brejeiro. O Breve é um patuá, uma tradição ainda presente nos interiores do Brasil, mas que está se perdendo isso nas capitais. O Tadeu fez essa letra super sacada, eu fiz a música e gostei muito de gravar também, com a participação do Gilsinho Lopes, maestro da banda do Milton Nascimento, um grande amigo também, querido, professor também meu. E João Paulo Avellar no baixo, o Tommy na guitarra e Lidi Satier nos vocais”.

Declaração de amor à rádio

“Cem anos de Rádio no Brasil” insere-se no conjunto como uma marcha que homenageia o meio de comunicação preferido de Felipe Bedetti. “Sou um apaixonado, um ouvinte assíduo de rádio, quando viajo, sempre levo. E muitas coisas me encantam, tal qual a forma como o rádio se comunica com as pessoas. Aliás, em muitos lugares no país, ainda cumpre esse papel único de comunicação, já que as rádios chegam através de ondas curtas, através de amplitude modulada”. Felipe Bedetti ressalta que ainda hoje existem os icônicos programas de recado, “como o da Rádio Nacional, cuja atração citamos na música”.

Ao usar o plural, Bedetti abarca, em sua fala, a jornalista Lidi Satier, autora da letra e produtora do disco. “Uma pessoa incrível, inteligentíssima. Ela teve um programa de rádio em Brasília e teve a sacada dessa letra, que também faz menção ao radialista Ricardo Parreira”. O artista se refere ao decano profissional cuja demissão, em 2023, gerou muitos protestos. “Foi um episódio que mexeu muito comigo, por ser uma pessoa tão importante na história da rádio no Brasil”, lamenta Felipe. A música também cita outros ícones, como Tutty Maravilha, assim como fala da primeira transmissão de rádio e mesmo dos prefixos das emissoras no dial.

Em tempo: Lidi Satier também canta na faixa, com vocais que remetem a divas do rádio, como Dalva de Oliveira e Aurora Miranda. “Ou seja, é uma viagem por todo esse universo”, brinda Felipe Bedetti.

E mais

O repertório inclui, ainda, o bolero “Depois do Adeus” (com Thales Martinez e Simone Guimarães), assim como com a canção ecológica “Cerrado”(com Ronaldo Pereira), que homenageia o bioma citado no título. Não só. “Felipe Bedetti” traz, também, “Carta ao Brasil”, de Nelson Angelo, conduzida pelo piano de Cristiano Caldas, tal qual a seresta “Saudade”(novamente com Ronaldo Pereira). A nostalgia pauta “Valsa de Vila Rica”, inspirada em Ouro Preto, com a participação de Lucas Telles no violão 7 cordas. Outras faixas são “A Voz, o Amor”(com Toninho Camargos) e o samba intimista “Pois Bem”(com Thales Martinez), que encerra o disco em formato voz e violão.

O show de lançamento será modulado pelo viés intimista. “Resolvi celebrar o lançamento neste quintal do Música aos Montes, que fica no Mangabeiras. O disco, como eu disse, foi gravado no Sul de Minas, mas o pessoal do selo, tocado por uma turma maravilhosa, que me deu toda a força, assim, de marca digital, de criação de conteúdo”. Na apresentação, ele estará ao lado de Henrique Nolasco e Pedro Carceroni. O repertório vai incluir, ainda, músicas dos outros discos e composições que Bedetti aprecia.

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Publicado por Patrícia Cassese

Publicado em 27/03/26

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